Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Irmãos e irmãs, reunidos na luz da Palavra de Deus, entreguemos os nossos corações Àquele que conhece todas as nossas dores e sustenta os nossos passos.
Senhor, que sois o refúgio dos que vos procuram, tende piedade de nós. Cristo, que acolheis as nossas lágrimas com infinita ternura, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais para a vossa paz eterna, tende piedade de nós.
Há uma poeira que se levanta quando o vento sopra forte sobre a terra seca, uma poeira que cobre as sandálias e entra pelos olhos, tornando difícil ver o caminho à frente. Na primeira leitura de hoje, ouvimos Jó sentado no pó, a tentar falar com um Deus que parece vasto demais, longínquo demais, silencioso demais. Jó olha para a imensidão do cosmos — para as estrelas, para as constelações, para a força indomável dos oceanos — e pergunta como é que um homem pode erguer a voz perante Aquele que move montanhas sem que elas o saibam. É a voz de quem sente o peso do mundo inclinado sobre os ombros, de quem experimenta o silêncio divino como um eco que rebate nas paredes vazias de uma casa onde antes havia vida e riso.
Sentamo-nos muitas vezes com Jó, não é verdade? Sentamo-nos nesse silêncio onde as perguntas não têm resposta imediata. Há cerca de três meses, a casa de Alan, de Thao e de Ryan mudou de som. O silêncio deixou de ser uma pausa acolhedora e tornou-se um espaço imenso, habitado pela ausência daquele rapaz que era a alegria e a mente brilhante da família. Benjamin Vo. Lembrem-se dele por um momento, não como uma lembrança longínqua, mas com a nitidez daquilo que ele era. O Ben com os seus olhos atentos, com aquela inteligência rápida que parecia absorver a lógica do mundo à sua velocidade, a desenhar projetos no seu repositório do GitHub, a criar aplicativos, a sonhar com a sua 'Con Chim Airlines' e a abrir um sorriso cheio de gigues e de vida sempre que falava sobre aviões.
Ele era um rapaz que olhava para a complexidade da engenharia com a mesma simplicidade com que amava a sua família. E por trás daquela mente brilhante, havia uma doçura desarmante. Aquele mesmo Ben que, aos quinze anos, olhou para os pais com um coração tão largo que, num impulso puro e generoso, quis entregar todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava a provação da doença. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar fisicamente; o que importava era a oferta. Um rapaz que, perante a dor do outro, queria dar tudo o que tinha, sem reter nada para si.
E, no entanto, a dor de perder alguém assim rasga o peito. Alan, Thao, Ryan... sei que há manhãs em que a ausência pesa como uma rocha impossível de mover. Sei que, nas sombras da noite, a culpa tenta, por vezes, sussurrar perguntas injustas, tentando fazer crer que algo poderia ter sido feito, que alguma vigilância falhou. Deixem-me dizer-vos isto com a absoluta clareza do amor de Deus: essa voz não vem do alto. A doença que levou o Ben não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão vossa. Há tempestades na fragilidade da vida humana que estão totalmente além do controle de qualquer abraço, de qualquer cuidado, de qualquer ciência. Vocês deram ao Ben tudo o que um pai, uma mãe e um irmão poderiam dar. Vocês foram o seu mundo, o seu refúgio, o seu amor seguro. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor ferido como a oferta mais preciosa.
No Evangelho de hoje, Jesus caminha pela estrada e depara-se com homens que querem segui-lo, mas que trazem consigo o peso das suas amarras, das suas hesitações, das despedidas que custam a desatar. A um deles, Jesus diz palavras duras, cortantes como a lâmina do vento: 'Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus'. Olhar para trás, aqui, não significa lembrar com amor — porque o próprio Jesus chora pelos que ama e guarda a memória dos seus. Olhar para trás, neste texto, é ficar paralisado pelo que se perdeu, é deixar que o peso do passado nos drene a capacidade de dar o passo seguinte na estrada.
Jesus não está a pedir que esqueçais o Ben. Isso seria impossível, e o próprio Deus não o quer. O amor que tendes por ele é eterno, gravado no livro da vida. Mas Jesus está a dizer-vos, com uma urgência cheia de misericórdia: não fiqueis presos nas cinzas, como Jó. O Ben não vos quer paralisados na dor. Ele, que amava tanto a vida, que explorava o mundo, que olhava para o horizonte com a paixão de quem quer voar alto, está agora na plenitude dessa mesma liberdade.
…
Pensem nisso. Aquele rapaz que sonhava com aviões, que desenhava o futuro com a precisão de um engenheiro, está agora na morada definitiva que Deus preparou para os mansos e para os puros de coração. Ele não se desvaneceu no nada. Ele vive. Vive na paz que excede todo o entendimento.
Ryan, meu irmão mais novo, tu que partilhaste com o Ben os sonhos, as viagens, as camisolas iguais e os lanches de verão, sei quanto o teu coração sente falta do teu companheiro de aventuras. Mas lembra-te: o Ben continua a olhar por ti. Quando vires o céu limpo, quando ouvires o zumbido de um avião a cortar as nuvens, lembra-te de que ele está na grande viagem, a aguardar o dia em que todos se voltarão a abraçar na casa do Pai.
Que possamos levar daqui hoje algo muito concreto. Não fecheis os vossos corações à esperança. Façam hoje um pequeno gesto de bondade em memória do Ben — uma palavra de conforto a alguém que chora, um sorriso dado sem razão, uma prece sussurrada no silêncio do quarto. Deixem que o amor que ele vos deu continue a fluir como água limpa num terreno seco, tal como aquele poço que brotou em seu nome na terra distante.
O Ben está bem. Ele está em paz. E o Senhor, que enxuga todas as lágrimas dos nossos olhos, caminha convosco na estrada, segurando a vossa mão, hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, faça resplandecer a Sua face sobre vós e vos dê a Sua paz, hoje e para todo o sempre. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.