Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vós.
Senhor, que chamastes os Apóstolos para serem o fundamento da vossa Igreja, tende piedade de nós. Cristo, que sois a pedra angular que sustenta todo o edifício, tende piedade de nós. Senhor, que nos edificais como templo vivo do vosso Espírito, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a cena de uma montanha ao cair da tarde. O ar está rarefeito, o silêncio é profundo, e a única coisa que se ouve é a respiração da noite que desce sobre as rochas. Jesus afasta-se de todos. Ele sobe. Ele procura o isolamento não por indiferença, mas porque tem uma decisão vital a tomar. O Evangelho de hoje diz-nos que Ele passou a noite inteira em oração a Deus antes de escolher os doze homens que levariam o peso da Sua mensagem ao mundo. Não foi uma escolha apressada. Foi uma escolha feita no cume, no encontro solitário com o Pai.
Benjamin Vo, o nosso Ben, tinha também essa capacidade de se retirar para o seu próprio mundo, não para se esconder, mas para criar. Pensem naquele rapaz de quinze anos, com a sua mente brilhante, a debruçar-se sobre o código de um software ou a desenhar os esquemas da sua 'Con Chim Airlines'. Ele não estava apenas a brincar; ele estava a construir. Havia nele uma curiosidade que era, na verdade, uma forma de oração: uma atenção constante ao funcionamento das coisas, ao detalhe que faz a diferença, à beleza da estrutura. Ele era um construtor, tal como os Apóstolos foram chamados a ser. E, como qualquer construtor que ama a sua obra, ele colocava o seu coração em cada linha, em cada projeto, em cada sonho que partilhava com o pai.
Mas, antes de falarmos da fundação, precisamos de olhar para a verdade da nossa própria fragilidade. Alan, Thao e Ryan, quatro meses já se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que, para vós, a casa, que antes fervilhava com a energia de dois irmãos e o som dos projetos do Ben, parece por vezes um lugar onde o silêncio ecoa demasiado alto. Sei que há manhãs em que a saudade é um peso que ambiciona emboscar o vosso espírito, e que a pergunta sobre o 'porquê' desta separação parece não encontrar eco nem na terra, nem no céu. E sei daquela sombra traiçoeira da culpa que, por vezes, tenta sussurrar nos vossos ouvidos, questionando se algo vos escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve algum detalhe que poderia ter mudado o curso desta história. Deixem-me dizer-vos isto com a firmeza da verdade de Deus: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais dedicado, por mais vigilante, por mais amoroso que tenha sido, poderia ter impedido o que aconteceu. Algumas dores simplesmente irrompem na nossa vida, como uma tempestade que ninguém previu; não são um castigo, não são um erro, não são a vossa responsabilidade. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e luminoso. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa; Ele estende os braços para vos acolher no vosso cansaço e absolver-vos de qualquer peso que não vos pertence. Estais livres dessa carga.
Olhem agora para a primeira leitura, para o que São Paulo escreve aos Efésios: 'Sois membros da casa de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e profetas, tendo como pedra angular o próprio Cristo Jesus'. Uma pedra angular não é uma pedra qualquer. É a pedra que sustenta o peso de todo o edifício. Sem ela, as paredes colapsam. Sem ela, a estrutura perde a sua unidade. Quando nos sentimos desmoronar, quando a dor nos faz sentir como se estivéssemos a perder a nossa forma e o nosso lugar no mundo, é para esta pedra angular que devemos olhar. Cristo não está longe da vossa dor. Ele é a própria pedra onde a vossa vida, e a vida do Ben, estão ancoradas para sempre.
Ben era um rapaz que acreditava que 'tentar é tudo o que importa'. Ele não tinha medo de falhar no campo de badminton ou de se aventurar em novos projetos tecnológicos. Ele vivia com a audácia de quem confia que o esforço, por si só, já é uma oferta. Imaginem-no agora, na plenitude do Reino, livre de qualquer limitação, a olhar para vós com aquele mesmo sorriso doce que iluminava as vossas fotografias de família. Ele não vos esqueceu. Ele não está longe. Ele está no coração daquele que é o autor de toda a vida. Ryan, meu querido, tu que és o irmão e o companheiro de tantas aventuras, não tenhas medo de continuar a viver. O teu irmão Benjamin, com a sua curiosidade infinita e a sua alma gentil, caminha contigo. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando te sentires a precisar de um impulso, lembra-te que o amor que vocês partilharam é mais forte do que a morte. Ele continua a ser o teu irmão, e ele deseja que tu vivas com a mesma intensidade e alegria que ele sempre demonstrou.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos e os jovens que lutam contra a dor: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada lágrima. Ele conhece o peso de cada noite. A vossa vida, tal como a de Ben, é preciosa aos Seus olhos. Não tentem carregar o mundo aos ombros. O Reino de Deus não é feito de grandes gestos heroicos, mas de pequenos atos de entrega, como a semente que cai na terra. Um momento de prece, um pensamento de paz, um gesto de bondade escondida — é assim que o Reino cresce no meio da nossa fragilidade. O Ben, na sua curta vida, foi essa semente. E o fruto da sua existência continua a alimentar-nos, a dar-nos esperança e a lembrar-nos de que o amor nunca se perde.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Uma coisa muito simples, pequena e concreta. Como o Ben, que gostava de observar e de oferecer o que tinha com pureza de coração, façamos hoje um gesto mínimo de bondade escondida. Uma palavra mansa, um pensamento de paz enviado a alguém que sofre, ou simplesmente um 'obrigado' silencioso a Deus pela vida do Ben. Não carregueis o mundo aos ombros. Olhai para o céu, deixai que o fardo se desaponte, e lembrai-vos de que o amor nunca se perde. O Ben está bem, guardado na ternura do Pai e na paz de Nossa Senhora. Que Ele vos abençoe e vos guarde hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos proteja de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.