Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco e nos tragam alento neste momento de comunhão.
Senhor, que sois o refúgio de todas as gerações, tende piedade de nós. Cristo, que conheceis o peso do nosso coração e as nossas lágrimas, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais à vossa luz eterna, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos apresenta um cenário de repetição, uma engrenagem que parece girar sem fim, como o vento que sopra para o sul e depois para o norte, ou os rios que correm para o mar sem nunca o encher. É a voz de Coélet, na primeira leitura de hoje, que nos confronta com a sensação de que nada é novo sob o sol. Olhamos para a nossa própria vida e, em dias de dor, tudo parece um eco de algo que já passou, uma sucessão de dias que se perdem como o orvalho da manhã. É um sentimento que conhecemos bem, especialmente quando a ausência se torna uma presença constante e o tempo parece ter perdido o seu ritmo habitual.
Benjamin, o nosso querido Ben, tinha uma mente que, ao contrário do que diz Coélet, via o mundo como um lugar de descobertas infinitas. Ele não via repetição; ele via código, via sistemas, via a engenharia fascinante que sustenta a realidade. Vocês se lembram daquele brilho nos olhos dele ao falar da 'Con Chim Airlines'? Não era apenas um jogo ou uma fantasia de criança; era a expressão de uma alma que queria voar, que queria criar, que queria conectar o mundo. Ben não era um rapaz de 'nada de novo sob o sol'. Ele era um rapaz de 'o que mais podemos descobrir?'. Ele possuía essa curiosidade que é, em si mesma, uma forma de oração, um reconhecimento de que a criação é vasta e cheia de mistérios que esperam para serem desvendados.
Mas vamos falar a verdade sobre o que significa viver sob o peso da perda. Faz três meses desde que o Ben partiu, e sei que para vocês, Alan e Thao, e para ti, Ryan, o tempo não flui como um rio que corre para o mar. Às vezes, o tempo parece estagnado. A pergunta de Herodes no Evangelho, 'Quem é este de quem ouço tais coisas?', é uma pergunta que carregamos quando tentamos processar a ausência de alguém tão brilhante e tão jovem. Herodes estava perplexo, tentando encaixar o mistério de Jesus em categorias antigas: 'Será João? Será Elias?'. Nós também, na nossa perplexidade, tentamos entender o mistério da vida do Ben. Tentamos encontrar explicações, tentamos procurar sinais, tentamos, enfim, preencher o silêncio com perguntas que, por vezes, não encontram resposta imediata.
Quero dizer-lhes algo muito importante, algo que precisa ser dito com toda a ternura e toda a firmeza da fé: o amor que vocês deram ao Ben não foi em vão. Não houve falha na vossa dedicação, nem houve erro no vosso cuidado. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer omissão. A vida humana, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além do nosso controle, da nossa ciência e da nossa vigilância. Vocês foram o porto seguro dele. Vocês foram o mundo dele, e o amor que vocês partilharam — aquele amor que se manifestava em cada gesto, em cada viagem, em cada história contada pelo pai que o Ben ouvia com tanta atenção — esse amor é eterno. Ele não se perde na 'vaidade' de que fala Coélet. Ele é guardado no coração de Deus.
Às vezes, a culpa tenta sussurrar que, se tivéssemos feito algo diferente, o desfecho seria outro. Deixem essa voz de lado. Deus não acusa os pais que amaram. Ele não acusa as famílias que se entregaram. Ele acolhe o Ben, e Ele acolhe cada um de vocês. O Ben está agora num lugar onde a pergunta de Herodes — 'Quem é este?' — já não é uma dúvida, mas uma revelação. Ele vê a face de Jesus. Ele está no lugar onde não há mais 'vaidade', onde o esforço não é mais labuta, mas descanso na presença do Criador.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter mudado de rumo, que o teu companheiro de aventuras já não está fisicamente ao teu lado. Mas olha para o teu irmão. O Ben não quer que tu vivas na sombra. Ele quer que tu vivas com a mesma curiosidade, com a mesma alegria com que ele vivia. Quando olhares para o céu e vires um avião, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a voar num espaço onde não há mais doença, nem dor, apenas a liberdade absoluta do amor de Deus. Tu és o irmão dele, e essa ligação é eterna. O Ben continua a ser o teu maior torcedor.
Lembrem-se daquele momento em que o Ben, com apenas quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar, pois o amor não se mede pelo que se entrega, mas pela disposição de entregar tudo. Esse era o coração do Ben. Ele já vivia a lógica do Reino, onde o que é oferecido de coração se torna um tesouro no Céu. O Ben continua a dar frutos. O seu amor flui, como a água daquele poço que brotou na terra seca em seu nome, para saciar os que têm sede. Ele continua a ensinar-nos que a vida não se mede pelos anos, mas pela capacidade de amar.
Ao sairdes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de compreender todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Ela, que também viu o seu Filho, sabe o que é a vossa dor. Ela está junto de vós, não com palavras vazias, mas com a presença silenciosa de quem compreende cada lágrima. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Ele é a semente que floresceu em glória, e ele espera por vós, com o seu sorriso doce, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe e nos guarde, fazendo brilhar sobre nós a Sua face e concedendo-nos a Sua paz. Ide em paz e que o amor de Deus vos acompanhe hoje e sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.