Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, estejam convosco.
Senhor, que nos chamastes à liberdade dos filhos de Deus, tende piedade de nós. Cristo, que vedes o que está oculto em nossos corações, tende piedade de nós. Senhor, que nos convidais à pureza interior e à caridade, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a mesa de uma casa antiga, onde os talheres tilintam e o aroma de uma refeição preparada com esmero preenche o ambiente. Há uma expectativa no ar, um desejo de que tudo esteja perfeito, de que a etiqueta seja respeitada e as aparências mantidas. É um cenário que conhecemos bem — o desejo humano de que o 'lado de fora' da nossa vida, o que os outros veem, esteja impecável. No Evangelho de hoje, Jesus entra na casa de um fariseu. O anfitrião está atento aos rituais, à observância das lavagens, à forma como as coisas devem ser feitas. Mas Jesus, com o olhar que atravessa as paredes e as intenções, aponta para algo muito mais profundo: 'Oh, vós, fariseus! Vós limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade'.
É uma frase dura, desconcertante. Mas, se pararmos para escutar com o coração, ela é, na verdade, um convite à libertação. Jesus nos tira do peso de ter que manter uma fachada. Ele nos recorda que o Criador do exterior — do corpo, dos gestos, do que é visível — é o mesmo Criador do interior, do que é invisível, da nossa alma, dos nossos medos, da nossa dor mais escondida. Ele nos convida a parar de polir o lado de fora para, finalmente, cuidar da verdade que habita dentro.
Alan, Thao e Ryan, sei que nestes quatro meses desde que o nosso querido Benjamin partiu para a casa do Pai, a vossa casa tem conhecido um silêncio que, por vezes, parece ensurdecedor. Sei que a tentação de 'limpar o exterior' — de tentar parecer fortes, de tentar seguir a rotina como se o mundo não tivesse mudado — é um peso que vocês carregam. Há dias em que a dor é um hóspede que entra sem pedir licença. E, no meio dessa dor, a culpa às vezes tenta sussurrar mentiras, perguntando se vocês poderiam ter feito mais, se algo foi omitido, se o cuidado foi suficiente. Deixem-me dizer-vos, com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a enfermidade, e nenhum cuidado, por mais atento que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e a sua curiosidade infinita, aquele que desenhava aviões e sonhava com a 'Con Chim Airlines', sabia-se amado. Aquele amor que vocês lhe deram é a única coisa que não passa.
Na primeira leitura, São Paulo nos fala de uma liberdade que não depende das nossas obras, mas da fé que atua pelo amor. Ele nos diz: 'Pois, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor, mas a fé que atua pelo amor'. O Ben vivia essa verdade com uma simplicidade que nos desarma. Lembram-se daquele momento em que, aos quinze anos, ele quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil? Ele não precisou de partir o cofrinho, ele não precisou de o esvaziar — o gesto já estava feito na intenção do seu coração generoso. O Ben não se preocupava com o que parecia aos olhos do mundo; ele preocupava-se com o amor. Ele tinha a sabedoria de quem já entendia que o que importa não é a perfeição das nossas mãos, mas a pureza da nossa oferta.
Às vezes, a vida nos faz sentir como se estivéssemos a tentar limpar um copo que nunca fica totalmente transparente. Tentamos ser bons, tentamos ser fortes, tentamos ser os pais que o Ryan precisa e os filhos que honram a memória do Ben. E, quando falhamos, quando a tristeza nos domina, sentimos que o nosso interior está sujo. Mas Jesus, no Evangelho, nos dá uma chave que é uma promessa: 'Dai, antes, em esmola o que está dentro, e tudo será puro para vós'. Dar o que está dentro. Ou seja, oferecer a Deus a própria dor, a própria fragilidade, o próprio vazio. Quando vocês oferecem a Deus a saudade, quando vocês colocam diante d'Ele o choro da madrugada, vocês estão a dar a esmola mais pura que existe: o vosso próprio coração.
Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti.
Alan e Thao, vocês não precisam de carregar o peso do mundo às costas. A vossa fé é a vossa força, não porque vocês são fortes, mas porque o Senhor é o vosso refúgio. O Ben está em casa. Ele está no lugar onde a 'Con Chim Airlines' não precisa de pistas, porque ele está no lugar onde o amor não tem fronteiras. Ele está bem. Ele está mais vivo do que nunca. E ele intercede por vocês, pelos vossos dias, pelas vossas noites, por cada pequena luta que vocês enfrentam.
Que a vossa casa seja, a partir de hoje, um lugar onde vocês se sintam livres para ser quem são diante de Deus. Não precisam de polir o exterior. O Pai conhece o que está dentro, e Ele ama o que vê. Ele ama a vossa dor, Ele ama a vossa saudade, Ele ama o amor que vocês têm pelo Ben. E, no final, esse amor é o que vos tornará puros. O Ben deixou um rasto de luz no mundo — no poço de água que foi aberto em seu nome, na bondade que ele inspirou, no coração de todos nós que o conhecemos. Ele continua a ser o vosso filho, o vosso tesouro, aquele que vos espera, com um sorriso de quem finalmente entende tudo, na porta do Céu.
Hoje, ao saírem daqui, levem convosco este pequeno compromisso: façam um gesto de bondade, um gesto simples, em nome dele. Pode ser uma palavra gentil a alguém que sofre, ou apenas um minuto de silêncio para agradecer a Deus pela vida do Ben. E, sempre que a culpa ou a tristeza baterem à porta, lembrem-se: o lado de dentro é onde Deus mora. E, onde Deus mora, tudo é limpo, tudo é perdoado, e tudo é, finalmente, amor. O Ben está em paz, e essa paz, que excede todo o entendimento, é a mesma paz que Ele deseja para vocês hoje. Que a esperança não vos falte, que o amor vos sustente e que o sorriso do Ben, guardado na vossa memória, seja a luz que guia os vossos passos até ao dia em que, na mesa do Pai, todos nos voltaremos a sentar juntos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, que Ele faça brilhar a Sua face sobre vós e vos dê a paz. Ide em paz e que o amor de Deus permaneça sempre convosco.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.