Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre com todos vocês.
Senhor, que viestes buscar o que estava perdido, tende piedade de nós. Cristo, que destes a vida para nos salvar, tende piedade de nós. Senhor, que sois a nossa luz e a nossa esperança, tende piedade de nós.
Meus queridos irmãos e irmãs, imaginem uma estrada de terra, simples e poeirenta, sob o sol forte de um dia de verão. Ao longo dessa trilha, três figuras caminham juntas: um pai, um filho mais novo e o irmão mais velho, Benjamin. O céu é vasto, o horizonte é aberto, e há uma paz profunda naquele momento, uma daquelas cenas que a nossa memória guarda como um tesouro, onde o tempo parece suspender a respiração. É uma imagem de proteção, de presença e de unidade. O Ben está ali, ao lado do seu irmão Ryan, com aquele sorriso que não precisava de palavras para dizer que estava tudo bem, que o mundo era um lugar bom para se estar. É uma imagem de um «quarteto perfeito» que se estende para além do que os olhos podem ver.
Hoje, celebramos o martírio de São João Batista. O Evangelho relata um banquete que termina em tragédia, um momento de escuridão onde a verdade é decapitada por causa de um juramento imprudente e de um orgulho ferido. É uma leitura dura, meus amigos. Ela nos confronta com a crueza da maldade humana e com o preço que, por vezes, os justos pagam neste mundo. Mas, no centro dessa narrativa, há um detalhe que muitas vezes nos escapa: a coragem de João. João não buscava o aplauso dos cortesãos, nem a aprovação de Herodes. Ele buscava a Verdade. Ele sabia que a sua vida não lhe pertencia, que ela era um dom para ser entregue.
Estamos a cerca de dois meses da partida do nosso querido Benjamin Vo. Dois meses de um silêncio que, às vezes, é ensurdecedor. Para o Alan, para a Thao e para o Ryan, a dor não é uma teoria, não é um assunto de estudo; é a cadeira vazia, é o quarto arrumado, é a ausência de uma voz que, aos quinze anos, já trazia em si a sabedoria de quem compreende a vida com uma profundidade rara. Antes de falarmos de qualquer consolo, precisamos de olhar para esta dor de frente. Precisamos de dizer: é verdadeiramente difícil. O luto é uma travessia pelo deserto, e não há atalhos. Há dias em que a pergunta «porquê?» parece um grito preso na garganta, uma interrogação que não encontra resposta na lógica, nem na ciência, nem na matemática que o Benjamin tanto amava.
Mas olhem para o que São Paulo nos diz na primeira leitura: «Deus escolheu o que é fraco no mundo para confundir o que é forte». Paulo não está a falar de fraqueza como derrota, mas como o lugar onde a força de Deus se torna visível. O mundo diz que o sucesso é o que dura, é o que é grande, é o que faz barulho. Mas o Evangelho de hoje mostra-nos que o sucesso de João Batista não estava na sua sobrevivência, mas na sua fidelidade. E o sucesso do Benjamin, a marca que ele deixou na terra, não está na duração dos seus anos, mas na intensidade do amor que ele semeou.
O Benjamin era um rapaz de uma curiosidade infinita. Ele era o arquiteto da sua própria «Con Chim Airlines», o menino que olhava para o céu e via, não apenas máquinas, mas horizontes. Ele era o rapaz que, com apenas quinze anos, olhou para o sofrimento do tio William e, sem hesitar, ofereceu todo o seu cofrinho. Ele não precisou de partir o cofrinho, o dinheiro não foi usado, mas aquele gesto… oh, aquele gesto diz-nos tudo sobre o seu coração. Ele não estava apegado ao que tinha. Ele estava apegado a quem amava. Aquele oferecimento não foi uma criança a brincar; foi um homem a revelar a sua essência. O Ben era, no fundo, um ofertório vivo.
Alan e Thao, sei que, nestes dois meses, muitas vezes a vossa mente é assaltada por dúvidas. «Será que falhámos? Será que podíamos ter feito mais?». Deixem-me dizer-vos, com a autoridade da fé e com a ternura de Deus: vocês não falharam em nada. A doença não é um castigo, nem é o resultado de uma falta de cuidado. Quando os discípulos perguntaram a Jesus quem tinha pecado para que aquele homem nascesse cego, Ele disse: «Nem ele, nem os seus pais». Há coisas que acontecem neste mundo ferido que estão para além de qualquer controle humano. Vocês deram ao Benjamin um amor que ele levou consigo para a eternidade. Vocês foram o porto seguro dele. Não se acusem. Deixem que a paz de Deus, que está acima de toda a compreensão, descanse sobre os vossos corações. O vosso filho não foi uma perda; ele foi um dom, e esse dom continua a viver no Céu.
E tu, Ryan, meu querido. O teu irmão Ben continua a caminhar ao teu lado, mesmo que não o possas ver. Ele é a tua memória, mas é também a tua força. Quando sentires o peso da ausência, lembra-te daquele momento na trilha, com o sol a brilhar. O Ben está ali, a sorrir para ti, a encorajar-te a continuar a tentar. «Tentar é tudo o que importa», ele dizia. Continua a tentar, Ryan. Continua a ser o rapaz maravilhoso que és. O teu irmão está a preparar o lugar para ti, e a vossa união é um laço que a morte não tem poder para romper.
Às vezes, pensamos que Deus nos abandona quando a dor chega. Mas o Salmo 33 diz-nos: «Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem, para os que esperam na sua bondade». Deus não está longe da vossa dor; Ele está no centro dela. Ele está a chorar convosco. Ele está a segurar o Benjamin no Seu abraço, naquele lugar onde não há mais hospitais, nem exames, nem incertezas. Apenas a luz. Apenas a paz.
O Benjamin Đại Dương Vo — o «Grande Oceano» — ensinou-nos que a bondade é uma força que flui. O poço que leva o seu nome, o «Giếng Gioan Baotixita», é um testemunho disso. É água fresca para quem tem sede. É a vida do Ben a continuar a dar-se, gota a gota, em lugares onde a esperança era pouca. Cada vez que alguém beber daquela água, o amor do Ben estará lá. A sua vida não terminou; ela transformou-se em caridade.
Para todos os que nos ouvem, e que carregam cruzes pesadas, saibam que vocês são vistos. Deus não ignora o vosso sofrimento. Ele não é um espectador indiferente. Ele é o Pai que, como no sonho do Alan, espera na fila do gelado, pronto para nos acolher, pronto para nos dizer que «está tudo bem, eu trato de tudo agora». O Ben está bem. Ele está mais vivo do que nunca.
Hoje, ao saírem daqui, levem convosco uma pequena tarefa. Não façam nada de grande, nada de espetacular. Façam um gesto de bondade, um gesto que ninguém veja, em memória do Ben. Pode ser um sorriso, uma ajuda, uma palavra de conforto a alguém que também sofre. Deixem que o amor do Ben se torne real através das vossas mãos.
E quando olharem para o céu, para o voo de um avião ou para a beleza de um pássaro, lembrem-se de que o Benjamin está a voar mais alto, na liberdade total dos filhos de Deus. Ele está a interceder por nós, a pedir que a paz visite as vossas casas e que a esperança seja mais forte do que a saudade.
Benjamin, nosso doce anjo, obrigado por teres passado pelas nossas vidas como uma luz brilhante. Ensina-nos a ser corajosos como João Batista, gentis como tu, e profundamente confiantes na misericórdia de Deus. Fica connosco, hoje e sempre, até ao dia em que nos encontraremos no Banquete do Céu, onde o abraço será eterno e a alegria não terá fim.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.