Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a paz do Senhor, que supera todo o entendimento, esteja com cada um de vós enquanto nos reunimos para honrar a memória do Benjamin e ouvir a Palavra que dá vida.
Senhor, que sois a luz que dissipa as nossas trevas, tende piedade de nós. Cristo, que sois a esperança que nunca desilude, tende piedade de nós. Senhor, que sois a paz que o mundo não pode dar, tende piedade de nós.
Meus irmãos e minhas irmãs…
Se pararmos por um momento para observar as nossas próprias mãos, talvez fiquemos surpreendidos com o que elas contam sobre nós. Há calos que falam de esforço, cicatrizes que lembram quedas, e linhas que parecem traçar o mapa da nossa história. São Paulo, na primeira leitura de hoje, faz um gesto muito humano e muito profundo: ele toma a pena e escreve com a sua própria mão. «Esta saudação é da minha própria mão, de Paulo. Este é o sinal em cada carta; é assim que eu escrevo».
Para Paulo, a escrita não era apenas uma forma de comunicar informação; era a sua assinatura, o selo da sua presença, o fruto do seu trabalho manual e espiritual. Ele faz questão de dizer que não viveu de forma desordenada, mas que trabalhou com «fadiga e cansaço, noite e dia», para não ser um peso para ninguém. Ele deixou uma marca física naquelas comunidades, não apenas com palavras, mas com o suor do seu rosto e o movimento das suas mãos.
Hoje, ao olharmos para a vida do nosso querido Benjamin Vo, a cerca de dois meses da sua partida para a Casa do Pai, esta imagem da «mão que trabalha» e da «assinatura de uma vida» ressoa com uma força extraordinária. O Ben era um rapaz cujas mãos estavam sempre ocupadas em criar, em descobrir, em construir. Imaginem este jovem de catorze anos, com os dedos a voar sobre o teclado, mergulhado no seu repositório do GitHub, codificando jogos e aplicações com uma lógica que desafiava a sua idade. Aquelas linhas de código eram a sua assinatura. Eram o seu «sinal em cada carta», a forma como ele dizia ao mundo: «Eu estou aqui, eu sou curioso, eu quero entender como o universo funciona».
Benjamin era, como muitos de vós sabem, uma «fotocópia» do seu pai, Alan. Não apenas nos traços do rosto, mas naquela ambição mansa de dominar a técnica, de compreender a infraestrutura da nuvem, de mergulhar no DevOps. Mas o que tornava o trabalho das mãos do Ben tão especial não era apenas a sua inteligência brilhante; era o espírito com que ele fazia as coisas. O seu lema — «tentar é tudo o que importa» — é a tradução perfeita do que São Paulo descreve hoje. Paulo não fala de sucesso mundano, mas de não ser desordenado, de seguir a tradição do esforço e da dedicação.
O Salmo de hoje diz: «Comerás do fruto do trabalho de tuas mãos; serás feliz e tudo te irá bem». Para o Benjamin, o fruto do seu trabalho não era apenas o código que funcionava ou o ponto marcado no campo de badminton. O verdadeiro fruto era a alegria que ele espalhava. Era o sorriso que ele dava ao falar da sua «Con Chim Airlines». Pensem na doçura deste rapaz: um génio da tecnologia que se iluminava ao imaginar uma companhia aérea chamada «Passarinho». Há uma pureza nesse trabalho, uma falta de pretensão que nos desarma e nos aproxima de Deus.
Mas, antes de falarmos da luz, temos de nomear a sombra. Estamos a dois meses do dia 13 de junho. Dois meses em que as mãos do Alan e da Thao procuram o filho e encontram o vazio. Dois meses em que o Ryan olha para o lado e não vê o seu melhor amigo. A dor deste tempo é como um trabalho pesado, uma «fadiga e cansaço» da alma que parece não ter fim. É a verdade nua de uma ausência que dói no corpo, que faz o silêncio da casa pesar como chumbo. Antes de qualquer conforto, precisamos de dizer: é difícil. É imensamente pesado carregar esta cruz.
