Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, que nos envia os seus anjos para nos guardar, estejam convosco.
Senhor, que nos enviais os vossos anjos para nos guiar, tende piedade de nós. Cristo, que nos chamais a ser como crianças para entrar no Reino, tende piedade de nós. Senhor, que conheceis o nosso caminho e nos conduzis à vida eterna, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de um espelho que não pedimos para olhar. É o espelho da imensidão. Na primeira leitura de hoje, Jó está sentado no pó, tentando compreender o incompreensível. Deus fala-lhe do meio da tempestade, não para lhe dar uma explicação lógica ou um mapa detalhado da sua dor, mas para lhe mostrar que o mundo é vasto, que os limites do mar e as portas da morte estão nas mãos do Criador, e não nas nossas. Jó, que antes tentava argumentar, que tentava medir a sua dor contra a justiça, finalmente cala-se. Ele coloca a mão sobre a boca. Não é o silêncio de quem foi derrotado; é o silêncio de quem, finalmente, compreendeu que está nas mãos de um Pai que é muito maior do que o seu sofrimento.
Benjamin Vo, o nosso querido Ben, tinha essa capacidade de olhar para a vastidão sem medo. Vocês se lembram de como ele era? Aquele rapaz de quinze anos, com a mente de um engenheiro, que via o mundo não como um lugar de caos, mas como um sistema a ser compreendido, um código a ser decifrado. Ele amava a precisão das coisas: os números, a infraestrutura da nuvem, a mecânica perfeita de um Boeing 737. Ele era um rapaz que queria que tudo estivesse no seu lugar, que tudo funcionasse com a clareza de uma lógica bem construída. Mas, por trás dessa mente brilhante, havia algo ainda mais profundo: uma doçura que não vinha da lógica, mas de um coração que já pertencia ao Reino. Ele era aquele rapaz que, com uma simplicidade desarmante, olhava para os pais com um amor tão puro que, num impulso, quis oferecer o seu próprio mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar. O que importava era a oferta. Ele tinha o coração de uma criança, aquele coração que Jesus coloca no centro do Evangelho de hoje.
Jesus diz: 'Quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus'. E então, Ele acrescenta algo que é o bálsamo para as nossas almas hoje: 'Os seus anjos nos céus contemplam sem cessar a face do meu Pai'. Pensem nisto. O Ben não está longe. Ele está na presença daquela Face que ele tanto procurou. Ele não é uma memória perdida no passado; ele é um dos que, agora, na plenitude da luz, contempla o que Jó apenas podia vislumbrar através da tempestade. Ele está guardado, e ele guarda.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre a sua 'Con Chim Airlines', é uma presença constante. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta, às vezes, sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro, com quem partilhavas a vida. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, quando vires um avião a cruzar as nuvens, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele está a interceder por vós, especialmente por ti, Ryan, e pelos vossos pais. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome, em Cà Mau, é um sinal de que o seu amor não parou em junho de 2026. Ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a ser uma fonte de graça para o mundo. Cada gesto de bondade que vocês fazem em memória dele é um eco da sua vida. Ele não é um passado que se perdeu; ele é um futuro que vos espera.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: os anjos estão a subir e a descer, e o caminho entre vós e o Ben está aberto pela oração. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe e nos guarde, que Ele faça brilhar a Sua face sobre nós e nos dê a paz. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.