Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco e vos tragam o conforto que só Ele pode dar.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de uma cena tão simples que quase não a notamos. Imaginem uma casa, um fim de tarde, o cheiro de comida no ar e o movimento frenético de alguém que quer que tudo esteja perfeito. É a cena de Marta, no Evangelho de hoje, atarefada com os muitos afazeres da hospitalidade. Ela está sobrecarregada, o coração batendo no ritmo da urgência. E, ao lado dela, há Maria, sentada aos pés de Jesus, num silêncio que parece parar o tempo. É uma imagem que conhecemos bem, não é? A tensão entre o fazer e o ser, entre o peso das responsabilidades e a sede profunda de apenas estar.
Benjamin Vo, o nosso querido Ben, conhecia profundamente essa dualidade. Ele era um rapaz de uma mente brilhante, um engenheiro em construção, alguém que amava a lógica, os números e a estrutura. Ele passava horas a arquitetar a sua 'Con Chim Airlines', sonhando com o céu e com a precisão dos voos. Ele era, à sua maneira, um trabalhador incansável da vida. Mas, por trás dessa mente que nunca parava, havia o coração de alguém que sabia, como Maria, onde estava a melhor parte. Havia uma doçura em Ben que não vinha do que ele fazia, mas de quem ele era. Ele era aquele rapaz que, ao ver o tio William sofrer, ofereceu, num gesto de pura infância, todo o seu mealheiro. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar. O que importava era a oferta. Ele tinha o coração de quem entende que, no fim, tudo o que somos e temos é um dom a ser entregue.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre a sua 'Con Chim Airlines', é uma presença constante. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta, às vezes, sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
No Evangelho, Jesus diz a Marta: 'Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas. Mas uma só coisa é necessária'. Jesus não está a repreender o serviço de Marta; Ele está a convidar-nos a não deixar que o ruído das nossas angústias abafe a voz de Deus. A 'melhor parte' que Maria escolheu é a atenção, é o olhar fixo no Senhor. O Ben, mesmo no meio da sua curiosidade pelo mundo, da sua paixão pelos aviões e pela tecnologia, tinha essa capacidade de 'sentar-se aos pés do Mestre'. Ele era um rapaz de uma fé simples e profunda. Ele via Deus na beleza da criação, na alegria de uma viagem com a família, no sorriso do irmão. Ele não deixava que as 'muitas coisas' da vida, mesmo as difíceis, o impedissem de amar.
Paulo, na primeira leitura, fala-nos de uma mudança radical. Ele diz: 'Aquele que outrora nos perseguia, agora prega a fé que antes tentava destruir'. É a história da conversão, daquele momento em que Deus nos chama e nos separa desde o ventre materno para um propósito que supera a nossa compreensão. O Ben, em apenas quinze anos, cumpriu a sua missão. Ele não precisou de décadas para deixar a sua marca. Ele deixou-a na bondade, na empatia, no desejo de ajudar, na alegria que irradiava. O seu nome, 'Đại Dương' — Grande Oceano —, reflete a vastidão do amor que ele trouxe ao mundo. E esse amor continua, como a água viva, através do poço que foi aberto em seu nome em Cà Mau. O Ben continua a dar de beber aos sedentos, continua a ser uma fonte de vida.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro, com quem partilhavas a vida. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, quando vires um avião a cruzar as nuvens, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele está a interceder por vós, especialmente por ti, Ryan, e pelos vossos pais. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
Às vezes, a vida nos faz sentir como Marta: sobrecarregados, sozinhos, a carregar o peso do mundo. Mas o Senhor está ali, ao nosso lado, a dizer o nosso nome com a mesma ternura com que chamou Marta. 'Alan... Thao... Ryan...'. Ele conhece a vossa dor. Ele sabe do vazio que o Ben deixou. Ele não vos pede que deixem de sentir, Ele pede apenas que se sentem aos Seus pés e deixem que Ele vos console. A esperança não é uma teoria; é uma Pessoa. É Jesus, que venceu a morte e que agora abraça o Ben, aquele que Ele amou primeiro.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: os anjos estão a subir e a descer, e o caminho entre vós e o Ben está aberto pela oração. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.