Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós nesta manhã em que recordamos a luz que nunca se apaga.
Senhor, que sois a luz que ilumina as nossas trevas, tende piedade de nós. Cristo, que sois a sabedoria que guia os nossos passos, tende piedade de nós. Senhor, que sois o esposo que esperamos na vigilância, tende piedade de nós.
Meus queridos irmãos e irmãs…
Imaginem, por um momento, a luz suave de uma pequena chama no meio de uma sala escura. Não um grande holofote que cega, mas aquela luz constante de uma lâmpada de azeite, como as que Jesus descreve no Evangelho de hoje. Para que essa chama continue a brilhar, ela precisa de algo invisível aos olhos de quem olha de longe: ela precisa de óleo. Sem o óleo, a torcida consome-se e a luz morre. O óleo não é para exibição; o óleo é o sustento silencioso da luz.
Hoje, celebramos a memória de Santo Agostinho, um homem de um intelecto tão vasto que ainda hoje, séculos depois, o mundo se curva perante a sua sabedoria. Mas Agostinho, no final da sua vida, compreendeu que toda a sua inteligência, todos os seus livros e toda a sua retórica eram apenas a lâmpada. O que realmente importava era o óleo — o amor, a caridade, a humildade de se deixar encontrar por Deus. Ele escreveu aquela frase famosa: «Tarde Te amei, Beleza tão antiga e tão nova!». Ele percebeu que a verdadeira sabedoria não está em acumular dados, mas em manter o coração aceso.
Esta imagem do «óleo no coração» é o fio de ouro que quero que seguremos hoje, ao recordarmos o nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben. Estamos a completar cerca de dois meses desde aquele dia 13 de junho. Dois meses. Para quem olha de fora, o calendário avançou, as notícias mudaram, as estações estão a passar. Mas para o Alan, para a Thao e para o Ryan, dois meses é o tempo em que o silêncio se torna mais pesado. É o tempo em que a ficha começa a cair com uma força nova e dolorosa. É a fase em que o mundo espera que vocês «sigam em frente», mas o vosso coração ainda está a tentar perceber como é que o sol continua a brilhar sem o sorriso do Benjamin.
São Paulo, na primeira leitura, diz-nos algo que parece um choque para a mente lógica: «A mensagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós... é o poder de Deus». Paulo confronta a sabedoria do mundo com a «loucura» de Deus. O mundo valoriza o sucesso, a longevidade, o poder. Mas Deus valoriza a entrega, a pureza e a prontidão.
O Benjamin, como todos sabemos, era um rapaz de uma inteligência fora do comum. Uma «fotocópia» do seu pai. Aos catorze anos, ele já navegava por águas que muitos adultos temem: IA, DevOps, infraestrutura de nuvem. Ele tinha a mente de um arquiteto de sistemas, capaz de ver a lógica onde outros só viam caos. Ele era um rapaz da tecnologia, do futuro, das linhas de código. Mas, meus irmãos, se o Ben fosse apenas um génio da informática, estaríamos aqui apenas a admirar um talento. O que nos faz chorar e, ao mesmo tempo, dar graças a Deus, é que o Benjamin tinha a lâmpada cheia de óleo.
O seu óleo era a sua doçura. Era a forma como ele respeitava os pais, não por obrigação, mas por um amor genuíno e profundo. Era a empatia que o fazia chorar aos doze anos ao pensar na possibilidade de perder o pai, revelando uma alma que sentia a profundidade dos laços humanos muito antes do que é comum. O óleo do Ben era a sua generosidade silenciosa.
Lembramo-nos daquele gesto que define quem ele era por dentro: quando o seu tio William sofreu aqueles problemas de saúde, o Benjamin, espontaneamente, ofereceu todo o seu cofrinho. Ele não precisou de partir o cofrinho, o dinheiro não foi necessário, mas a oferta foi total. O óleo da sua lâmpada era esse: «Tudo o que eu tenho é vosso». Ele não guardava nada para si. Ele vivia com a lâmpada preparada.
Jesus conta-nos a parábola das dez virgens. Cinco eram prudentes e cinco eram insensatas. A diferença não estava na beleza das lâmpadas, nem no facto de terem adormecido — pois o Evangelho diz que todas adormeceram porque o noivo tardava. A diferença estava na reserva de óleo.
