Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, que conhece cada fibra do nosso ser, esteja convosco.
Senhor, que nos chamais a edificar a nossa vida sobre a rocha da vossa Palavra, tende piedade de nós. Cristo, que conheceis o fruto do nosso coração e a sinceridade do nosso amor, tende piedade de nós. Senhor, que nos acolheis no vosso banquete de misericórdia, tende piedade de nós.
Imaginem um alicerce. Não o alicerce que vemos numa casa, mas aquele que se esconde debaixo da terra, onde ninguém olha, onde só o arquiteto e o construtor sabem o que foi feito. Jesus, no Evangelho de hoje, fala-nos de dois homens que constroem. Um cava fundo, encontra a rocha, e ali assenta a sua casa. O outro, talvez por pressa, talvez por cansaço, ou talvez por acreditar que o solo superficial seria suficiente, constrói sobre a terra solta. Quando a cheia vem — e na vida de todos nós, a cheia vem, o rio transborda, a tempestade sopra — a casa sobre a rocha permanece. A casa sobre a areia colapsa.
Este é o fio que quero que segurem hoje: a profundidade do alicerce. Faz pouco mais de dois meses que o vosso amado Benjamin Vo completou a sua peregrinação e entrou no Banquete do Céu. E eu sei, Alan, Thao, Ryan, que nestes dois meses, a vossa casa, a vossa vida, foi atingida por uma cheia que ninguém poderia prever. Sei que o silêncio que o Ben deixou não é apenas uma ausência de som; é um espaço imenso onde antes havia uma mente brilhante, uma curiosidade que tocava as nuvens e uma bondade que, aos quinze anos, já tinha a maturidade de um homem que compreende que a vida é para ser dada, não guardada.
Quero falar-vos com a verdade nua e crua sobre algo que sei que pesa nos vossos corações. Sei que, na quietude da noite, quando a falta do Ben se torna uma presença física, a vossa mente tenta, por vezes, procurar respostas onde só há mistério. E, na ânsia de encontrar um sentido, a culpa, essa sombra traiçoeira, tenta sussurrar mentiras. Podem perguntar-se: 'Teremos deixado passar algo? Poderíamos ter visto mais cedo?'. Deixem-me tirar esta pedra dos vossos ombros com a ternura de Jesus: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha ou descuido vosso. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os companheiros das suas viagens, os ouvintes pacientes das suas histórias. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exatamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
O Ben era um rapaz que compreendia, talvez melhor do que muitos adultos, a importância de construir sobre algo sólido. Lembro-me de como ele se encantava com a aviação, com a mecânica dos Boeings, com a ideia de criar a sua própria 'Con Chim Airlines'. Ele não via um avião apenas como um objeto de metal; ele via a engenharia, a lógica, o esforço humano que permite que algo tão pesado suba aos céus. Ele tinha aquela curiosidade que não se contenta com a superfície. E, no entanto, a sua maior obra não foi o código que escreveu, nem os aviões que observou, mas a forma como ele amou. Pensem naquela oferta generosa do seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o mealheiro, nem de o esvaziar. Foi a oferta, o desejo de dar tudo, que revelou a alma daquele rapaz. O Ben tinha a mente de um engenheiro, mas o coração de um santo. Ele não calculava o custo do amor; ele simplesmente amava.
São Paulo, na primeira leitura, fala-nos da participação no Corpo e no Sangue de Cristo. Ele diz: 'Porque o pão é um só, nós, embora muitos, somos um só corpo'. Esta é a nossa rocha. O nosso alicerce não é a nossa força, não é a nossa inteligência, nem a nossa capacidade de prever o futuro. O nosso alicerce é o próprio Jesus. Quando a tempestade vem, quando o sofrimento nos atinge, quando a perda de um filho nos faz sentir que o chão desapareceu, é a Eucaristia, é a comunhão com o Corpo de Cristo, que nos sustenta. É ali, naquele pão partido, que encontramos a força para continuar a construir, mesmo quando tudo parece ter desmoronado.
Ryan, meu querido, o teu irmão mais velho continua a ser o teu guia. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi transfigurada. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando sentires a falta daquela cumplicidade de irmãos, lembra-te: o Ben está a torcer por ti. Ele quer que continues a tua corrida, que estudes, que sonhes, que sejas o rapaz maravilhoso que és. Ele não quer que pares. Ele caminha contigo, invisível mas real. O amor que partilharam é um laço que a eternidade não pode desatar. Tu és o irmão dele, e ele é o teu protetor. Nunca te sintas sozinho, pois o amor de Deus e o amor do teu irmão cercam-te por todos os lados.
O Ben, que tanto amava o mundo, deixou pegadas em tantos lugares, desde os grottoes de Lourdes até às ruas de Tóquio. O poço de água que foi construído em seu nome em Cà Mau — o 'Giếng Gioan Baotixita' — é o sinal de que o amor dele continua a dar vida. Cada gota de água que sacia a sede de alguém, em memória do Ben, é um gesto que Jesus abençoa. É a forma como o Ben continua a estender a mão para os outros, mesmo estando no Céu. Ele continua a ser o 'Grande Oceano' de bondade que ele sempre foi. O seu amor não ficou enterrado; ele continua a correr como um rio de água fresca para saciar a sede dos mais pequeninos deste mundo. Ele continua a dar frutos, porque o bem nunca morre.
Ao saírem daqui hoje, não vos peço que carreguem o peso de entender tudo. A cheia pode ser grande, mas a Rocha é eterna. Levem apenas uma pequena coisa para atravessar o dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém que sofre, em memória do vosso filho. Não tentem ser perfeitos. Apenas tentem ser amados. Confiai. O Ben está em casa, guardado no coração de Deus, e espera por vós na alvorada que nunca terá fim. Que a paz do Senhor sustente os vossos passos e abrace o vosso choro, hoje e em todos os dias que virão. O Senhor é o vosso pastor, e Ele não vos abandona. Ele está convosco em cada lágrima, em cada memória, em cada sonho. O Ben está em casa, e o amor que vocês lhe deram é a âncora que vos manterá firmes até ao dia do vosso reencontro. Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações. Caminhai com coragem, pois nunca estais sós. O Senhor vos ama, e o Ben vos espera na luz que nunca se apaga.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça convosco para sempre. Ide em paz e que o Senhor vos guie.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.