Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco, acolhendo-nos neste momento de oração e comunhão.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o cenário de uma vida que se abre para o horizonte. Nas leituras de hoje, São Paulo escreve aos Coríntios sobre a urgência do tempo, sobre como o mundo, na sua forma presente, está a passar. Ele nos convida a uma certa desapego, a viver as nossas realidades — a alegria, a dor, o trabalho — como quem sabe que o destino final é muito maior do que o cenário que habitamos agora. E, no Evangelho, Jesus inverte as nossas certezas: Ele chama bem-aventurados os pobres, os que choram, os que têm fome. Ele não está a romantizar o sofrimento. Ele está a revelar que, quando o mundo nos tira tudo, Deus nos dá o Reino.
Esta imagem da transitoriedade, do 'tempo que se esgota', é o fio que quero que segurem hoje. Faz pouco mais de dois meses que o nosso querido Benjamin Vo completou a sua peregrinação terrestre e atravessou o limiar da eternidade. Sei que, para vós, Alan, Thao e Ryan, o tempo parece ter ganho uma nova e estranha medida. Há dias em que parece que o tempo parou na tarde em que ele partiu, e outros em que a velocidade da ausência é vertiginosa. Mas a Palavra de Deus hoje quer dizer-vos algo fundamental: a vida do Ben não foi uma interrupção. Ela foi uma semente que, lançada na terra, deu fruto para a eternidade.
Ben era um rapaz de uma luz singular. A sua mente brilhante, capaz de decifrar a lógica complexa de sistemas digitais, de sonhar com a sua 'Con Chim Airlines', de planear o futuro com uma maturidade que nos surpreendia, era apenas a superfície de um coração imenso. Lembro-me de uma faceta sua, tão simples e tão profunda: a sua curiosidade. Ele não via o mundo apenas como um lugar de passagem; ele via o mundo como uma criação a ser explorada, como um engenheiro que estuda a obra de um mestre. E, no entanto, a sua maior obra não foi o código que escreveu, nem os aviões que observou, mas a forma como ele amou.
Quero falar-vos, com a verdade nua e crua, sobre o peso que muitos de vós carregam em silêncio. Sei que, na quietude da noite, quando a casa está silenciosa e a falta do Ben se torna uma presença física, a vossa mente, na sua ânsia de encontrar sentido para o que não tem explicação, tenta por vezes procurar culpados. A culpa é uma sombra que se aproveita do luto. Deixem-me tirar essa pedra dos vossos ombros com a clareza e a ternura do Evangelho: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha ou descuido vosso. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os parceiros das suas viagens, os ouvintes pacientes das suas histórias. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exactamente como sois.
O Evangelho de hoje diz: 'Bem-aventurados vós que agora chorais, porque haveis de rir'. Esta não é uma promessa de que a dor desaparecerá amanhã, mas é a garantia de que a vossa lágrima não cai no vazio. Cada lágrima que derramais por Benjamin é contada por Deus. Ele recolhe-as. Ele sabe o peso de cada saudade. E, no meio dessa dor, há uma esperança que é mais forte do que a morte. O Ben está bem. Ele está na plenitude da vida, na presença daquele que é o autor da vida. Imaginem-no, não como ele estava nos seus dias de luta, mas como ele é agora: livre, pleno, com aquela curiosidade infinita agora saciada pela visão de Deus. Ele continua a ser o vosso filho, o irmão do Ryan, mas agora ele respira o ar do Céu, onde não há mais exames, nem hospitais, nem a opressão da doença.
Ryan, meu querido, o teu irmão mais velho continua a ser o teu guia. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi transfigurada. Quando sentires o peso da saudade, lembra-te daquele sorriso dele, daquela cumplicidade que só os irmãos conhecem. Ele quer que sejas feliz. Ele quer que continues a explorar o mundo, a aprender, a sonhar. Ele está a torcer por ti, a interceder por ti. Não estás sozinho. O teu irmão é agora um anjo que te acompanha em cada passo, e o amor que vocês partilharam é um laço que a eternidade não pode desatar.
O Ben, que tanto amava o mundo, deixou pegadas em tantos lugares, desde os grottoes de Lourdes até às ruas de Tóquio. O poço de água que foi construído em seu nome em Cà Mau — o 'Giếng Gioan Baotixita' — é o sinal de que o amor dele continua a dar vida. Ele queria dar tudo o que tinha para ajudar o próximo, e agora, o seu nome, 'Grande Oceano', inunda de esperança aqueles que nada tinham. Cada gota de água que sacia a sede de alguém, em memória do Ben, é um gesto que Jesus abençoa. Não é um ato de orgulho, é um ato de amor. É a forma como o Ben continua a estender a mão para os outros, mesmo estando no Céu.
Ao saídes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de entender tudo. Levei apenas uma coisa para atravessar o dia de hoje: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém que sofre, em memória do vosso filho. Confiai. O Ben está em casa, guardado no coração de Deus, e espera por vós na alvorada que nunca terá fim. Que a paz do Senhor sustente os vossos passos e abrace o vosso choro, hoje e em todos os dias que virão. O Senhor é o vosso pastor, e Ele não vos abandona. Ele está convosco em cada lágrima, em cada memória, em cada sonho. O Ben está em casa, e o amor que vocês lhe deram é a âncora que vos manterá firmes até ao dia do vosso reencontro. Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações. Caminhai com coragem, pois nunca estais sós. O Senhor vos ama, e o Ben vos espera na luz que nunca se apaga.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.