Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, que conhece o tempo de cada lágrima e de cada alegria, estejam convosco.
Senhor, que sois a nossa rocha e o nosso refúgio, tende piedade de nós. Cristo, que conheceis o peso do nosso coração, tende piedade de nós. Senhor, que nos prometestes a vida que não tem fim, tende piedade de nós.
Há uma cadência na vida que muitas vezes nos escapa enquanto estamos ocupados demais tentando segurá-la. O autor do Eclesiastes, na leitura de hoje, nos oferece um poema sobre o tempo: 'Há um tempo para cada coisa debaixo do céu'. Ele nos fala de tempos que parecem opostos: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de abraçar e tempo de se afastar. É uma lista que, à primeira vista, pode parecer fria, quase mecânica. Mas, se pararmos para olhar para dentro dela, veremos que ela descreve exatamente o tecido da nossa existência. O texto diz algo profundo: Deus 'colocou a eternidade no coração do homem'. E é justamente aí, nesse espaço entre o tempo que passa tão rápido e a eternidade que Deus plantou em nós, que a nossa dor e a nossa esperança se encontram.
Vocês conhecem bem esse 'tempo de chorar'. Faz três meses que o Benjamin atravessou o limiar para a eternidade, e sei que, para vocês, Alan, Thao e Ryan, esse tempo parece ter parado em alguns momentos e, em outros, corrido como um rio em cheia. Benjamin Vo era um rapaz que compreendia o tempo de uma forma muito própria. Ele não via o tempo apenas como horas no relógio, mas como uma oportunidade de exploração, de descoberta, de conexão. Pensem na curiosidade dele, naquele brilho nos olhos quando falava da sua 'Con Chim Airlines'. Ele não estava apenas brincando de avião; ele estava tentando alcançar o céu, tentando entender como as coisas se elevam, como se conecta um ponto a outro. Ele era um menino que queria que tudo funcionasse bem, que tudo tivesse o seu lugar, que o mundo fosse um lugar de ordem e de beleza.
Mas a vida nos traz momentos que não se encaixam em nenhuma engenharia humana. Quando o 'tempo de morrer' chega cedo demais, quando a doença se instala num corpo tão jovem e vibrante, a nossa lógica de 'engenheiro', a nossa capacidade de prever e de controlar, colapsa. E é aqui que precisamos ser muito honestos uns com os outros. Sei que, no silêncio da noite, quando a casa fica quieta demais, a sombra da dúvida e da culpa tenta se aproximar. Existe uma voz, uma voz insidiosa, que sussurra: 'Será que eu poderia ter feito mais? Será que algo me escapou?'. Quero que saibam, com a autoridade de quem fala em nome do amor de Deus, que essa voz não vem da Verdade. Deus não envia a doença, nem pune aqueles que Ele ama. A fragilidade da vida, essa parte do mistério que Coélet diz que o homem nunca descobrirá 'do princípio ao fim', não é culpa vossa. Vocês foram o mundo do Ben, o seu porto, o seu amor, a sua segurança. Ele foi o filho que sempre se lembrava de dizer 'Bom dia, pai', o rapaz que, com uma maturidade que nos comove, ofereceu o seu próprio mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou abrir o mealheiro, ele não precisou quebrá-lo; o que importava era a oferta, o que importava era o coração que já era todo de Deus.
No Evangelho, Jesus faz uma pergunta que corta o ruído das nossas perguntas: 'Quem dizeis que eu sou?'. É uma pergunta que Ele faz a Pedro, mas é uma pergunta que Ele faz a cada um de nós, especialmente quando estamos de luto. Jesus não nos oferece uma explicação teórica para o sofrimento. Ele nos oferece a Si mesmo. Ele diz: 'O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado... e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia'. Jesus entra no nosso tempo de dor. Ele não fica de fora, observando. Ele caminha pelo tempo de chorar, pelo tempo de morrer, para que possamos caminhar com Ele pelo tempo de rir e pelo tempo de dançar, que é a promessa da Ressurreição.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem partilhavas o sonho de voar e de construir o futuro. Mas o teu irmão não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, nas igrejas que visitou, na beleza do mundo. Quando olhares para o céu, quando vires um avião a cruzar as nuvens, não penses que ele está longe. Pensa que ele está a viver a plenitude do tempo, onde não há mais doença, não há mais 'testes' que não passam, não há mais a luta pela respiração. Como o pai sonhou, ele está forte, ele está bem, ele está em casa. Aquele sonho do pai, de estarem na fila do gelado, é um lembrete de que o amor não conhece distâncias. O Ben está presente na vossa vida de uma forma que o tempo não pode apagar.
Alan e Thao, a vossa dor é sagrada. Não tenham pressa de a curar, não tenham pressa de a esconder. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha, como diz o Salmo de hoje. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a interceder por vós. Ele, que sempre foi um rapaz de cuidar, de ser gentil, de ser o 'melhor filho', continua a cuidar de vós do Céu. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome, em Cà Mau, é um sinal de que a vida do Ben continua a dar frutos. O seu amor não parou em junho de 2026; ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O Ben é, agora, uma fonte de graça.
Não se culpem. Nunca. O amor que vocês deram ao Benjamin é um amor que Deus reconhece como Seu. A vossa dedicação, o vosso cuidado, a vossa presença em cada passo da jornada dele — desde as viagens pelo mundo até aos momentos simples no quarto — tudo isso foi um ato de adoração, um ato de amor que não se perde. Deus não acusa pais que amam. Ele consola-os. Ele abraça-os através da Sua Mãe, Maria, que também viu o Seu Filho ser levado pela morte. Ela conhece a vossa dor, ela guarda as vossas lágrimas.
Ao sairdes daqui hoje, levem convosco esta certeza: o tempo de Deus é um tempo de misericórdia. O vosso filho não é um passado que se perdeu, ele é um futuro que vos espera. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. Façam algo pequeno hoje, um gesto de bondade, uma palavra gentil, um momento de silêncio, em memória dele. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Ele é o vosso Rochedo. Ele é a vossa esperança. Ele é o vosso tudo.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e vos acompanhe sempre, dando-vos a paz que o mundo não pode dar. Ide em paz e que o Senhor vos guie.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.