Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que viestes buscar o que estava perdido, tende piedade de nós. Cristo, que sois a nossa esperança na vida e na morte, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais para a vossa vinha, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, o mercado daquela cidade antiga, logo ao amanhecer. O ar ainda está fresco, o sol mal começou a tingir o horizonte de âmbar, e ali estão eles: os trabalhadores. Alguns chegaram cedo, cheios de energia, prontos para a labuta. Outros chegaram mais tarde, talvez porque o caminho fosse longo, talvez porque estivessem à espera de uma oportunidade que parecia nunca chegar. E depois, há aqueles que ainda estão lá, quando o dia já se inclina para o fim, quando o sol já queima a pele e a esperança de ser chamado começa a esmorecer. É para estes últimos que o dono da vinha se volta. Ele não pergunta quanto tempo trabalharam. Ele não faz um cálculo de produtividade. Ele simplesmente diz: 'Ide vós também para a minha vinha'.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o vosso Benjamin, o vosso Ben, completou a sua travessia para esta vinha eterna. Três meses em que a vossa vida se tornou um esforço constante para encontrar o sentido onde a lógica humana se quebra. Sei que, na quietude da vossa casa, o silêncio é por vezes ensurdecedor. Sei que, quando olham para o lugar onde o Ben costumava estar — talvez a codificar os seus jogos, talvez a falar com aquela paixão contagiante sobre a 'Con Chim Airlines' — sentem como se o dia tivesse terminado cedo demais. Mas olhem para a generosidade do dono da vinha. Ele paga o salário justo a todos, não por mérito, mas por pura benevolência. O Ben não mediu o seu amor pelo tempo que teve; ele viveu cada momento com uma intensidade que muitos não alcançam em oitenta anos.
Quero falar-vos com a verdade nua e profunda, porque a vossa dor não merece menos do que a verdade. Sei que, naquelas horas em que o sono foge, a sombra da dúvida tenta instalar-se. A culpa, essa voz cruel que sussurra nos ouvidos de pais que amaram profundamente, tenta dizer-vos que talvez houvesse algo mais a fazer, algum detalhe que escapou, alguma vigilância que falhou. Deixem-me dizer-vos isto, com a autoridade da Palavra de Deus: nem vós, nem o vosso filho, carregam qualquer culpa. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer falha, descuido ou omissão vossa. A vida, na sua fragilidade, tem tormentas que escapam a todo o controlo humano, a toda a vigilância, por mais atenta e dedicada que tenha sido. Vocês foram o porto seguro do Ben. Vocês foram os companheiros das suas viagens, os ouvintes pacientes das suas ideias e dos seus sonhos. Não vos acuseis do que não podiam impedir. Deus não vos acusa; Ele segura-vos pelas mãos, exatamente como sois. A vossa dedicação foi um reflexo fiel do amor de Deus, e nada, nem mesmo a morte, pode apagar a beleza desse cuidado.
O Ben era um rapaz de uma curiosidade voraz. Lembro-me de como ele, aos quinze anos, já olhava para a tecnologia, para as nuvens onde voam os aviões, e para a própria vida com uma clareza de quem queria entender como tudo funciona. Ele era o vosso engenheiro de sonhos. Mas, acima de toda a sua inteligência, o que definia o Ben era a sua doçura. Lembrem-se daquela oferta generosa, quando ele quis entregar todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava o sofrimento de dois AVCs. Ele não precisou de partir o mealheiro, nem de o esvaziar, pois o amor não se mede pelo que se entrega, mas pela disposição de entregar tudo. Esse era o coração do Ben. Ele já vivia, sem saber, a lógica do Reino, onde o último é o primeiro e onde o amor é a única moeda que circula no Céu.
No Evangelho, aqueles que trabalharam o dia todo gritam contra o dono: 'Estes últimos trabalharam apenas uma hora, e tu fizeste-os iguais a nós'. É a voz da nossa justiça humana, da nossa necessidade de medir, de comparar, de entender o porquê. Mas Deus responde: 'Sou eu mau porque sou bom?'. O Ben não foi 'menos' por ter partido cedo. Ele foi chamado para a vinha do Senhor, e lá, ele recebeu a plenitude da vida. Ele não é um projeto inacabado; ele é uma obra-prima que atingiu a sua perfeição na luz de Deus. Ele está no Banquete do Céu, o lugar onde a sua sede de saber é saciada pela própria Verdade, e onde a sua paixão pela aviação é agora o voo livre na presença do Pai.
Ryan, meu querido, tu és o irmão que guarda as memórias, que carrega o legado daquele sorriso que iluminava a casa. Não tenhas medo de viver. O teu irmão não quer que a tua vida seja um jardim de sombras, mas um campo que dá fruto em abundância. Ele está contigo, de uma forma que a lógica não explica, mas que o coração sente. Quando olhares para o céu e vires um avião, não penses que ele se foi; pensa que ele está apenas a voar num espaço onde não há mais dor, apenas a luz do Pai. Tu és o irmão dele, e ele é o teu protetor. A vossa ligação não foi cortada pela morte; ela foi transfigurada.
E para todos vós que, de longe ou de perto, carregam o peso de uma cruz, saibam que o Ben, o 'Grande Oceano', continua a dar frutos. O seu amor flui, como a água daquele poço que brotou na terra seca em seu nome, para saciar os que têm sede. Ele continua a ensinar-nos que a vida não se mede pelos anos, mas pela capacidade de amar. O Ben continua a sorrir, a sonhar, a interceder por cada um de vós.
Ao sairdes daqui hoje, não vos peço que carregueis o peso de compreender todos os mistérios do céu e da terra. Apenas vos peço que deixeis que a Mãe de Jesus vos envolva no seu manto. Ela, que viu o seu Filho ser semeado na terra, sabe o que é a vossa dor. Ela está junto de vós, não com palavras vazias, mas com a presença silenciosa de quem compreende cada lágrima que corre no vosso rosto. Levem uma pequena coisa para atravessar este dia: um gesto de carinho, um pensamento silencioso, um sorriso oferecido a alguém, em memória do vosso querido Benjamin. O Ben está em casa, guardado no amor eterno de Deus, e a luz dele nunca se apagará nas vossas vidas. Ele é a semente que floresceu em glória. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.