Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vós.
Senhor, que viestes para nos reunir como uma galinha reúne os seus pintinhos, tende piedade de nós. Cristo, que sois a nossa rocha e o nosso refúgio nas batalhas da vida, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais a revestir a armadura da vossa verdade, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o silêncio de um aeroporto ao cair da noite. As luzes da pista brilham como constelações na terra, e o som dos motores que se afastam deixa no ar uma vibração que parece tocar o próprio céu. Havia algo no olhar do Benjamin, o nosso Ben, quando ele observava os aviões, que não era apenas curiosidade técnica. Era o olhar de quem intui que a vida é uma viagem, um movimento constante em direção a algo maior. Ele, com a sua mente brilhante, capaz de desenhar sistemas e sonhar com a sua 'Con Chim Airlines', via o mundo não como um lugar estático, mas como um campo de possibilidades, um lugar onde a inteligência e o coração podiam, finalmente, encontrar-se com o Infinito.
Hoje, na primeira leitura, São Paulo usa uma linguagem que parece estranha aos nossos ouvidos modernos, mas que toca o cerne da nossa experiência humana: ele fala de uma batalha. 'A nossa luta não é contra o sangue e a carne', diz ele. É uma luta contra as forças que tentam obscurecer a luz, contra o desespero que tenta convencer-nos de que a nossa história termina no vazio. Paulo convida-nos a revestir a 'armadura de Deus'. E vejam o que compõe essa armadura: a verdade, a justiça, a prontidão para o Evangelho da paz, a fé como escudo, a salvação como elmo. Ele não nos pede para atacar o mundo, mas para 'resistir' e 'manter-se de pé'.
Manter-se de pé. Alan, Thao e Ryan, quatro meses já se passaram desde que o Ben partiu. Sei que, na quietude da casa, manter-se de pé é, por vezes, o ato mais corajoso que alguém pode realizar. Sei que há manhãs em que a ausência é como uma sombra que se estende sobre o chão da sala, lembrando-vos de cada detalhe: a cadeira que ele ocupava, o som da sua voz, a forma como ele sorria ao falar dos seus projetos. E sei que, no meio dessa saudade que às vezes nos desarma, a culpa tenta, como uma seta inflamada, encontrar frestas na vossa paz. Pergunta se algo vos escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve algum detalhe que poderia ter alterado o curso desta história. Deixem-me dizer-vos isto com a firmeza da verdade de Deus, como um pai que fala a filhos profundamente amados: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais vigilante, por mais técnico, por mais amoroso que tenha sido, poderia ter impedido o que aconteceu. Algumas dores simplesmente irrompem na nossa vida; não são um castigo, não são um erro, não são a vossa responsabilidade. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e luminoso. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele estende os braços para vos acolher no vosso cansaço e absolver-vos de qualquer peso que não vos pertence. Estais livres dessa carga.
Olhem agora para o Evangelho. Jesus está a caminho de Jerusalém, sabendo que ali o espera o sacrifício. Quando o avisam de que Herodes o quer matar, Ele não se desvia. Ele diz: 'É necessário que eu continue o meu caminho hoje, amanhã e depois'. E depois, o Seu coração transborda: 'Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne a sua ninhada debaixo das asas, mas tu não quiseste!'.
Jesus não é um comandante distante. Ele é o Pastor que deseja reunir, que deseja proteger, que deseja acolher. Ele conhece a dor de ver os Seus filhos sofrerem e a dor de não poder impedir que o mundo siga o seu curso. Ele chora por Jerusalém, como nós choramos pelos nossos que partiram cedo demais. Mas notem a imagem: a galinha que reúne os pintinhos debaixo das asas. É uma imagem de ternura extrema, de um refúgio que é, ao mesmo tempo, um lugar de calor e de proteção. O Ben, o nosso querido Benjamin, está agora sob essas asas. Ele não está mais exposto aos ventos da doença ou às incertezas da terra. Ele está no lugar onde a sua curiosidade infinita — aquela que o fazia querer entender tudo, desde o código de um software até a mecânica de um Boeing — encontra, finalmente, a sua resposta na face de Deus.
Ryan, meu querido, tu que és o irmão e o companheiro de tantas aventuras, não tenhas medo de continuar a tua própria jornada. O teu irmão Benjamin, com a sua alma gentil e aquele sorriso que iluminava as vossas fotografias de família, caminha contigo. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando sentires o peso da tua própria caminhada, lembra-te que o amor que vocês partilharam é mais forte do que a morte. Ele não foi retirado de ti; ele foi apenas transfigurado. O Ben continua a ser o teu irmão, e ele deseja que tu vivas com a mesma intensidade e alegria que ele sempre demonstrou. Não tenhas pressa de crescer para além da tua própria dor, mas permite que o amor dele seja o combustível para a tua esperança.
E para todos vós que nos escutais, que carregam cruzes pesadas e que sentem que a noite está a demorar a passar: Deus não é indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada lágrima. Ele conhece o peso de cada noite. A vossa vida, tal como a de Ben, é preciosa aos Seus olhos. Não tentem carregar o mundo aos ombros sozinhos. O Reino de Deus não é feito de grandes gestos heroicos, mas de pequenos atos de entrega, como a semente que cai na terra. Um momento de prece, um pensamento de paz, um gesto de bondade escondida — é assim que o Reino cresce no meio da nossa fragilidade. O Ben, na sua curta vida, foi essa semente. E o fruto da sua existência continua a alimentar-nos, a dar-nos esperança e a lembrar-nos de que o amor nunca se perde.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Uma coisa muito simples, pequena e concreta. Como o Ben, que gostava de observar e de oferecer o que tinha com pureza de coração — pensem naquele gesto lindo de oferecer o seu mealheiro para ajudar o tio William, um gesto que não precisou de ser consumado para ser santo — façamos hoje um gesto mínimo de bondade escondida. Uma palavra mansa, um pensamento de paz enviado a alguém que sofre, ou simplesmente um 'obrigado' silencioso a Deus pela vida do Ben. Não carregueis o mundo aos ombros. Olhai para o céu, deixai que o fardo se desaponte, e lembrai-vos de que o amor nunca se perde. O Ben está bem, guardado na ternura do Pai e na paz de Nossa Senhora. Que Ele vos abençoe e vos guarde hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos proteja de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.