Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, estejam convosco.
Senhor, que viestes para nos reconciliar com o Pai, tende piedade de nós. Cristo, que quebrastes o muro da inimizade, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais a estar vigilantes à espera da vossa vinda, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, a cena de uma casa no final de um dia longo. As luzes da rua começam a acender-se, o movimento do mundo lá fora abranda, e dentro das paredes de um lar, a expectativa cresce. Há uma preparação silenciosa, um cuidado minucioso em garantir que tudo esteja pronto para a chegada de alguém muito amado. O Evangelho de hoje nos coloca nesta atitude: 'Cingi os vossos rins e acendei as vossas lâmpadas'. É uma imagem de prontidão. Não é uma prontidão ansiosa, de quem teme o que vem, mas uma prontidão de quem ama e espera, de quem sabe que o encontro com o Mestre é a própria razão da nossa existência.
O nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, conhecia bem a beleza de estar pronto. Pensem na sua mente brilhante, naquele intelecto que não se contentava com a superfície das coisas. Ele não queria apenas saber o 'quê'; ele queria entender o 'como' e o 'porquê'. Quando ele mergulhava na complexidade dos sistemas de nuvem ou na arquitetura de um avião, ele não estava apenas a estudar; ele estava a preparar-se para compreender o mundo que Deus criou. Ele tinha aquele olhar de quem vê além do horizonte, como se estivesse sempre à espera de um voo que o levaria para algo maior. E, no entanto, por trás dessa inteligência, havia uma doçura que era, ela mesma, uma lâmpada acesa. Ele não brilhava para ser visto; ele brilhava porque o amor de Deus, que ele carregava no seu coração, não podia deixar de transparecer.
Mas, antes de falarmos dessa luz, precisamos de pousar os olhos sobre a realidade da cruz. É preciso dizer a verdade antes de procurar o consolo. Alan, Thao e Ryan, quatro meses se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que, para vocês, o tempo não se mede em dias, mas no peso da ausência, naquele silêncio que, por vezes, se torna quase tangível em cada canto da casa. Sei que há momentos em que a saudade é tão aguda que parece nos tirar o fôlego, e o vazio da cadeira de Ben é uma presença que nos confronta a cada refeição. E, no meio dessa dor, a culpa tenta sussurrar nas sombras da madrugada, perguntando se algo escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve alguma falha. Deixem-me olhar para vós com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa e dizer: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado, por mais vigilante, por mais técnico, por mais amoroso que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e o seu coração de ouro, sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele apenas vos convida a descansar. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo, que nos acolhe no seu abraço eterno.
Na primeira leitura, São Paulo escreve aos Efésios com uma força que nos sacode: 'Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, tornastes-vos presentes pelo sangue de Cristo'. Paulo nos lembra que a nossa verdadeira cidadania não é deste mundo. Ele nos diz que não somos mais 'estrangeiros nem imigrantes', mas 'concidadãos dos santos e membros da família de Deus'. Ben viveu isso. Ele era um cidadão do céu, mesmo enquanto caminhava pelas ruas de Pequim, Tóquio ou Roma. Ele era um membro da casa de Deus, edificado sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, com o próprio Cristo como pedra angular. Lembram-se daquele momento, tão genuíno, em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil? Ele não precisou de partir o cofrinho, ele não precisou de o esvaziar — o gesto já estava feito na intenção do seu coração generoso. Ele não estava a acumular tesouros na terra; ele estava a investir naquilo que é eterno: no amor, na compaixão, na prontidão de dar a vida pelo outro. Ele já era, no seu interior, um servo vigilante que tinha a lâmpada do amor sempre acesa.
Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti. Tu és o guardião das memórias que vocês construíram na areia, nos aeroportos, nos restaurantes. Esse amor que vos uniu não foi cortado pela morte; ele foi apenas transfigurado. O Ben não foi tirado de ti; ele foi apenas colocado na presença direta daquele Mestre que, no Evangelho de hoje, nos diz que Ele mesmo nos servirá à mesa no Reino.
Jesus nos faz uma promessa que é de uma ternura infinita: 'Ele cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e, passando de um para outro, servi-los-á'. Imaginem isto. O Senhor do universo, aquele que sustenta todas as galáxias e todas as rotas aéreas que o Ben tanto admirava, torna-se o servo dos seus servos. Ele não espera que sejamos perfeitos; Ele espera que sejamos fiéis. Ele espera que mantenhamos a nossa lâmpada acesa, mesmo quando a noite parece longa e fria. O Ben, o nosso rapaz da 'Con Chim Airlines', o rapaz que sonhava com o céu, foi reconhecido pelo seu Criador. A sua vida foi uma entrega, um 'sim' silencioso e constante ao amor. E, embora a sua partida nos deixe este vazio imenso, a sua vida continua a dar frutos. O bem que é feito no seu nome — a água que brota de um poço no Vietname, o apoio dado aos que sofrem — é a prova de que o amor de um jovem, quando entregue a Deus, não morre. Ele continua a fluir, como uma fonte que não seca.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos, os jovens que lutam contra a doença: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada suspiro, cada noite mal dormida, cada interrogação sem resposta. Jesus não nos promete uma vida sem cruzes, mas promete que Ele mesmo carrega a cruz connosco. Ele não nos tira a dor de imediato, mas dá-nos a força para a atravessar, sabendo que, do outro lado, a luz é mais forte que a escuridão. Não tentem carregar o peso do mundo aos ombros. Façam como o Ben fazia com as suas descobertas: parem um instante, olhem para o alto, deixem o coração respirar. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água, uma palavra mansa, um pensamento de paz — sabendo que o amor que demos aos outros nunca se perde. O Ben está bem. Ele descansa na luz do Pai, à espera do dia em que nos voltaremos a sentar juntos à mesa que nunca mais terá fim.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.