Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Queridos irmãos e irmãs, a paz e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo estejam convosco.
Senhor, que nos chamais a seguir-vos pelo caminho da cruz, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Cristo, que nos ensinais a perder a vida para a encontrar, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, que nos libertais do apego ao mundo para nos dar a vida eterna, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo,
Olhem para esta imagem: um homem, sozinho, a falar com Deus. Ele diz: “Tu seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir”. Ele sente-se enganado, mas ao mesmo tempo, ele não consegue parar de falar de Deus. Ele sente uma força que o impele, como um fogo que arde nos seus ossos, e que o impede de se calar. Ele tenta, mas não consegue. "Não o nomearei mais, nem falarei em seu nome!" Mas a palavra dele torna-se como fogo, aprisionada nos seus ossos. Ele não consegue mais contê-la.
Esta é a voz de Jeremias, um profeta que sentiu o peso da Palavra de Deus de uma forma tão intensa que se sentia oprimido por ela. Ele sentia-se ridicularizado, perseguido, incompreendido. Mas ele não conseguia silenciar a mensagem que ardia dentro dele. Era uma mensagem de violência e de desolação, sim, mas era a mensagem de Deus. E ele não podia negá-la.
Hoje, quando pensamos nos nossos corações, quando pensamos nas nossas próprias lutas, nas nossas próprias perseguições, nas nossas próprias incompreensões, podemos sentir um eco da voz de Jeremias em nós. Todos nós, de uma forma ou de outra, já nos sentimos enganados pela vida, ou por Deus, quando as coisas não correm como planeámos. Todos nós já nos sentimos ridicularizados, ou pelo menos incompreendidos, por causa daquilo em que acreditamos, por causa daquilo que tentamos viver.
E, no meio de tudo isso, há uma voz que nos chama. Uma voz que, como a de Jeremias, se torna um fogo dentro de nós. Uma voz que nos chama a não nos conformarmos com este mundo, mas a sermos transformados pela renovação da nossa mente, como nos diz São Paulo hoje. Uma voz que nos chama a discernir a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada, o que é perfeito.
Esta voz, meus irmãos e irmãs, é a voz de Jesus. Ele não nos promete uma vida fácil. Pelo contrário. Ele diz-nos claramente: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Jesus não nos engana. Ele não nos seduz com promessas falsas. Ele mostra-nos o caminho. E esse caminho, muitas vezes, passa pela cruz.
E é aqui que a vida do nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, se entrelaça de forma tão profunda com estas leituras de hoje. O Ben, um rapaz de uma inteligência brilhante, de uma curiosidade insaciável, um rapaz que já aos catorze anos mergulhava nos mundos da IA, do DevOps, da computação em nuvem, como o seu pai. Ele tinha a capacidade de ver a lógica onde muitos de nós só vemos caos. Ele tinha um futuro promissor, um futuro cheio de possibilidades, um futuro que ele próprio estava a construir com as suas próprias mãos, com as suas linhas de código, com a sua visão para a "Con Chim Airlines".
Mas o Ben não era apenas um génio da tecnologia. O Ben era, acima de tudo, um rapaz de um coração doce. Um coração que sentia profundamente. Lembramo-nos daquele momento, quando ele tinha apenas doze anos, e chorou no aniversário do seu pai. Não foi um choro de tristeza comum; foi um choro que revelava a profundidade do seu amor, um amor que já antecipava a dor da perda. Ele sentia a vida, sentia os laços que o uniam à sua família, com uma intensidade rara para a sua idade.
E quando o seu tio William passou por dificuldades de saúde, o Ben, sem qualquer hesitação, ofereceu o seu cofrinho. Ele não o partiu, o dinheiro não foi necessário, mas a oferta foi feita. Ele estava disposto a dar tudo o que tinha para ajudar alguém que amava. O que é isso, senão a cruz? Não a cruz de ferro, não a cruz de madeira, mas a cruz do amor que se doa, a cruz da renúncia, a cruz de colocar o outro à frente de si mesmo.
