Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, que nos chama a sermos fiéis administradores de sua bondade, estejam convosco.
Senhor, que nos chamais a vigiar com amor, tende piedade de nós. Cristo, que nos confiais os tesouros da vossa graça, tende piedade de nós. Senhor, que vireis ao encontro daqueles que vos esperam, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a cena de um aeroporto ao cair da tarde. As luzes da pista começam a piscar, transformando o asfalto numa galáxia de pontos luminosos que guiam os viajantes para casa. Há uma expectativa silenciosa no ar, uma prontidão que não é de pressa, mas de foco. O nosso querido Benjamin Vo conhecia bem essa sensação. Ele não via um aeroporto apenas como um lugar de trânsito; para o Ben, cada terminal, cada torre de controlo e cada Boeing 737 que ele observava com tanto carinho, era um convite para entender como o mundo se conectava. Ele tinha aquela curiosidade brilhante, aquela mente que, aos quinze anos, já decifrava a lógica complexa de sistemas digitais e a engenharia dos céus, sempre com aquele sorriso pronto, aquele riso contagiante que surgia quando ele falava da sua sonhada 'Con Chim Airlines'. Ele era um rapaz que sabia observar o que os outros ignoravam, um rapaz que encontrava alegria na precisão e beleza na vastidão.
Mas, hoje, o Evangelho nos convida a olhar para algo ainda mais profundo do que as rotas de um avião. Jesus nos fala de um mestre que volta e espera encontrar os seus servos prontos. 'Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes'. A vigilância de que Cristo fala não é uma ansiedade paralisante, nem o medo de um castigo iminente. É a prontidão de quem ama. É a atitude de um coração que, como o do Ben, está sempre atento ao que é essencial. Pensem na doçura com que o Ben tratava a sua família. Lembrem-se daquele momento em que, unicamente por bondade, ele ofereceu todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento difícil de saúde. Ele não quebrou o mealheiro, ele não o esvaziou, ele não precisou de fazer um espetáculo. Ele apenas ofereceu. O gesto, na sua pureza, já estava completo. Ele vivia com as mãos abertas, pronto para o amor, pronto para o próximo. Ele era, na sua essência, um administrador fiel da graça de Deus, distribuindo o seu sorriso, a sua inteligência e a sua empatia no tempo certo e da maneira certa.
No entanto, precisamos de pousar os olhos sobre a realidade da cruz, pois é preciso dizer a verdade antes de encontrar o consolo. Alan, Thao e Ryan, quatro meses se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que o silêncio da casa, onde antes havia o som de sonhos e projetos, agora parece ecoar a ausência daquele rapaz que era a alma do vosso lar. Sei que há manhãs em que o peso da saudade é uma névoa que não se dissipa, e que o vazio da cadeira do Ben é uma presença que nos confronta a cada instante. E, no meio dessa dor, a culpa tenta, por vezes, sussurrar nas sombras da madrugada, perguntando se algo escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve alguma falha técnica ou humana no caminho. Deixem-me olhar para vós com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa e dizer: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais vigilante, por mais técnico, por mais amoroso que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e o seu coração de ouro, sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele apenas vos convida a descansar. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo, que nos acolhe no seu abraço eterno.
Na primeira leitura, São Paulo fala de um 'mistério' que lhe foi revelado: que todos somos coerdeiros, membros do mesmo corpo em Cristo Jesus. O Ben, o nosso Ben, viveu este mistério. Ele não era apenas um rapaz de lógica e números; ele era um membro vivo do corpo de Cristo. Quando ele se preocupava com o tio, quando ele abraçava o Ryan, quando ele sorria para os pais, ele estava a exercer o seu ministério de amor. Ele estava a tornar visível, através da sua doçura, a sabedoria multiforme de Deus. Paulo nos diz que, em Cristo, temos 'ousadia e confiança de acesso'. O Ben tem esse acesso agora. Ele não precisa de mapas, nem de códigos de acesso, nem de autorizações para voar. Ele está na presença do Mestre que ele tanto amou, aquele que, no Evangelho, nos promete que, ao chegar, Ele mesmo nos fará sentar à mesa e nos servirá. Imaginem o Ben, na plenitude da sua inteligência e da sua alegria, sentado à mesa do Banquete do Céu, onde a sua curiosidade é finalmente saciada pela visão da Face de Deus.
Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti. Tu és o guardião das memórias que vocês construíram na areia, nos aeroportos, nos restaurantes. Esse amor que vos uniu não foi cortado pela morte; ele foi apenas transfigurado. O Ben não foi tirado de ti; ele foi apenas colocado na presença direta daquele Mestre que nos ama a todos.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos, os jovens que lutam contra a doença: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada suspiro, cada noite mal dormida, cada interrogação sem resposta. Jesus não nos promete uma vida sem cruzes, mas promete que Ele mesmo carrega a cruz connosco. Ele não nos tira a dor de imediato, mas dá-nos a força para a atravessar, sabendo que, do outro lado, a luz é mais forte que a escuridão. Não tentem carregar o peso do mundo aos ombros. Façam como o Ben fazia com as suas descobertas: parem um instante, olhem para o alto, deixem o coração respirar. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água, uma palavra mansa, um pensamento de paz — sabendo que o amor que demos aos outros nunca se perde. O Ben está bem. Ele descansa na luz do Pai, à espera do dia em que nos voltaremos a sentar juntos à mesa que nunca mais terá fim.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o amor de Deus vos acompanhe sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.