Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, a cena de uma partida num aeroporto. Aquele momento em que o avião se alinha na pista, as turbinas ganham força, e o que era apenas uma promessa de voo torna-se uma realidade que corta os céus. O Ben, o nosso querido Benjamin Vo, conhecia melhor do que ninguém essa antecipação. Ele via nos Boeing 737 não apenas máquinas de metal, mas a própria poesia da engenharia, a prova de que o ser humano, com a inteligência que Deus lhe deu, pode tocar o horizonte. Ele sonhava com a 'Con Chim Airlines', e garanto-vos que, quando ele falava disso, com aquele sorriso que iluminava o rosto, ele não estava apenas a brincar; ele estava a projetar o futuro. Ele estava a dizer-nos que a vida é feita para voar, para subir, para alcançar lugares que a nossa vista cansada ainda não consegue ver.
Mas hoje, a Palavra de Deus traz-nos de volta ao chão, a um chão que parece duro e frio. São Paulo, na primeira leitura, confronta-nos com uma pergunta que, no silêncio dos últimos três meses, talvez tenha ecoado nos vossos corações, Thao e Alan: 'Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã'. Paulo não tem medo de colocar o dedo na ferida. Ele sabe que, se a morte é a última palavra, então o nosso amor, as nossas esperanças, os projetos do Ben, as viagens que fizeram em família, o mealheiro que ele quis oferecer ao tio, tudo isso não passa de poeira ao vento. Ele sabe que, sem a ressurreição, a dor de um pai e de uma mãe é apenas um grito num deserto sem fim. Mas Paulo grita a verdade: 'Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram'.
Quero falar-vos com a verdade nua sobre esse 'adormecer'. Sei que, quando a noite cai e o silêncio da casa se torna uma presença quase sólida, a vossa mente, Thao e Alan, é assaltada por pensamentos que não vos deixam descansar. A culpa, essa sombra que se alimenta do vosso amor, tenta dizer-vos que algo poderia ter sido diferente, que talvez houvesse um sinal que não viram, uma decisão que não tomaram. Deixem-me dizer-vos isto, com a autoridade de quem serve o Altar: não existe culpa. O vosso amor pelo Benjamin foi um amor total, um amor de entrega, um amor que atravessou o mundo convosco. A doença que o levou não foi um castigo, nem uma falha de vigilância. Há tormentas na vida que não dependem de nós, que escapam a qualquer radar, por mais sofisticado que seja. Vocês foram o porto seguro dele. Vocês foram os ouvintes das suas histórias, os cúmplices da sua curiosidade. Deus não vos acusa; Ele chora convosco. E se o Senhor não vos acusa, por que haveis de vos acusar a vós mesmos? Deixem cair esse peso. O Ben não vos quer ver prisioneiros de um passado que não podem mudar; ele quer ver-vos a viver a vida que ele tanto amava.
Olhem para o Evangelho. Jesus caminha de cidade em cidade, acompanhado pelos Doze e por mulheres que, como Maria Madalena, Joanna e Susana, O serviam com os seus bens. Jesus não caminha sozinho. Ele faz-se rodear de uma comunidade, de pessoas que O amam e que O sustentam. Vocês também não estão sozinhos. O Ryan, o vosso filho, é o sinal vivo de que a vida continua, de que o amor do Ben ainda habita entre vós. Lembrem-se daquele momento em que o Ben, com sete anos, caminhava de braço dado com o Ryan, a rir-se com aquela gargalhada cheia, sem preocupações, apenas a alegria de serem irmãos. Essa alegria não morreu. Ela está guardada em Deus. E o Ryan precisa de ver que, embora a dor seja real, a esperança é mais forte. Ele precisa de ver que a vossa fé, mesmo quando é uma fé que chora, é uma fé que acredita na Ressurreição.
O Ben tinha uma mente brilhante, capaz de dominar ambientes complexos, a mesma mente que o pai cultivou e admirou. Mas o que o definia, acima de toda a sua inteligência, era a sua bondade. Lembrem-se de que ele não precisou de partir o mealheiro para ser generoso; bastou a oferta. Ele ofereceu tudo o que tinha ao tio William, num gesto que mostrava que, para o Ben, o valor das coisas não estava no metal, mas no amor que elas podiam servir. Ele era um rapaz que já vivia o Evangelho, mesmo sem saber. Ele dava o que tinha, não porque era rico, mas porque o seu coração era vasto.
Hoje, ao olhardes para a cruz, não vejais apenas um instrumento de morte. Vede o lugar onde a morte foi vencida. Paulo diz que Cristo é as 'primícias'. O que são as primícias? São o primeiro fruto da colheita, o sinal de que toda a colheita virá a seguir. O Ben é parte dessa colheita. Ele já está na casa do Pai, ele já está no banquete, ele já conhece a face de Deus. Ele não é uma memória que se desvanece; ele é uma presença que nos precede. Ele está a preparar o caminho. E quando sentirem aquele aperto no peito, aquela saudade que parece querer sufocar, lembrem-se das palavras de Jesus: 'Eu sou a ressurreição e a vida'.
Thao, Alan, Ryan, o Ben não vos deixou. Ele está a olhar por vós de uma forma que não podemos ver, mas que podemos sentir no silêncio da oração. Ele está a torcer por cada passo que dão. Ele quer que o Ryan estude, que sonhe, que jogue, que viva com a mesma curiosidade que ele tinha. Ele quer que vocês, pais, encontrem momentos de paz, que não se sintam obrigados a carregar o mundo às costas. A vossa dor é o preço de um amor imenso, e esse amor é o que vos liga ao Céu.
Não saiam daqui hoje à procura de respostas complexas. A ressurreição não é uma teoria, é uma Pessoa. É Jesus que vos abraça agora. Levem convosco esta certeza: o Ben está bem. Ele está com o Senhor. Ele está na luz. E um dia, quando o vosso próprio voo terminar, ele estará lá, na porta do Céu, com aquele sorriso doce e aquele olhar curioso, pronto para vos mostrar o caminho. Até lá, vivam. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.