Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, que nos sustenta em cada passo da nossa caminhada, estejam convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a cena de um pomar num dia de colheita. Há uma expectativa silenciosa no ar, um desejo de encontrar algo que alimente, algo que sacie a fome de quem caminha. O dono do pomar, no Evangelho de hoje, aproxima-se de uma figueira. Ele procura fruto. Ele procura a vida que deveria estar ali, manifesta em ramos carregados. Mas, ao encontrar apenas folhas, o desapontamento é humano, é real, é palpável. 'Por três anos venho procurando fruto nesta figueira e não encontro nada', diz ele. É uma imagem que nos confronta com a nossa própria finitude, com a nossa própria busca por sentido num mundo que, tantas vezes, parece estéril diante das nossas dores mais profundas.
O nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, era alguém que não vivia de aparências. Ele era um rapaz de uma autenticidade rara, um jovem cuja mente brilhante — capaz de decifrar a complexidade dos sistemas de nuvem ou a engenharia de um Boeing 737 — era apenas o reflexo de um coração que buscava, constantemente, a verdade. Lembram-se daquele momento, tão genuíno, em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil? Ele nunca quebrou o mealheiro, ele nunca o esvaziou, ele nunca fez um espetáculo. Ele apenas ofereceu. Aquele gesto, na sua pureza, já estava completo no coração de Deus. Ele não era uma árvore sem fruto; ele era uma vida que, mesmo no seu curto tempo entre nós, deu o fruto mais doce: o amor desinteressado, a bondade que não pede nada em troca, a alegria de quem sabe que 'tentar é tudo o que importa'.
Mas, hoje, precisamos de pousar os olhos sobre a realidade da cruz, pois é preciso dizer a verdade antes de encontrar o consolo. Alan, Thao e Ryan, quatro meses se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que, para vocês, o tempo não se mede em dias, mas no peso da ausência, naquele silêncio que, por vezes, se torna quase tangível em cada canto da casa. Sei que há momentos em que a saudade é tão aguda que parece nos tirar o fôlego, e o vazio da cadeira de Ben é uma presença que nos confronta. E, no meio dessa dor, a culpa tenta, por vezes, sussurrar nas sombras da madrugada, perguntando se algo escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve alguma falha técnica ou humana no caminho. Deixem-me olhar para vós com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa e dizer: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado, por mais vigilante, por mais técnico, por mais amoroso que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Algumas dores simplesmente entram na nossa vida sem que tenhamos qualquer controle sobre elas; não são um castigo, não são um erro, não são a vossa responsabilidade. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e o seu coração de ouro, sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele apenas vos convida a descansar. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo, que nos acolhe no seu abraço eterno.
Na primeira leitura, São Paulo nos fala de uma graça dada a cada um de nós 'segundo a medida do dom de Cristo'. Ele nos convida a crescer, a deixar de ser crianças 'agitadas por ondas e levadas por qualquer vento de doutrina', para atingir a maturidade da estatura plena de Cristo. O Ben, o nosso rapaz da 'Con Chim Airlines', o rapaz que sonhava com o céu e que encontrava beleza em cada detalhe do mundo, alcançou essa maturidade. Ele não precisou de muitos anos para compreender o que é essencial. Ele compreendeu que a vida é um dom a ser partilhado. Quando ele se sentava ao piano ou ao tambor, ou quando observava os aviões com o seu pai, ele estava a edificar o Corpo de Cristo, ligando-se aos outros através da música, da curiosidade e do afeto. Ele era um 'ligamento' que mantinha a família unida em amor. E agora, ele está na plenitude dessa união, onde não há mais a 'pedra de tropeço' da doença ou da separação.
O jardineiro, no Evangelho, pede uma última oportunidade: 'Senhor, deixa-a ainda este ano; eu vou cavar em volta dela e pôr adubo'. É a imagem da misericórdia de Deus. Ele não corta, Ele não desiste, Ele cultiva. Ele sabe que a vida, por vezes, precisa de tempo para dar fruto, e que mesmo no sofrimento, o adubo da graça de Deus está a trabalhar em nós, transformando a nossa dor em algo que, um dia, dará fruto para a eternidade. Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti. Tu és o guardião das memórias que vocês construíram na areia, nos aeroportos, nos restaurantes. Esse amor que vos uniu não foi cortado pela morte; ele foi apenas transfigurado. O Ben não foi tirado de ti; ele foi apenas colocado na presença direta daquele Mestre que nos ama a todos.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos, os jovens que lutam contra a doença: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada suspiro, cada noite mal dormida, cada interrogação sem resposta. Jesus não nos promete uma vida sem cruzes, mas promete que Ele mesmo carrega a cruz connosco. Ele não nos tira a dor de imediato, mas dá-nos a força para a atravessar, sabendo que, do outro lado, a luz é mais forte que a escuridão. Não tentem carregar o peso do mundo aos ombros. Façam como o Ben fazia com as suas descobertas: parem um instante, olhem para o alto, deixem o coração respirar. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água, uma palavra mansa, um pensamento de paz — sabendo que o amor que demos aos outros nunca se perde. O Ben está bem. Ele descansa na luz do Pai, à espera do dia em que nos voltaremos a sentar juntos à mesa que nunca mais terá fim.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.