Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, estejam convosco.
Senhor, que viestes salvar os corações quebrantados, tende piedade de nós. Cristo, que sois o Emmanuel, Deus convosco nas nossas dores, tende piedade de nós. Senhor, que nos dais a esperança na vida eterna, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, o silêncio daquela madrugada em Nazaré, ou a expectativa humilde de Belém, de onde o profeta Miqueias nos diz que viria Aquele que é a paz. Não há grandes estrondos nas origens daquilo que Deus faz; há apenas a disponibilidade silenciosa de uma jovem, o coração recto de um carpinteiro, e o milagre discreto de uma vida que começa. O Evangelho de Mateus abre-se com uma longa lista de nomes — gerações e gerações, reis e exilados, homens quebrantados e santos — todos encadeados uns nos outros até chegar a Maria, até chegar a Jesus, o Cristo. É uma árvore genealógica feita de carne e sangue, de história real, onde nenhuma cicatriz foi apagada e nenhum desvio foi escondido.
Esta imagem da genealogia, de nomes que se ligam numa corrente contínua de mãos dadas através do tempo, é o fio que quero que segurem hoje. A vida não é um acidente isolado; ela é tecida num tear imenso que pertence a Deus. E hoje, ao celebrarmos a Natividade da Virgem Maria, a aurora que precede o Sol da Justiça, encontramo-nos profundamente interligados nessa mesma história de amor. Há dois meses, o nosso querido Benjamin Vo completou a sua peregrinação terrestre e entrou no Banquete do Céu. E eu sei, Alan, Thao, Ryan, que para vós a árvore da vossa família parece agora ter um ramo que se estende para o invisível, um silêncio onde antes havia a vivacidade de uma mente brilhante e de um coração luminoso.
Quero falar-vos com a verdade nua e crua, sem subterfúgios. A dor de perder um filho, um irmão, não se dissolve com palavras doces ou com explicações fáceis. Ela é um peso que esmagaria qualquer um se estivéssemos sozinhos. Sei que, na quietude da noite, a mente humana, na sua ânsia de encontrar sentido para o inexplicável, tenta por vezes procurar culpados onde só há mistério. Deixem-me tirar essa pedra dos vossos ombros com a clareza e a ternura do Evangelho: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que levou o Ben não veio de Deus, nem foi o resultado de qualquer falha ou descuido vosso. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os parceiros das suas viagens, os ouvintes pacientes das suas histórias e dos seus sonhos com a 'Con Chim Airlines'. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exactamente como sois.
Pensem no Ben. Pensem naquela mente extraordinária que, com apenas quinze anos, já conversava sobre a arquitectura da tecnologia e da nuvem com a mesma naturalidade com que o pai dominava os seus sistemas. Pensem na sua curiosidade insaciável, naqueles momentos em voos e viagens pelo mundo, ou na doçura com que ele olhava para os outros. Lembrem-se daquele impulso belo e puro, quando ele quis oferecer todo o seu cofrinho para ajudar o tio William que atravessava o sofrimento de dois AVCs. Ele não precisou de partir o mealheiro, e o dinheiro nem sequer era necessário, mas o gesto... o gesto de um rapaz que queria entregar tudo o que tinha para aliviar a dor de quem amava, revela a grandeza de alma que Deus plantou nele. O Ben era assim: um rapaz cuja generosidade não cabia no peito, um reflexo vivo do amor que não calcula, mas se dá.
A genealogia de Jesus no Evangelho mostra-nos que Deus escreve direito com linhas tortas, que Ele pega em histórias humanas cheias de rupturas e exílios para fazer nascer a luz. E o Ben faz parte dessa história eterna. A sua vida não foi interrompida; ela foi consumada na graça. Quando o pai, Alan, sonhou com o Ben a correr saudável, vestido com o seu calção verde, a dizer com aquela sinceridade com que o Ben falava: 'Ba ơi, test nào con cũng qua hết. Con tự thở được bình thường mà...', isso não foi apenas um sonho da mente cansada pela saudade; foi um eco da realidade celestial. O Ben está bem. Ele respira a liberdade de Deus. Ele está na luz onde já não há exames, nem hospitais, nem a opressão da doença que ele enfrentou com tanta coragem.
Ryan, meu querido, olha para o teu irmão. Ele continua a ser o teu protetor, o teu amigo, aquele que caminha contigo invisível mas real. A ligação entre vós não foi cortada pela morte; ela foi tornada eterna. Quando lembrares os momentos em que riam juntos, ou quando vires uma carta de avião, sinto o abraço do Ben a lembrar-te para continuares a sonhar, a estudar, a viver com a mesma alegria que ele tinha. Nunca estás sozinho. O teu irmão ama-te com um amor que a eternidade não consegue esmaecer.
E para vós, mãe e pai, Alan e Thao, que carregais o peso de uma ausência que preenche cada canto da casa: deixai que a Virgem Maria, cuja natividade hoje celebramos, vos acolha no seu manto. Ela também conheceu a espada a atravessar-lhe a alma. Ela sabe o que é ver um filho partir. Mas ela também sabe que Deus cumpre as Suas promessas. O poço de água viva que foi aberto em Cà Mau em memória do Ben — o 'Giếng Gioan Baotixita' — e cada gesto de bondade silenciosa feito em seu nome, mostram que o amor do Ben não ficou enterrado; ele continua a correr como um rio de água fresca para saciar a sede dos mais pequeninos deste mundo. Ele continua a dar frutos, porque o bem nunca morre.
Ao saídes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de entender tudo. Levei apenas uma coisa para atravessar o dia de hoje: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém que sofre, em memória do vosso filho. Confiai. O Ben está em casa, guardado no coração de Deus, e espera por vós na alvorada que nunca terá fim. Que a paz do Senhor sustente os vossos passos e abrace o vosso choro, hoje e em todos os dias que virão.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a Sua face e se compadeça de vós, concedendo-vos a Sua paz, hoje e para sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.