Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco nesta oração.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o espelho de que nos fala São Paulo na primeira leitura. Não um espelho comum, onde verificamos a nossa aparência antes de sair de casa, mas aquele espelho antigo, de metal polido, que nos devolve uma imagem imprecisa, um reflexo que não alcança a nitidez total. Vivemos, diz o Apóstolo, vendo 'indistintamente'. E esta é a verdade da nossa existência aqui na terra: olhamos para a vida, para as nossas perdas e para os nossos amores, e vemos apenas fragmentos. Tentamos encaixar as peças, tentamos compreender o desenho completo, mas a nossa visão é parcial. O que é perfeito, o que é pleno, ainda está por vir.
Faz três meses que o Benjamin Vo atravessou esse espelho. Três meses desde que ele deixou de ver 'indistintamente' para ver Deus face a face. E eu sei, Alan, Thao, Ryan, que para vós, este tempo tem sido uma caminhada através de uma névoa densa. Sei que o silêncio que o Ben deixou não é apenas a falta de uma voz, nem apenas a ausência daquele sorriso que iluminava a vossa mesa; é o vazio de quem, de repente, se vê privado do futuro que tinha desenhado com tanto carinho. O Ben era um rapaz de uma curiosidade voraz, um jovem que, aos quinze anos, já olhava para a tecnologia, para as nuvens onde voam os aviões, e para a própria vida com uma clareza de quem queria entender como tudo funciona. Ele era o vosso engenheiro de sonhos, o rapaz que olhava para o horizonte e via nele uma possibilidade infinita.
Quero falar-vos hoje, com a verdade nua e crua, sobre esse espelho. Muitas vezes, na quietude da vossa casa, a vossa mente tenta olhar para trás e encontrar o momento exato em que a vida mudou. A culpa, essa sombra traiçoeira, tenta sussurrar que, se tivessem olhado para o espelho com mais atenção, talvez tivessem visto algo que passou despercebido. Deixem-me dizer-vos isto com a autoridade da Palavra de Deus: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha, descuido ou omissão vossa. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e perfeita que tenha sido. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês foram o seu porto seguro, os companheiros das suas viagens pelo mundo, os ouvintes pacientes das suas ideias e dos seus sonhos. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exatamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo fiel do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
O Ben tinha uma mente brilhante, sim. Ele codificava, ele criava, ele sonhava com a 'Con Chim Airlines'. Mas, acima de tudo, ele tinha um coração que compreendia a essência do que São Paulo escreve hoje: 'O amor é paciente, o amor é bondoso'. Lembrem-se daquele momento em que, com apenas doze anos, ele quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que estava a sofrer com um problema de saúde. Ele não precisou de partir o mealheiro, nem de o esvaziar, pois o amor não se mede pelo que se entrega, mas pela disposição de entregar tudo. Esse era o coração do Ben. Ele não era apenas um rapaz inteligente; ele era um rapaz que sabia, no fundo da sua alma, que o 'conhecimento' e a 'profecia' passam, mas o amor permanece. Ele já vivia, sem saber, a eternidade.
Olhem para o Evangelho de hoje. Jesus compara a geração do seu tempo a crianças que se queixam na praça: 'Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes'. Jesus aponta para a rigidez daqueles que não conseguem ver a sabedoria de Deus quando ela se manifesta de formas diferentes. Às vezes, a nossa dor faz-nos como essas crianças. Queremos que a vida dance ao som da nossa flauta, que o sofrimento siga a lógica que nós desenhámos. Mas Deus, na Sua sabedoria, escreve uma história que nós ainda não conseguimos ler. O Ben não viveu uma vida longa em anos, mas viveu uma vida plena em amor. Ele viu o mundo, viajou, amou a família, e deixou uma marca que não se apaga. A sua vida não foi uma 'lamentação' interrompida, mas uma canção que atingiu o seu tom mais alto no céu.
Ryan, meu querido, o teu irmão mais velho continua a ser o teu guia. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi transfigurada. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando sentires a falta daquela cumplicidade de irmãos, lembra-te: o Ben está a torcer por ti. Ele quer que continues a tua corrida, que estudes, que sonhes, que sejas o rapaz maravilhoso que és. Ele não quer que pares. Ele caminha contigo, invisível mas real. O amor que partilharam é um laço que a eternidade não pode desatar. Tu és o irmão dele, e ele é o teu protetor.
O Ben está agora onde o espelho já não é necessário. Ele vê face a face. Ele conhece plenamente, como é plenamente conhecido. Ele está no Banquete do Céu, onde a sua curiosidade é finalmente saciada pela visão da própria Verdade. E ele, que tanto amava a ideia de conectar mundos através da aviação, agora intercede por vós, conectando o vosso coração de pais ao coração do Pai Eterno.
Ao saírem daqui hoje, não vos peço que compreendais todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. Não tentem ser perfeitos. Apenas tentem ser amados. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.