Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Nossa Senhora das Dores, estejam convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o peso de uma espada que atravessa o peito. Não é uma lâmina fria de metal, mas aquela dor que aperta o fôlego, que chega sem pedir licença e faz o mundo inteiro parar num único segundo. Na profecia de Simeão, dirigida a Maria, ouvimos esta imagem exata: 'E a ti mesma, uma espada transpassará a alma'. Maria está ali, de pé, junto à cruz. Ela não foge. Ela não desvia o olhar. Ela sustenta com o seu silêncio e com o seu amor a agonia do Filho.
Esta imagem da espada que atravessa o coração, do silêncio que se abate sobre a mãe que vela o que mais ama, é o fio que quero que segurem hoje. Faz aproximadamente três meses que o vosso amado Benjamin Vo completou a sua peregrinação e entrou no Banquete do Céu. E eu sei, Alan, Thao, Ryan, que nestes três meses a vossa vida tem sido marcada por essa mesma ausência que corta fundo. Sei que o silêncio que o Ben deixou não é apenas o fim de uma voz; é o eco de uma inteligência brilhante, de uma curiosidade sem limites, de um rapaz de quinze anos que olhava para os aviões e para o futuro com a mesma alegria com que ouvia as histórias do pai. Vocês caminham carregando essa espada no peito, sentindo o peso de um mundo que continua a girar enquanto o vosso próprio mundo parece ter parado.
Quero falar-vos com a verdade nua e crua sobre algo que sei que pesa nos vossos corações. Sei que, na quietude da noite, quando a falta do Benjamin se torna uma presença física insuportável, a vossa mente tenta procurar respostas onde só há um silêncio espesso. Na ânsia de encontrar um sentido para o sofrimento, a culpa, essa sombra traiçoeira, tenta sussurrar mentiras aos vossos ouvidos. Podem perguntar-se se deixaram passar algo, se poderiam ter feito mais. Deixem-me tirar esta pedra dos vossos ombros com a ternura infinita de Deus: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha, descuido ou omissão vossa. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os companheiros das suas viagens pelo mundo, os ouvintes pacientes das suas ideias e dos seus sonhos. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exatamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo fiel do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
Pensem no Ben. Pensem naquela mente extraordinária que, com apenas quinze anos, já conversava sobre tecnologia e DevOps, que sonhava com a sua 'Con Chim Airlines' e ria baixinho ao falar disso. Mas pensem sobretudo na bondade que transbordava dele. Lembrem-se daquela pureza de alma quando, ao saber do sofrimento do tio William, ele quis oferecer todo o seu mealheiro, sem hesitar, querendo entregar tudo o que tinha para ajudar quem amava. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importa é a oferta pura, o coração desprendido de um rapaz que já vivia com a generosidade dos santos. O Ben tinha a mente de um engenheiro, mas a alma de um intercessor.
E agora, olhem para a primeira leitura, onde São Paulo nos fala do Corpo de Cristo. Ele diz que o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e que se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele. Vocês fazem parte desse Corpo. A vossa dor não está isolada num canto escuro do mundo; ela é abraçada por toda a Igreja, e acima de tudo, é abraçada por Cristo e por Sua Mãe. Maria conhece a dor de perder um filho. Ela sabe o que é olhar para um jovem cujo futuro parecia ilimitado e vê-lo partir. Ela está junto de vós, não com palavras vazias, mas com a presença silenciosa de quem compreende cada lágrima que corre no vosso rosto.
Ryan, meu querido, olha para o teu irmão. O Ben continua a viver no teu coração, na tua coragem, nos dias que tens pela frente. O vosso laço não foi cortado; ele foi transfigurado pela eternidade. Quando olhares para o céu, quando ouvires o ronco de um avião a levantar voo, lembra-te de que o Ben está em paz, livre de toda a dor, a olhar por ti com um sorriso. Ele quer que continues a sonhar, que estudes, que sejas forte. Ele caminha contigo, invisível mas infinitamente real.
Ao saírem daqui hoje, não vos peço que compreendais todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, e que a Virgem das Dores interceda por vós hoje e sempre. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.