Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vós.
Senhor, que viestes chamar os pecadores, tende piedade de nós. Cristo, que nos convidais a seguir-Vos com um coração humilde, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais à mesa da vossa misericórdia, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, a cena daquele posto de alfândega. O sol da Galileia bate forte sobre o metal das moedas e o couro dos registros. Mateus está ali, sentado, fazendo o que o mundo esperava que ele fizesse: contando números, medindo valores, vivendo uma vida que se resumia ao que ele podia acumular ou cobrar. Ele era um homem de números, de lógica, de cálculos exatos. E, de repente, Jesus passa. Ele não olha para a mesa, não olha para o registro de impostos. Ele olha para o homem. Ele diz apenas duas palavras: 'Segue-me'. E, naquele instante, toda a lógica de Mateus muda. Ele não pergunta 'para onde?', não pergunta 'o que vou ganhar?', não tenta calcular o risco. Ele simplesmente se levanta.
Benjamin Vo também era um rapaz de números, de uma inteligência que nos deixava a todos maravilhados. Ele tinha essa mente brilhante, capaz de mergulhar nas complexidades da tecnologia, de entender a lógica dos ambientes em nuvem com a mesma facilidade com que outros meninos aprendem a andar de bicicleta. Ele era um engenheiro em espírito, alguém que via o mundo como um sistema a ser compreendido, um código a ser decifrado. Mas, como Mateus, o que definia o Ben não era o que ele sabia, mas o que ele decidiu seguir. Ele escolheu seguir o amor. Ele escolheu ser, acima de tudo, um filho de uma doçura que não se explica por algoritmos, mas apenas pela graça.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que essa travessia do Ben chegou ao seu destino final. Três meses em que a casa, que antes vibrava com a curiosidade dele, com as histórias que o pai contava e que ele ouvia com tanta atenção, parece ter ficado silenciosa demais. Sei que, quando olham para os lugares onde ele costumava estar — talvez a codificar os seus jogos, talvez a sonhar com a 'Con Chim Airlines' — o vazio parece um peso impossível de carregar. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença, e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta, como se pudéssemos encontrar uma resposta lógica num mistério que só Deus conhece.
Quero falar-vos com a verdade nua, porque a vossa dor é sagrada demais para ser coberta com palavras vazias. Sei que, no silêncio da noite, a sombra da culpa tenta sussurrar que talvez houvesse um cálculo que falhou, uma vigilância que não foi suficiente, um detalhe que passou despercebido. Deixem-me dizer isto com toda a clareza: essa voz não vem de Deus. Nem vós, nem o vosso filho carregam qualquer falha. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro vosso. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a toda a inteligência humana, a toda a tecnologia, a toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o porto seguro do Ben. Vocês foram o mundo dele, e ele foi o vosso. Deus não vos acusa. Ele não olha para o vosso cuidado e vê falhas; Ele olha e vê o reflexo do Seu próprio amor. Não vos acuseis daquilo que não podíeis controlar. Deixem esse fardo aos pés de Jesus, que também se sentou à mesa com os pecadores e os doentes, não para julgar, mas para curar.
Jesus diz no Evangelho: 'Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes'. Ele vem para os que estão quebrados, para os que estão na margem, para os que sentem que a vida não faz sentido. E o Ben, com o seu coração de ouro, entendia isso melhor do que muitos adultos. Lembrem-se daquele momento em que, com apenas quinze anos, ele quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar. O que importava era a oferta. O que importava era que ele, um rapaz que via o futuro nos aviões e nos sistemas de computação, sabia que a única coisa que realmente conta, a única coisa que realmente vale a pena, é o amor que se oferece aos outros. Esse é o 'código' do Reino de Deus: dar-se a si mesmo.
Ryan, meu querido, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter mudado de rumo, que o teu companheiro de aventuras, de sushi e de viagens, já não está fisicamente ao teu lado. Mas olha para o teu irmão. O Ben não quer que tu vivas na sombra. Ele quer que tu vivas com a mesma curiosidade, com a mesma alegria com que ele vivia. Quando olhares para o céu e vires um avião, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a voar num espaço onde não há mais doença, nem dor, apenas a liberdade absoluta do amor de Deus. Tu és o irmão dele, e essa ligação é eterna. O Ben continua a ser o teu maior torcedor.
Olhem para a primeira leitura, para o que Paulo nos diz: 'viver de modo digno da vocação que recebestes, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros com amor'. É isto que o Ben nos ensinou. Ele foi um mestre de mansidão. Ele foi o filho que sempre dizia 'bom dia' ao pai, o rapaz que respeitava cada pessoa que cruzava o seu caminho. Ele viveu a vocação de ser um filho de Deus com uma beleza que toca a todos nós. Ele não está longe. Ele está na 'Casa do Pai', a preparar o caminho, a olhar por vós com um sorriso que nunca se apaga.
Às vezes, pensamos que a nossa vida é feita de grandes feitos, de grandes realizações. Mas o Ben, tal como Mateus, ensina-nos que a santidade é um 'seguir'. É um levantar-se e ir. Mesmo quando o caminho é difícil, mesmo quando o coração está ferido. O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. O seu amor flui, como a água daquele poço que brotou na terra seca em seu nome, para saciar os que têm sede. Ele continua a ensinar-nos que a vida não se mede pelos anos, mas pela capacidade de amar. Ele é a prova de que Deus acolhe cada um de nós, exatamente como somos, com as nossas dores e as nossas esperanças.
Ao sairdes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de compreender todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Ela, que viu o seu Filho ser semeado na terra, sabe o que é a vossa dor. Ela está junto de vós, não com palavras vazias, mas com a presença silenciosa de quem compreende cada lágrima que corre no vosso rosto. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Ele é a semente que floresceu em glória, e ele espera por vós, com o seu sorriso doce, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.