Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Reunidos na luz da fé e na comunhão dos santos, acolhemos a graça de Deus que nos chama a habitar para sempre na Sua presença.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, a imensidão silenciosa de um céu limpo visto da janela de um avião a cruzar as nuvens, lá no alto, onde a luz do sol é sempre constante e o mundo cá embaixo parece pequeno, quase irreal. Benjamin Vo, o nosso Ben, conhecia bem essa vista. Para ele, que passava horas a olhar para os céus e a desenhar os projetos da sua 'Con Chim Airlines', o alto não era apenas um destino geográfico; era o lugar para onde a sua mente brilhante e a sua curiosidade infinita pareciam apontar sem cessar. Ele olhava para o horizonte com a certeza de que havia sempre mais para descobrir, mais um segredo da tecnologia, mais um voo a planear, mais um sonho a partilhar com o pai naqueles aeroportos que se tornaram o cenário de tantas memórias partilhadas.
Na primeira leitura do Apocalipse, João contempla uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de branco e com palmas nas mãos. São os santos, aqueles que atravessaram a grande tribulação, que lavaram as suas vestes e as tornaram brancas no Sangue do Cordeiro. Não são figuras distantes de um altar de pedra, nem heróis inacessíveis de um passado longínquo. São rostos, são vidas, são filhos de Deus que completaram a travessia e encontraram, finalmente, o abraço que procuravam. Entre essa multidão sem fim, onde a luz não tem ocaso, imaginamos o Ben. Aquele rapaz de sorriso doce, que colecionava sonhos de aviação e cuja inteligência precoce espantava quem o conhecia, faz agora parte dessa assembleia celeste. Ele não é mais refém do tempo ou da doença; ele habita a claridade eterna de Deus.
Mas antes que possamos erguer os olhos inteiramente para essa luz, precisamos de parar e olhar para a terra, para o lugar onde os nossos pés ainda caminham com esforço. Alan, Thao e Ryan, já se passaram cerca de quatro meses desde aquela tarde em que o Ben partiu para a casa do Pai. Quatro meses de um silêncio que, na vossa casa, pesa como chumbo. Sei que há manhãs em que a ausência vos surpreende logo ao abrir os olhos, em que o espaço vazio na mesa ou o eco de uma lembrança repentina vos corta a respiração. A saudade, quando é profunda, é uma presença física; ela instala-se nos cantos da sala, nos objetos intocados, no ritmo de cada dia que continua a avançar sem pedir licença. E sei bem, com uma dor que partilha do vosso fardo, que nessas horas de cansaço extremo, a culpa tenta, por vezes, soprar as suas mentiras nos vossos ouvidos. Pergunta se algo vos escapou, se o cuidado poderia ter sido outro, se há algum detalhe que vos acuse. Deixem-me dizer-vos isto com a absoluta firmeza da verdade de Deus, como um pai que vos toma pelas mãos: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um único segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais extraordinário, por mais vigilante, por mais carregado de amor que tenha sido, poderia ter impedido o que aconteceu. Algumas dores simplesmente irrompem na nossa história como uma tempestade fora de hora, sem razão, sem culpa de ninguém, além do alcance de qualquer vigilância terrena. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e sem reservas. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele recolhe as vossas lágrimas e absolve-vos de qualquer peso que não vos pertença. Estais livres dessa carga. Podem respirar fundo na misericórdia de Deus.
Olhem agora para o Evangelho, para as bem-aventuranças proclamadas por Jesus no monte. 'Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados'. Notem que Jesus não diz que é bom chorar pelo sofrimento em si, mas pronuncia uma bênção sobre aqueles que carregam o pranto, porque a promessa de Deus é a consolação. Ele não nos pede para fingirmos que a dor não existe, nem exige que sejamos fortes o tempo todo. O próprio Jesus chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro. Ele conhece o nó na garganta, o aperto no peito, a revolta mansa de quem ama e perde. E é precisamente a esses que Ele chama bem-aventurados. Os limpos de coração, os mansos, os que têm fome e sede de justiça — estas não são virtudes abstratas; eram traços vivos da alma do Ben. Pensem na sua delicadeza, naquele episódio em que, com apenas quinze anos, quis entregar o seu mealheiro inteiro para ajudar o tio William que atravessava um momento de provação. Ele nem chegou a partir o mealheiro, o dinheiro não era necessário, mas o gesto permaneceu intacto na sua pureza: um rapaz que, sem que ninguém lhe pedisse, estava disposto a dar tudo o que tinha por quem amava. É esse o coração que Deus acolhe e coroa.
Na segunda leitura, São Paulo lembra-nos: 'Vede que grande amor o Pai nos dispensou, para quejamos chamados filhos de Deus. E a verdade o somos'. A nossa identidade não se esgota naquilo que perdemos. Somos filhos. O Ben é filho de Deus, guardado na plenitude do Seu amor. E vós, Alan e Thao, continuais a ser os pais de um filho que vive na eternidade, um filho que vos olha com o mesmo orgulho e carinho com que vos chamava de 'best dad' e 'funny dad' no seu último Dia do Pai.
Ryan, meu querido irmão, tu que caminhavas ao lado do Ben nas vossas viagens e nas vossas partilhas, olha bem para dentro de ti. O teu irmão não desapareceu; ele mudou de lugar, mas não de amor. Quando ouvires o som de um motor no céu, ou quando lembrares das vossas brincadeiras, lembra-te que ele continua a torcer por ti, a desejar que vivas com coragem e alegria. Não tenhas pressa de crescer para além da tua dor, mas deixa que o afeto do teu irmão seja a luz que te empurra para a frente.
Para todos vós que nos escutais, que carregais cruzes pesadas, que sois pais a chorar um filho ou crianças que enfrentam a doença longe dos olhares do mundo: Deus está convosco. A vossa vida é sagrada e nunca está esquecida. O Ben, na sua curta e luminosa passagem, deixou-nos o rasto de uma bondade que não morre.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Uma coisa muito simples e concreta. Como o Ben, que sabia olhar para o alto e oferecer o que tinha com generosidade, façamos hoje um gesto silencioso de bondade para com alguém que sofre. Uma palavra de conforto, um copo de água dado a quem tem sede, um pensamento de paz enviado ao céu. Não carregueis o mundo sozinhos. Entregai o fardo a Deus, confiando que o Ben já chegou ao destino que todos nós esperamos alcançar. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, faça resplandecer a Sua face sobre vós e vos dê a Sua paz, hoje e para sempre. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.