Jesus diz-nos hoje: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. O Ben, nos seus quinze anos, viveu esta verdade de uma forma extraordinária. Ele não se apega ao seu cofrinho, não se apega à sua inteligência para se defender do mundo. Ele entrega-se. Ele doa-se. Ele perde a sua vida terrena, sim, mas encontra-a na plenitude do amor de Deus. Encontra-a na eternidade, onde o fogo de Jeremias se apaga e dá lugar à paz, onde a cruz se transforma em glória.
E o que dizer a nós, que ficamos? O que dizer aos pais, Alan e Thao, que sentem o vazio de um filho que partiu cedo demais? O que dizer ao Ryan, que perdeu o seu melhor amigo, o seu irmão mais velho? A dor é real. A saudade aperta. A pergunta "porquê?" ecoa no silêncio da casa. É natural. É humano. Mas olhem para o que Jesus nos diz: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la”. A nossa tentação é querer salvar a nossa vida do sofrimento, querer que a dor desapareça, querer que tudo volte a ser como era antes. Mas é precisamente ao abraçar a dor, ao aceitar a cruz, que encontramos a verdadeira vida.
Alan e Thao, vocês deram ao Ben um amor que o preparou para este momento. Um amor que o ensinou a doar, a sentir, a amar. Não se culpem. A doença, a partida prematura, não são castigos. São realidades deste mundo ferido, que estão para além do nosso controle. A vossa missão como pais foi amar, e vocês amaram com uma perfeição que se reflete na alma do vosso filho. O Ben não se perdeu; ele encontrou-se em Deus. E ele continua a olhar por vocês, a interceder por vocês.
Ryan, meu querido, o teu irmão Ben está agora com Deus. Ele não está longe. Ele está a preparar o lugar para ti, como Jesus nos prometeu. Lembra-te do seu sorriso, lembra-te da sua determinação no campo de badminton, lembra-te da sua oferta generosa. Ele ensinou-te que “tentar é tudo o que importa”. Continua a tentar, Ryan. Continua a viver com a mesma curiosidade e com o mesmo coração que o teu irmão. Ele está contigo, em cada passo que dás.
São Paulo diz-nos para não nos conformarmos com este mundo, mas para sermos transformados pela renovação da nossa mente. A renovação da nossa mente acontece quando olhamos para a cruz não como um fim, mas como um caminho. Quando entendemos que a perda terrena é o prelúdio da vida eterna. Quando, como o Ben, estamos dispostos a perder a nossa vida para a encontrar em Deus.
O Ben, com a sua inteligência e o seu coração doce, mostrou-nos o que significa viver autenticamente. Ele não se deixou seduzir pelas promessas vazias deste mundo. Ele seguiu a voz de Jesus, a voz que o chamava a amar, a doar-se, a ser um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Ele não se conformou com a mediocridade; ele aspirou à perfeição do amor.
E hoje, ele está no Banquete do Céu, com o Pai, com o Filho, com o Espírito Santo. Ele está com os anjos e os santos. Ele está onde não há mais dor, nem sofrimento, nem morte. Ele está onde a sua alma, que tinha sede de Deus, encontrou a sua saciedade, como diz o Salmo: "Como a terra seca anseia por água, assim a minha alma anseia por Vós, ó Deus!".
Que a memória do nosso Benjamin nos inspire a todos nós a abraçar a nossa cruz, a perder a nossa vida por causa de Cristo, para que possamos encontrá-la na Sua glória. Que o fogo que ardia em Jeremias, que chamava o profeta a não se calar, se acenda também em nós, chamando-nos a viver o Evangelho com coragem, com amor, e com a certeza de que, mesmo na dor, Deus está connosco, e a vida que Ele nos dá é eterna.
Benjamin, nosso doce anjo, reza por nós. Ajuda-nos a encontrar a vida perdendo-a por amor a Cristo. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que Deus todo-poderoso vos abençoe, o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo. Ide em paz. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.