Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco e vos tragam o conforto que só Ele pode dar.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de um espelho que não queremos olhar. É um espelho que não nos mostra o nosso reflexo, mas as nossas próprias sombras. No Evangelho de hoje, Jesus fala sobre o cisco no olho do irmão e a trave no nosso próprio olho. É uma imagem desconcertante, quase cômica se não fosse tão dolorosa: alguém a tentar remover um pequeno grão de poeira do olho de outro, enquanto carrega, sem perceber, uma viga de madeira atravessada na própria visão. O que Jesus está a dizer-nos aqui? Ele está a pedir-nos uma honestidade radical sobre quem somos, sobre o que carregamos e sobre como vemos o mundo.
Esta imagem da viga, que nos impede de ver com clareza, é o fio que quero que segurem hoje. Faz pouco mais de dois meses que o vosso amado Benjamin Vo completou a sua peregrinação e entrou no Banquete do Céu. Sei que, nestes dias, a vossa casa — a tua, Alan, a tua, Thao, e a tua, Ryan — ainda parece ecoar com a presença daquele rapaz de mente brilhante e coração de ouro. O Ben era um explorador. Ele não apenas vivia; ele investigava a vida. Lembro-me de como ele se encantava com a aviação, com a mecânica dos Boeings, com a ideia de criar a sua própria 'Con Chim Airlines'. Ele tinha aquela curiosidade que não se contenta com a superfície. Mas hoje, a Palavra de Deus convida-nos a olhar para a nossa própria visão. Às vezes, a dor que carregamos — a viga da perda, do luto, da ausência — torna-se tão grande que nubla a nossa capacidade de ver a luz que ainda existe.
Quero falar-vos com a verdade nua e crua sobre algo que sei que pesa nos vossos corações. Sei que, na quietude da noite, quando a falta do Ben se torna uma presença física, a vossa mente tenta, por vezes, procurar respostas onde só há mistério. E, na ânsia de encontrar um sentido, a culpa, essa sombra traiçoeira, tenta sussurrar mentiras. Podem perguntar-se: 'Teremos deixado passar algo? Poderíamos ter visto mais cedo?'. Deixem-me tirar esta pedra dos vossos ombros com a ternura de Jesus: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha vossa. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os companheiros das suas viagens, os ouvintes pacientes das suas histórias. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exactamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
São Paulo, na primeira leitura, fala-nos de correr a corrida, de treinar o corpo, de não lutar como quem esmurra o ar. Ele diz: 'Correi de tal maneira que alcanceis o prémio'. O Ben era um atleta, alguém que acreditava que 'tentar é tudo o que importa'. Ele deu o seu melhor no badminton, na escola, na vida. Ele não corria sem rumo. E hoje, ele já alcançou o prémio. Ele está na meta. A sua corrida terminou em triunfo, nos braços Daquele que é o autor da vida. E nós? Nós ainda estamos na pista. Às vezes, sentimo-nos cansados, como se a nossa visão estivesse obstruída por essa viga da saudade. Mas Jesus diz-nos: 'Remove a trave do teu olho primeiro; então verás claramente'. Talvez a 'trave' a remover hoje seja a ideia de que o sofrimento é um erro ou uma injustiça que devemos resolver. A verdadeira visão — a visão da fé — é ver que, mesmo na dor, Deus não nos abandonou. Ele está no meio da vossa dor, como estava ao lado do Ben.
Ryan, meu querido, o teu irmão mais velho continua a ser o teu guia. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi transfigurada. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando sentires a falta daquela cumplicidade de irmãos, lembra-te: o Ben está a torcer por ti. Ele quer que continues a tua corrida, que estudes, que sonhes, que sejas o rapaz maravilhoso que és. Ele não quer que pares. Ele caminha contigo, invisível mas real. O amor que partilharam é um laço que a eternidade não pode desatar. Tu és o irmão dele, e ele é o teu protetor. Nunca te sintas sozinho, pois o amor de Deus e o amor do teu irmão cercam-te por todos os lados.
O Ben, que tanto amava o mundo, que deixou pegadas desde os grottoes de Lourdes até às ruas de Tóquio, ensinou-nos que a vida é um dom que se recebe para se dar. Aquele gesto generoso de querer oferecer o seu mealheiro para ajudar o tio William, mesmo sem o ter feito, revelou a grandeza da sua alma. O Ben era um rapaz que queria entregar tudo. E agora, o seu amor continua a fluir. O poço de água que foi construído em seu nome em Cà Mau — o 'Giếng Gioan Baotixita' — é o sinal de que a vida do Ben continua a dar frutos. Cada gota de água que sacia a sede de alguém, em memória do Ben, é um gesto que Jesus abençoa. É a forma como o Ben continua a estender a mão para os outros, mesmo estando no Céu. Ele continua a ser o 'Grande Oceano' de bondade que sempre foi.
Ao saírem daqui hoje, não vos peço que carreguem o peso de entender tudo. A viga da dor pode ser grande, mas a luz de Deus é maior. Levem apenas uma pequena coisa para atravessar o dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém que sofre, em memória do vosso filho. Não tentem ser perfeitos. Apenas tentem ser amados. Confiai. O Ben está em casa, guardado no coração de Deus, e espera por vós na alvorada que nunca terá fim. Que a paz do Senhor sustente os vossos passos e abrace o vosso choro, hoje e em todos os dias que virão. O Senhor é o vosso pastor, e Ele não vos abandona. Ele está convosco em cada lágrima, em cada memória, em cada sonho. O Ben está em casa, e o amor que vocês lhe deram é a âncora que vos manterá firmes até ao dia do vosso reencontro. Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações. Caminhai com coragem, pois nunca estais sós. O Senhor vos ama, e o Ben vos espera na luz que nunca se apaga.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.