Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que viestes para nos ensinar o caminho do amor verdadeiro, tende piedade de nós. Cristo, que nos chamais a viver em união convosco, tende piedade de nós. Senhor, que sois o nosso refúgio em todos os momentos de dor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o silêncio de uma casa onde o relógio parece bater mais alto do que deveria. Não é um silêncio de paz, mas aquele silêncio denso, que preenche cada canto, cada corredor, cada quarto. É o silêncio que se instala quando alguém que amamos profundamente sai da sala e não volta mais. Hoje, o Evangelho de Mateus nos fala de algo que parece, à primeira vista, muito distante desse silêncio: a correção fraterna. 'Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele a sós'. Mas, se olharmos para além da superfície, veremos que Jesus não está a dar uma lição de etiqueta ou de justiça fria. Ele está a falar de algo muito mais profundo: Ele está a falar de como não perder o outro, de como manter o laço, de como, mesmo quando a vida nos separa, o amor continua a ser a única lei que não pode ser quebrada.
Este é o fio que quero que segurem hoje: a ideia de que o amor é o único vínculo que a morte não consegue romper. São Paulo, na sua carta aos Romanos, diz-nos algo que é como um bálsamo para as nossas feridas: 'O amor não faz mal ao próximo; portanto, o amor é o cumprimento da lei'. O nosso querido Benjamin Vo — o vosso Ben — viveu essa lei de uma forma que, para um rapaz de quinze anos, era quase sobrenatural. Ele possuía uma mente brilhante, uma curiosidade que o levava a explorar os confins da tecnologia, a sonhar com a sua 'Con Chim Airlines', a ver o mundo através da lente da lógica e da engenharia. Mas era o seu coração, a sua doçura, o seu sorriso sempre pronto, que nos mostrava que ele compreendia algo que muitos de nós levamos uma vida inteira para aprender: que o conhecimento sem amor é apenas um conjunto de dados, mas o amor é o que dá sentido a toda a existência.
Faz dois meses que o Ben partiu para o Banquete do Céu. E eu sei, Alan, Thao, Ryan, que o vosso mundo ainda está a tentar encontrar o seu novo ritmo. Sei que a saudade é um peso que, por vezes, nos faz sentir como se estivéssemos a caminhar sozinhos no deserto. Mas o Evangelho de hoje termina com uma promessa que é a nossa âncora: 'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou Eu no meio deles'. O Ben não está longe. Ele está no meio de vós, no coração de Jesus. E quando vocês se reúnem, quando lembram o seu sorriso, quando contam as histórias que o pai lhe contava, vocês não estão apenas a olhar para trás; vocês estão a convidar o próprio Senhor a sentar-se à vossa mesa.
Quero falar-vos, com a ternura que o Senhor nos pede, sobre essa dor que, às vezes, se torna uma acusação silenciosa. Sei que, na quietude da noite, quando a falta do Ben aperta, a mente tenta procurar razões. 'O que eu poderia ter feito? Podia ter notado algo antes?'. Deixem-me dizer-vos, com a clareza da verdade de Deus: a doença não é um castigo. O sofrimento do Ben não foi uma falha vossa. Vocês foram o porto seguro, a luz, o amor que o sustentou em cada passo da sua curta e bela jornada. Deus não envia a dor para nos testar, nem a morte para nos punir. Algumas coisas, nesta vida, estão para além de qualquer controle humano, para além de qualquer vigilância. Vocês não falharam. Vocês amaram. E o amor que vocês deram ao Ben — esse amor que o fez oferecer todo o seu cofrinho para ajudar o seu tio William, sem hesitar, sem calcular — esse amor é a marca da vossa paternidade e da vossa maternidade. Não carreguem o peso da culpa; libertem-se desse fardo, pois o Ben não vos acusa. Ele olha para vós com a gratidão de um filho que sabe que foi amado até ao fim.
O Ben era um rapaz que sabia que a vida é uma aventura. Lembro-me de como ele, com o seu olhar curioso, via o mundo como um lugar cheio de possibilidades. Ele não era um rapaz que se escondia do mundo; ele era um rapaz que queria voar. E agora, ele voa na luz de Deus. Ele está, como disse o seu pai, no lugar onde não há mais hospitais, nem exames, nem a dor que ele tantas vezes sentiu. Imaginem-no, não como ele estava nos seus dias de luta, mas como ele era no seu melhor: a rir, a sonhar, a planear, a ser o irmão protetor do Ryan, a ser o filho que nunca esquecia de desejar um 'bom dia' ao pai. Ele está plenamente vivo. Ele é o Ben de sempre, mas agora sem as limitações da nossa carne mortal.
Ryan, meu querido, o teu irmão mais velho continua a ser o teu guia. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi apenas transfigurada. Quando sentires o peso da saudade, lembra-te daquele sorriso dele, daquela cumplicidade que só os irmãos conhecem. Ele quer que sejas feliz. Ele quer que continues a explorar o mundo, a aprender, a sonhar. Ele está a torcer por ti, a interceder por ti. Não estás sozinho. O teu irmão é agora um anjo que te acompanha em cada passo, e o amor que vocês partilharam é um laço que a eternidade não pode desatar.
O Senhor diz-nos hoje: 'Se o teu irmão não te ouvir, leva contigo mais um ou dois'. A Igreja é isso: é o lugar onde não caminhamos sozinhos. Não tentem carregar o peso da vossa dor isolados. Deixem que a vossa comunidade, os vossos amigos, a vossa família, vos ajudem a carregar a cruz. O Ben continua a ser a razão pela qual o amor se multiplica. O poço de água que foi construído em Cà Mau, em seu nome, o 'Giếng Gioan Baotixita', é a prova de que a sua vida continua a dar frutos. O seu nome, 'Grande Oceano', reflete a imensidão da bondade que ele deixou para trás. Cada gesto de caridade, cada ajuda aos pobres, cada sorriso que vocês oferecem em memória dele, é um sinal de que o Ben continua a agir no mundo.
Ao saírem daqui hoje, levem convosco esta certeza: o amor não morre. Ele transforma-se. A vossa casa, por mais silêncio que tenha, é um lugar sagrado, porque Deus está lá convosco. O Ben está lá convosco. Não tentem entender o mistério da morte hoje. Apenas confiem naquele que nos ama mais do que nós mesmos. Façam um pequeno gesto de amor em memória dele. Pode ser uma palavra gentil a alguém que sofre, um momento de silêncio para agradecer pela vida, ou apenas um sorriso para quem precisa. Deixem que o amor do Ben continue a fluir. Ele está bem, ele está em casa, e ele espera por vocês na luz que nunca se apaga. Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações. Caminhai com esperança, pois o Senhor é o vosso pastor e nada vos faltará.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde. Que Ele faça brilhar a Sua face sobre vós e vos dê a paz. Ide em paz e que o amor de Deus vos acompanhe sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.