Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a cena daquele Evangelho. Jesus está cercado por homens que não querem aprender, mas apenas prender. Eles vêm com uma pergunta calculada, uma armadilha feita de palavras polidas: 'É lícito pagar o imposto a César ou não?'. Eles trazem uma moeda, um objeto frio de metal, estampado com a imagem de um imperador. E Jesus, com aquela calma que só quem conhece o coração humano possui, pede que lhe mostrem a moeda. 'De quem é esta imagem e esta inscrição?', Ele pergunta. A resposta é óbvia: 'De César'. E então, Ele pronuncia a frase que ecoa pelos séculos, uma frase que divide o mundo entre o que é passageiro e o que é eterno: 'Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus'.
Esta moeda, este pequeno pedaço de metal, é a nossa imagem de hoje. Pensem nela. Ela tem um rosto, uma marca, uma identidade. César reivindica a moeda porque ela traz o seu rosto. Mas o que traz o rosto de Deus? O que carrega a inscrição do Criador? Nós. Cada um de nós. O nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, era alguém que, aos quinze anos, já compreendia que a sua vida não pertencia a este mundo, mas a Deus. Ele era um rapaz de uma curiosidade vibrante, um jovem que via o mundo através de lentes de precisão — fosse na lógica de um código, na engenharia de um Boeing 737 ou na beleza de um aeroporto ao anoitecer. Mas, por trás de toda essa inteligência, havia um coração que pertencia inteiramente ao Senhor. O Ben não era uma 'coisa' deste mundo; ele era um filho, marcado pelo selo do Espírito Santo, como nos lembra São Paulo aos Tessalonicenses.
Paulo escreve com uma ternura profunda: 'Recordamos, diante de Deus, o vosso trabalho de fé, o esforço da vossa caridade e a constância da vossa esperança'. O Ben viveu isso. Ele não era um rapaz de fazer barulho, mas de fazer o bem. Ele tinha aquela doçura que desarmava, aquela capacidade de olhar para o irmão, para o Ryan, e para os pais, Alan e Thao, com um amor que não precisava de grandes gestos para ser sentido. Lembram-se daquele momento, tão genuíno, em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil? Ele não precisou de partir o cofrinho, ele não precisou de o esvaziar — o gesto já estava feito na intenção do seu coração generoso. Ele já entendia que o que importa não é o que acumulamos nas mãos, mas a disponibilidade de nos darmos por inteiro. O Ben tinha a marca de Deus no seu coração.
Mas, antes de falarmos de esperança, precisamos falar da dor que ainda habita esta casa. É preciso dizer a verdade antes de procurar o consolo. Alan, Thao e Ryan, quatro meses se passaram desde que o Ben partiu. Sei que, para vocês, o tempo não se mede em dias, mas no peso da ausência. Sei que há manhãs em que a saudade é como uma névoa que não se dissipa, em que o silêncio da casa parece gritar. E, no meio dessa dor, a culpa tenta sussurrar nas sombras da madrugada, perguntando se algo escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve alguma falha. Deixem-me olhar para vós com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa e dizer: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais vigilante, por mais técnico, por mais amoroso que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e o seu coração de ouro, sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele apenas vos convida a descansar. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo.
O Ben está agora no lugar onde não há mais impostos a pagar, não há mais moedas de César, não há mais códigos para depurar. Ele está no 'Banquet of Heaven'. Imaginem-no lá, com aquele sorriso que iluminava o rosto, talvez a observar as rotas celestiais, a curiosidade finalmente saciada pela visão da Face de Deus. Ele não está longe. Ele está na memória viva de Deus, onde nada se perde. E Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin continua a olhar por ti. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti. Tu és o guardião das memórias que vocês construíram na areia, nos aeroportos, nos restaurantes. Esse amor que vos uniu não foi cortado pela morte; ele foi apenas transfigurado.
O profeta Isaías nos diz hoje: 'Eu sou o Senhor e não há outro; fora de mim não há Deus'. É a Deus que pertencemos. É a Ele que devemos a nossa vida. O Ben, o nosso rapaz da 'Con Chim Airlines', o rapaz que sonhava com o céu, foi reconhecido pelo seu Criador. A sua vida foi uma entrega, um 'sim' silencioso e constante ao amor. E, embora a sua partida nos deixe este vazio imenso, a sua vida continua a dar frutos. O bem que é feito no seu nome — a água que brota de um poço no Vietname, o apoio dado aos que sofrem — é a prova de que o amor de um jovem, quando entregue a Deus, não morre. Ele continua a fluir, como uma fonte que não seca.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos, os jovens que lutam contra a doença: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada suspiro, cada noite mal dormida, cada interrogação sem resposta. Jesus não nos promete uma vida sem cruzes, mas promete que Ele mesmo carrega a cruz connosco. Ele não nos tira a dor de imediato, mas dá-nos a força para a atravessar, sabendo que, do outro lado, a luz é mais forte que a escuridão. Não tentem carregar o peso do mundo aos ombros. Façam como o Ben fazia com as suas descobertas: parem um instante, olhem para o alto, deixem o coração respirar. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água, uma palavra mansa, um pensamento de paz — sabendo que o amor que demos aos outros nunca se perde. O Ben está bem. Ele descansa na luz do Pai, à espera do dia em que nos voltaremos a sentar juntos à mesa que nunca mais terá fim.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.