Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam sempre convosco.
Senhor, que nos chamais a ouvir a vossa Palavra e a pô-la em prática, tende piedade de nós. Cristo, que conheceis o fundo dos nossos corações e a nossa sede de amor, tende piedade de nós. Senhor, que nos guiais pelo caminho da verdade e da vida eterna, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de uma porta que parece fechada. No Evangelho de hoje, vemos a Mãe de Jesus e seus parentes tentando chegar até Ele, mas a multidão é densa demais. É uma imagem tão humana, tão comum: o desejo de proximidade, o desejo de ver e ser visto, impedido por um obstáculo que parece intransponível. Imaginem a cena: o esforço, a voz que se perde no barulho daquelas muitas pessoas, a frustração de estar tão perto e, ainda assim, sentir-se de fora. Todos nós conhecemos esse sentimento. Talvez seja a porta que se fecha quando o silêncio da casa, após três meses, parece mais pesado do que o normal. Talvez seja a tentativa de encontrar uma resposta, um sentido ou apenas um alívio, e sentir que a multidão dos nossos pensamentos, das nossas preocupações e da nossa dor nos impede de tocar o Mestre.
Benjamin Vo, o nosso querido Ben, era um menino de luz. Ele tinha esse dom, essa curiosidade brilhante que o fazia olhar para o mundo não como um lugar de obstáculos, mas como um sistema de possibilidades. Ele olhava para os aviões — para aqueles Boeing 737 que ele tanto amava — e via ali a engenharia de Deus, a possibilidade de subir, de ir além, de conectar mundos. Ele nunca foi um menino de ficar do lado de fora. Ele era um menino que queria entrar, que queria entender, que queria participar. Lembro-me de como ele, com apenas catorze anos, olhava para a tecnologia, para a nuvem, para o futuro, com a mesma clareza de quem já sabia que a vida é feita de conexões profundas. Ele era o vosso 'engenheiro de sonhos'. E hoje, ao olharmos para o Evangelho, percebemos que o Ben, de certa forma, já tinha compreendido o que Jesus nos ensina: que a verdadeira família, a verdadeira proximidade, não se mede pela carne ou pelo sangue, mas pela escuta da Palavra e pela ação que dela nasce.
Mas vamos falar a verdade, porque a dor de pais como Alan e Thao, e de um irmão como o Ryan, é sagrada demais para ser tratada com frases feitas. Sei que, no silêncio desses três meses, a pergunta 'por que' insiste em bater à porta. Sei que, às vezes, a culpa — essa sombra traiçoeira — tenta sussurrar que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse um detalhe que passou despercebido. Deixem-me dizer isto, com toda a ternura de um pai espiritual: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha, descuido ou omissão vossa. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controle humano, a toda a vigilância, por mais atenta e dedicada que tenha sido. Vocês foram o porto seguro do Ben. Vocês foram o mundo dele, e ele foi o vosso. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exatamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo fiel do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
Jesus olha para a multidão e diz: 'Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática'. Ele não está a afastar a sua Mãe; Ele está a expandir a família. Ele está a dizer que, no Reino de Deus, ninguém fica do lado de fora. O Ben, com a sua doçura, com aquele sorriso que iluminava os encontros da família, com aquela vontade generosa de entregar tudo o que tinha — como quando ele ofereceu o seu mealheiro para ajudar o tio William — já vivia essa lógica. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de esvaziar a sua poupança; o que importava era a oferta. A oferta de um coração que já pertencia a Deus. Ele era um menino que sabia que o amor é a única moeda que circula no Céu. E esse amor, que ele semeou em vida, continua a dar frutos. Ele não está longe. Ele está na família de Deus, na casa do Pai, onde não há mais multidões que separam, onde não há mais portas fechadas, onde o encontro é pleno e eterno.
Ryan, meu querido, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter mudado de rumo, que o teu companheiro de aventuras, de sushi e de viagens, já não está fisicamente ao teu lado. Mas olha para o teu irmão. O Ben não quer que tu vivas na sombra. Ele quer que tu vivas com a mesma curiosidade, com a mesma alegria com que ele vivia. Quando olhares para o céu e vires um avião, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a voar num espaço onde não há mais doença, nem dor, apenas a liberdade absoluta do amor de Deus. Tu és o irmão dele, e essa ligação é eterna. O Ben continua a ser o teu maior torcedor.
Na primeira leitura, o livro dos Provérbios nos lembra: 'O coração do rei é como uma corrente de água nas mãos do Senhor'. É Deus quem dirige os nossos passos. Às vezes, o caminho que Ele nos pede para trilhar é um caminho de deserto, um caminho de luto. Mas o mesmo Senhor que dirige a corrente de água é o Senhor que nos sustenta quando a sede é grande demais. Ele não nos abandona no meio da multidão. Ele nos chama pelo nome. Ele nos convida a entrar, não pela porta da nossa inteligência, mas pela porta da nossa confiança. O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. O seu amor flui, como a água daquele poço que brotou na terra seca em seu nome, para saciar os que têm sede. Ele continua a ensinar-nos que a vida não se mede pelos anos, mas pela capacidade de amar.
Ao sairdes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de compreender todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Ela, que também esteve 'do lado de fora' tentando chegar ao seu Filho, sabe o que é a vossa dor. Ela está junto de vós, não com palavras vazias, mas com a presença silenciosa de quem compreende cada lágrima que corre no vosso rosto. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Ele é a semente que floresceu em glória, e ele espera por vós, com o seu sorriso doce, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.