Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, estejam convosco.
Senhor, que viestes curar os corações feridos, tende piedade de nós. Cristo, que nos chamais a olhar com compaixão para o próximo, tende piedade de nós. Senhor, que nos prometeis o descanso na vossa casa, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o silêncio de uma sala de estar ao entardecer, quando a luz começa a desbotar e as sombras se alongam sobre o chão. É o momento em que, muitas vezes, a mente se aquieta e o coração, sem pedir licença, começa a percorrer os caminhos da memória. Vemos a cadeira onde ele se sentava, o lugar onde os seus livros ou os seus projetos de tecnologia repousavam. Vemos a marca de uma presença que não se apagou, mas que se tornou, de certa forma, parte das paredes, do ar, da própria respiração da casa. Benjamin Vo, o nosso Ben, era um rapaz que habitava o mundo com uma curiosidade que parecia não ter fim. Ele não apenas olhava para as coisas; ele tentava compreendê-las, como se quisesse descobrir a lógica escondida por trás de cada engrenagem, de cada linha de código, de cada voo de um Boeing 737. Havia nele uma inteligência que corria à frente do seu tempo, mas era o seu coração, essa nascente de bondade, que realmente nos prendia.
Na primeira leitura de hoje, São Paulo escreve aos Filipenses com uma afeição que quase podemos sentir ao ler: 'Irmãos, dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, rezando sempre com alegria por todos vós'. Paulo não fala de uma amizade distante; ele fala de uma parceria na graça. Ele diz: 'Tenho-vos no meu coração'. É uma frase que ressoa profundamente em nós, quatro meses depois da partida do Ben. Ter alguém no coração não é apenas guardar uma lembrança; é carregar uma presença viva que nos molda. Para vós, Alan, Thao e Ryan, o Ben não é uma memória estática. Ele é alguém que continua a caminhar convosco, alguém que sustenta a vossa esperança mesmo quando o peso do dia parece insuportável. Paulo continua, com uma segurança que só a fé pode dar: 'Aquele que começou em vós uma obra tão boa, há de levá-la a termo até ao dia de Cristo Jesus'. A obra que Deus começou na vida do Ben — a sua generosidade, o seu sorriso, a sua capacidade de se maravilhar — não foi interrompida. Ela foi transfigurada. Ela continua a florescer na presença de Deus, e é essa mesma graça que vos sustenta agora.
Mas, antes de prosseguirmos, precisamos de olhar para a verdade do nosso cansaço. Sei que há manhãs em que a ausência é uma emboscada, em que o vazio parece maior do que a vossa capacidade de o preencher. E sei daquela sombra que, por vezes, tenta sussurrar nos vossos ouvidos, perguntando se algo vos escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve algum detalhe que poderia ter alterado o curso desta história. Deixem-me dizer-vos isto com a firmeza da verdade de Deus: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais técnico, por mais vigilante, por mais amoroso que tenha sido, poderia ter impedido o que aconteceu. Algumas dores simplesmente irrompem na nossa vida, como uma tempestade que não pede autorização. Não são um castigo, não são um erro, não são a vossa responsabilidade. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e luminoso. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele estende os braços para vos acolher no vosso cansaço e absolver-vos de qualquer peso que não vos pertence. Estais livres dessa carga. A vossa dedicação foi um reflexo do amor de Deus, e esse amor nunca se perde.
Olhem agora para o Evangelho. Jesus entra na casa de um fariseu num dia de sábado. Há ali um homem que sofre de hidropisia, uma condição que, na época, era vista como uma maldição ou um sinal de impureza. Jesus, porém, não olha para a lei que proíbe o trabalho no sábado; Ele olha para a necessidade daquele homem. Ele pergunta: 'É permitido curar em dia de sábado?'. O silêncio dos fariseus é o silêncio de quem tem medo da misericórdia, de quem prefere a rigidez à vida. Jesus, porém, toma o homem pela mão e cura-o. Ele não pede permissão para amar. Ele não espera pela hora certa para ser compassivo. Ele simplesmente restaura a dignidade daquele filho de Deus.
Esta cena é um espelho para as vossas vidas. Jesus não está preocupado com as 'regras' da vossa dor, com o tempo que 'deveria' levar para sarar ou com a forma como 'deveríeis' estar a sentir-vos. Ele está preocupado com o vosso coração. Ele vê o vosso sofrimento, Ele vê a vossa luta, e Ele aproxima-se. Ele não vos pede que sejais fortes antes da hora. Ele pede apenas que O deixeis tomar-vos pela mão. A pergunta que Jesus faz aos fariseus — 'Quem de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tira logo?' — revela o coração do Pai. Se um pai terreno faria tudo para salvar o seu filho, quanto mais o Pai do Céu, que conhece cada lágrima vossa e que guarda o Ben no Seu abraço eterno? O Ben está seguro. Ele não está num lugar de dor, mas num lugar de luz, onde a sua inteligência e a sua curiosidade encontram, finalmente, a face do Criador.
Ryan, meu querido, tu que és o irmão e o companheiro de tantas aventuras, não tenhas medo de continuar a viver. Tu tens em ti a mesma luz que o Ben tinha. O teu irmão não te deixou; ele apenas passou para o outro lado do véu. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando te sentires a precisar de um impulso, lembra-te que o amor que vocês partilharam é mais forte do que a morte. Ele continua a ser o teu irmão, e ele deseja que tu vivas com a mesma intensidade e alegria que ele sempre demonstrou. Não tenhas pressa de crescer para além da tua própria dor, mas permite que o amor dele seja o combustível para a tua esperança. A vida é um dom, e tu és um dom precioso para os teus pais.
Para todos vós que nos escutais, que carregam cruzes pesadas e que sentem que a noite está a demorar a passar: Deus não é indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada lágrima. Ele conhece o peso de cada noite. A vossa vida, tal como a de Ben, é preciosa aos Seus olhos. Não tentem carregar o mundo aos ombros sozinhos. O Reino de Deus não é feito de grandes gestos heroicos, mas de pequenos atos de entrega, como a semente que cai na terra. Um momento de prece, um pensamento de paz, um gesto de bondade escondida — é assim que o Reino cresce no meio da nossa fragilidade. O Ben, na sua curta vida, foi essa semente. E o fruto da sua existência continua a alimentar-nos, a dar-nos esperança e a lembrar-nos de que o amor nunca se perde. O seu desejo de ajudar, como aquele gesto puro de oferecer o seu mealheiro pelo tio William, mostra-nos que o amor, quando é sincero, não precisa de ser consumado para ser santo. O simples desejo de dar já é uma oferenda que sobe ao céu.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Uma coisa muito simples, pequena e concreta. Como o Ben, que gostava de observar e de oferecer o que tinha com pureza de coração, façamos hoje um gesto mínimo de bondade escondida. Uma palavra mansa, um pensamento de paz enviado a alguém que sofre, ou simplesmente um 'obrigado' silencioso a Deus pela vida do Ben. Não carregueis o mundo aos ombros. Olhai para o céu, deixai que o fardo se desaponte, e lembrai-vos de que o amor nunca se perde. O Ben está bem, guardado na ternura do Pai e na paz de Nossa Senhora. Que Ele vos abençoe e vos guarde hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o amor de Deus vos acompanhe sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.