Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco hoje e sempre.
Senhor, que nos chamais a confiar na vossa sabedoria e não na nossa, tende piedade de nós. Cristo, que nos convidais a lançar as redes nas águas profundas da vossa misericórdia, tende piedade de nós. Senhor, que nos prometeis o descanso após o trabalho da nossa vida, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de um cenário que parece, à primeira vista, uma derrota. Pensem na cena do Evangelho de hoje: Pedro e os seus companheiros, pescadores experientes, homens que conheciam cada correnteza e cada segredo do Lago de Genesaré, terminam a noite com as mãos vazias. Eles lavam as redes. É um gesto de cansaço, de quem se prepara para o silêncio do fracasso. A rede, que deveria estar cheia, está limpa, inútil, pesada apenas pelo peso da frustração. É uma imagem tão humana, não é? Quantas vezes, na nossa própria vida, sentimos que trabalhamos a noite inteira, que nos esforçamos, que entregamos tudo o que temos, apenas para encontrar o vazio ao amanhecer?
São Paulo, na leitura aos Coríntios, nos dá a chave para entender esse vazio. Ele nos diz: 'Se alguém entre vós se julga sábio neste mundo, torne-se louco para ser sábio'. O mundo nos diz que o sucesso é medido pelo que acumulamos, pelo que controlamos, pelo que conseguimos 'pescar' com a nossa própria força. Mas Deus, com a Sua sabedoria que parece loucura, nos convida a algo diferente. Ele nos pede para soltar as redes da nossa autossuficiência e permitir que Ele dite a direção. 'Ao teu comando, lançarei as redes', diz Pedro. Essa pequena frase é a dobradiça de toda a nossa esperança.
Faz cerca de dois meses que o Benjamin Vo partiu para o Banquete do Céu. E eu sei que, para vocês, Alan e Thao, e para ti, Ryan, a pergunta que ecoa no silêncio da casa não é sobre sabedoria ou sucesso. É uma pergunta sobre o porquê de uma rede ter sido recolhida tão cedo, quando ainda havia tanto mar para navegar. O Ben era um rapaz que, como São Gregório Magno, cuja memória celebramos hoje, possuía uma mente brilhante e uma sede de compreender a ordem das coisas. Ele encontrava beleza na lógica da matemática, na arquitetura das nuvens digitais, na engenharia dos aviões que ele tanto amava. Ele era um rapaz que queria entender o mundo, que queria construir, que queria voar. E, no entanto, a vida tem esses mistérios que nos deixam, como Pedro, de joelhos diante de Jesus, sentindo-nos pequenos e pecadores, incapazes de compreender o plano divino.
Quero falar-vos com muita ternura sobre esse momento em que Pedro diz: 'Afasta-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador'. Esse medo de Pedro não é apenas humildade; é a percepção de que ele está diante de algo que ele não pode controlar. E Jesus, em vez de se afastar, responde com a frase mais doce e necessária que alguém pode ouvir: 'Não temas'. Alan, Thao, Ryan... não temais. O Ben não foi tirado de vós por um erro, nem por uma falha, nem por algo que pudesse ter sido evitado. A doença, essa tempestade que se abateu sobre o vosso barco, não é um castigo, nem é o resultado de um descuido. Deus não envia a dor para nos testar, nem a morte para nos punir. Algumas coisas, nesta vida, acontecem fora do nosso controle, como o vento que sopra onde quer. Não carregueis o peso da culpa. Vocês foram o porto seguro do Ben, o amor que o sustentou, a luz que o guiou. O Ben não vos acusa; ele ama-vos com a mesma pureza com que, aos quinze anos, ofereceu todo o seu cofrinho para ajudar o tio William. Aquele gesto — a vontade de dar tudo o que tinha por amor — é o reflexo da sabedoria de Deus, que não conta o que temos, mas o que somos capazes de entregar.
O Ben tinha essa capacidade de ver o mundo com a clareza de quem sabe que o essencial é invisível aos olhos. Ele, que adorava o ritual do 'airport spotting' com o pai, que desenhava a sua 'Con Chim Airlines' com um sorriso que iluminava o rosto, sabia que a vida é uma viagem que não termina na pista de aterragem. Ele agora está no destino final, na paz de Deus. Imaginem-no, não como um rapaz que sofreu, mas como o Ben que sempre foi: curioso, doce, cheio de vida, agora plenamente restaurado na presença do Pai. Ele está com São Gregório Magno, com Carlo Acutis, e com tantos outros que, como ele, viveram a juventude com um coração voltado para o Céu.
Ryan, meu querido, o teu irmão continua a ser o teu companheiro de viagem. A vossa ligação, o vosso amor, não foi interrompido pela morte; ele apenas mudou de dimensão. Quando sentires o peso da saudade, lembra-te daquele sorriso dele, daquele polegar para cima, daquela cumplicidade que só os irmãos conhecem. Ele quer que sejas feliz, que continues a estudar, a brincar, a viver com a mesma intensidade que ele viveu. Ele está a torcer por ti, a interceder por ti, a caminhar contigo.
Para todos vós que estais a ouvir, e que carregais o vosso próprio luto, a vossa própria rede vazia: a Palavra de Deus hoje convida-vos a não desistir. O milagre da pesca não aconteceu porque Pedro era o melhor pescador, mas porque ele obedeceu ao comando de Jesus. A nossa obediência hoje é confiar, mesmo quando não entendemos. É aceitar que a nossa vida, e a vida daqueles que amamos, pertence a Deus. 'Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus', diz São Paulo. Nada se perde. O amor que o Ben deu, o amor que vocês deram ao Ben, tudo isso está guardado no coração de Deus, onde nada perece.
Ao sairdes daqui, levai convosco um gesto pequeno, mas concreto. Hoje, procurai alguém que esteja a carregar uma rede vazia — alguém que se sinta só, alguém que esteja a sofrer — e oferecei-lhe um momento da vossa atenção, um sorriso, uma palavra de esperança. Fazei isso em memória do Ben. Deixai que o amor dele continue a fluir através das vossas mãos. Não tenteis entender tudo hoje. Apenas confiai na mão de Jesus que vos toca e diz: 'Não temas'. Ele está convosco na barca. Ele está convosco no silêncio da casa. Ele está convosco, e isso é o suficiente. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, vos envolva e vos sustente. O Ben está bem, ele está em casa, e um dia, todos nos encontraremos no banquete que não terá fim. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.