O Benjamin, nos seus quinze anos, viveu mais do que muitos que chegam aos noventa, porque ele viveu com a reserva cheia. Ele viajou pelo mundo, viu o Papa, viu Lourdes, explorou cidades com o seu «quarteto perfeito» — pai, mãe e o seu melhor amigo, o irmão Ryan. Ele amava os aviões, o Boeing 737, o «airport spotting». Ele tinha essa capacidade de se maravilhar com a criação, de olhar para o céu e ver não apenas máquinas, mas a possibilidade de voar. A sua «Con Chim Airlines» era o símbolo de um coração que, embora técnico e lógico, nunca perdeu a capacidade de sorrir e de brincar.
Mas hoje, Alan e Thao, preciso de vos dizer uma verdade difícil antes de vos dar o consolo. A dor que vocês sentem, esse vazio que parece um abismo, é proporcional ao tamanho da luz que o Ben foi. Não tentem apressar o vosso luto. Não tentem ser «fortes» para o mundo. Deus conhece as vossas lágrimas. E, por vezes, no meio deste sofrimento, surge aquela pergunta terrível: «Será que falhámos? Será que podíamos ter feito mais?».
Meus queridos, ouçam bem: a doença não é um castigo e a partida prematura não é um erro de cálculo de Deus, nem uma falha no vosso cuidado. Quando perguntaram a Jesus sobre o homem que nasceu cego, se era pecado dele ou dos pais, Jesus respondeu: «Nem dele, nem dos pais». Há coisas que acontecem neste mundo ferido que estão para além do controlo humano, para além de qualquer vigilância. Vocês deram ao Benjamin o melhor óleo que um filho pode receber: o óleo de um amor incondicional, de uma família unida, de uma fé vivida. Vocês não falharam em nada. O cofrinho do Ben estava cheio de amor porque vocês o encheram primeiro.
O Benjamin «passou em todos os testes», como ele próprio disse no sonho do pai. Ele não estava a falar de testes médicos, mas do teste da vida. Ele aprendeu a amar. Ele aprendeu a ser gentil. Ele aprendeu a ser um servo fiel.
Agora, o Benjamin está no Banquete das Núpcias. A porta não se fechou para ele; ele entrou com o Noivo porque a sua lâmpada brilhava com a luz da pureza. Ele agora faz companhia a São Carlo Acutis, outro jovem que amava a tecnologia e que partiu cedo. Imaginem os dois, partilhando essa alegria eterna, intercedendo por nós, pedindo a cura para aqueles que ainda sofrem na terra.
Ryan, meu querido jovem, o teu irmão Ben continua a ser o teu guia. Ele não é uma fotografia na parede; ele é uma presença no teu coração. Quando sentires dificuldade, quando sentires que a saudade aperta, lembra-te da determinação dele no campo de badminton. Ele dizia que «tentar é tudo o que importa». Continua a tentar, Ryan. Continua a crescer, a estudar, a sorrir. Faz o teu caminho com a certeza de que o teu irmão mais velho está a preparar o lugar para ti, vigiando cada passo teu.
Para todos os que nos acompanham, especialmente as famílias que carregam cruzes semelhantes, saibam que vocês não estão sozinhos. A Igreja é esta família onde partilhamos o óleo da esperança quando a lâmpada de alguém começa a vacilar. O poço «Giếng Gioan Baotixita» em Cà Mau, que leva o nome do Ben, é o sinal de que a luz dele continua a gerar vida, a dar água a quem tem sede, a transformar a dor em caridade.
Como Santo Agostinho, que depois de tanto procurar a sabedoria no mundo a encontrou dentro de si, na presença de Deus, também nós somos convidados hoje a olhar para dentro. O que estamos a fazer com o nosso óleo? Estamos a gastá-lo em preocupações inúteis, ou estamos a guardá-lo para os gestos de amor, para a oração, para a bondade?
O Benjamin Đại Dương Vo — o «Grande Oceano» — ensinou-nos que a verdadeira sabedoria é ser simples. É oferecer o cofrinho ao tio que sofre. É sorrir para os pais. É ser o melhor amigo do irmão. É confiar que, no final da noite, o Noivo virá e nos chamará pelo nome.
Alan, Thao, Ryan… que a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guarde os vossos corações. O Ben está bem. Ele está forte. Ele respira o ar puro do Céu. E ele olha por vocês, sempre.
A tarefa que vos deixo hoje é esta: em memória do Ben, façam um pequeno gesto de bondade hoje que ninguém veja. Coloquem uma gota de óleo na vossa lâmpada através de um ato de caridade silenciosa. Deixem que a bondade do Senhor, de que a terra está cheia, brilhe através de vocês.
Benjamin, nosso doce anjo, reza por nós. Ensina-nos a manter a lâmpada acesa até ao dia do nosso encontro final, na luz que nunca se apaga.
Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.