E é aqui que o Evangelho de hoje nos interpela. Jesus fala contra a hipocrisia, contra aqueles que são como «sepulcros caiados»: bonitos por fora, mas vazios por dentro. Ele critica os que constroem monumentos aos profetas mas não vivem o espírito dos profetas. O Benjamin era o oposto absoluto dessa hipocrisia. No Ben, o exterior e o interior eram uma só peça. A sua inteligência não era um adorno; era uma expressão da sua alma gentil. Ele não construía monumentos de palavras; ele construía pontes de amor.
Lembramo-nos daquele gesto que define a sua assinatura interior: o dia em que, aos 15 anos, ele disse aos pais que estava disposto a dar todo o seu cofrinho para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o cofrinho, o dinheiro não foi usado, mas a oferta foi feita. Aquelas mãos jovens estavam prontas para entregar tudo o que tinham acumulado. Isso não é «sepulcro caiado»; isso é um templo vivo do Espírito Santo. O Benjamin não fingia ser bom; ele era bom na raiz, no centro do seu ser.
Alan, Thao… o fruto do vosso trabalho, como pais, é o Benjamin. E que fruto magnífico vocês apresentaram a Deus! São Paulo diz: «Que o próprio Senhor da paz vos dê a paz em todos os momentos e de todas as formas». Esta paz não é a ausência de saudade, mas a presença de uma certeza. A certeza de que a assinatura do Benjamin não foi apagada. Ela está escrita no Livro da Vida, escrita com a mesma mão amorosa de Deus que o criou.
Recentemente, o Alan teve um sonho que nos ajuda a entender onde o Ben está agora. No sonho, eles estavam numa fila para comprar gelado, e foi o Ben quem pagou. Que imagem poderosa! O filho que queria dar o cofrinho na terra, agora é o anfitrião no Céu. Ele está a dizer: «Pai, eu trato de tudo agora. Eu passei em todos os testes. Eu estou bem». No Reino de Deus, o Benjamin não é apenas um rapaz que partiu cedo; ele é um intercessor que «paga» pela nossa paz com as suas orações, que nos espera com aquele sorriso que nunca se apaga.
Quero falar agora a todos os que nos ouvem, especialmente às famílias que sentem que o seu mundo desabou, aos pais que cuidam de filhos com dificuldades, aos que se sentem cansados e sobrecarregados. São Paulo diz: «O Senhor esteja com todos vós». Ele não diz que o caminho será fácil, mas que não o faremos sozinhos. O Benjamin, com o seu espírito de lutador que dava tudo no campo de badminton mesmo quando o suor lhe escorria pela testa, ensina-nos que a nossa missão é continuar a «tentar». Tentar amar, tentar esperar, tentar acreditar, mesmo quando o coração está partido.
O Benjamin Đại Dương Vo — o «Grande Oceano» — agora mergulha no oceano da misericórdia divina. Mas ele deixou-nos um trabalho a fazer. Ele deixou-nos a «tradição», como diz Paulo, de sermos simples, de sermos estudiosos, de sermos profundamente respeitosos e gentis. O poço que leva o seu nome, o «Giếng Gioan Baotixita», é o sinal físico de que as mãos do Ben continuam a trabalhar. Onde havia sede, agora há água. Onde havia desespero, agora há a memória de um rapaz que amava aviões e que agora voa mais alto do que qualquer Boeing 737.
Ryan, meu querido, o teu irmão Benjamin continua a ser o teu maior fã. Ele está no «GitHub do Céu», a olhar para o código da tua vida e a torcer por cada linha que tu escreves. Sê forte por ele. Vive com a curiosidade dele. Sorri com a doçura dele.
A tarefa que vos deixo hoje é simples, mas exige o coração: façam algo com as vossas mãos que seja um reflexo da bondade do Ben. Escrevam uma mensagem de carinho, ajudem alguém em silêncio, ou simplesmente ofereçam um sorriso a quem parece ter perdido a esperança. Deixem que a vossa assinatura hoje seja uma assinatura de paz.
Benjamin, nosso doce anjo, continua a olhar por nós. Ensina-nos que «tentar é tudo o que importa» e que, no final, o que levamos para o Pai não é o que acumulámos no cofrinho, mas o que estivemos dispostos a dar por amor.
Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós.
Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor da paz vos conceda a Sua paz em todos os momentos e de todas as formas. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.