Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que viestes para acolher os pequeninos, tende piedade de nós. Cristo, que sois a nossa força na fraqueza, tende piedade de nós. Senhor, que nos preparais um lugar na vossa casa, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de uma cena que parece insuportável de olhar: um homem, justo e íntegro, perdendo tudo o que lhe dá sentido, tudo o que ele construiu, tudo o que ele ama. Na leitura de hoje, Jó está sentado entre as cinzas. Ele rasgou o manto, cortou o cabelo, e o silêncio ao seu redor é tão pesado que podemos quase sentir o peso do ar. Ele perdeu os bens, perdeu o trabalho das suas mãos, perdeu, acima de tudo, os seus filhos. E, no entanto, a primeira coisa que ele faz não é amaldiçoar, mas prostrar-se. 'Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.' Esta não é a linguagem de um homem que não sente dor. É a linguagem de um homem que, no centro do seu abismo, reconhece que a sua vida não lhe pertence, mas pertence a Deus.
Benjamin Vo era um rapaz que sabia, com a intuição pura dos santos e das crianças, que a vida é um dom que se recebe e se entrega. Vocês lembram-se de como ele era? Ele era aquele menino que olhava para o mundo com uma curiosidade que não tinha fim. Ele não via apenas máquinas ou códigos; ele via possibilidades. Ele via a beleza na engenharia, a lógica na matemática, e a promessa de voo em cada Boeing 737 que cruzava o céu. Ben era um 'engenheiro de sonhos', alguém que queria que tudo funcionasse bem, que tudo tivesse o seu lugar. E, ainda assim, o que definia o Benjamin não era o seu intelecto brilhante, mas a doçura daquele sorriso que ele partilhava com todos. Ele era um rapaz que, aos quinze anos, carregava no peito uma maturidade que nos comove, uma alma que já sabia, intuitivamente, que o seu destino não era o pó, mas o Criador.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre a sua 'Con Chim Airlines' ou sobre o futuro, parece agora um peso imenso. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta, às vezes, sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
No Evangelho de hoje, os discípulos discutem sobre quem é o maior. Eles estão preocupados com hierarquias, com poder, com a sua própria importância. E Jesus, lendo o que estava no fundo dos seus corações, faz algo radical. Ele não lhes dá um discurso sobre a grandeza; Ele chama uma criança. Ele coloca essa criança ao seu lado. Pensem nisto: Jesus não coloca a criança no centro para que ela seja um exemplo de obediência, mas para que ela seja o espelho da presença de Deus. 'Quem recebe esta criança em meu nome, recebe-me a mim'. O Ben era essa criança. Ele era aquele que, sem pedir nada, queria dar tudo. Lembrem-se daquele momento em que ele, aos quinze anos, quis oferecer o seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar; o que importava era a oferta. Ele, que conhecia o valor do esforço, estava disposto a dar tudo o que tinha, sem reservas, sem cálculos. Ele já vivia a lógica do Reino, onde o 'sim' é um 'sim' que se traduz em entrega.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele está a interceder por vós, especialmente por ti, Ryan, e pelos vossos pais. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome, em Cà Mau, é um sinal de que o seu amor não parou em junho de 2026. Ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a ser uma fonte de graça para o mundo. Cada gesto de bondade que vocês fazem em memória dele é um eco da sua vida. Ele não é um passado que se perdeu; ele é um futuro que vos espera.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha, como diz o Salmo de hoje. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: o 'sim' do Ben foi um 'sim' definitivo a Deus. E o nosso 'sim', mesmo quando choramos, mesmo quando estamos cansados, é o que nos mantém unidos a ele. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.