Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, uma mesa posta no alto de um monte. O vento sopra suave, a tarde cai mansa, e há cadeiras ao redor que esperam por rostos conhecidos, por conversas longas, por um banquete onde toda a fome do mundo finalmente se acalma. Não é um jantar apressado de corredor. É a festa que o próprio Deus preparou com as suas próprias mãos. É a promessa de que nenhuma lágrima fica esquecida, de que nenhuma ausência é definitiva, de que o choro da madrugada há de ser enxugado por um Pai que conhece o nome de cada filho. Na primeira leitura de hoje, o profeta Isaías abre os nossos olhos para esta montanha sagrada. Ele nos diz que o Senhor dos exércitos preparará para todos os povos um banquete de carnes suculentas e vinhos refinados. Ele removerá o véu que cobre a face das nações e destruirá a morte para sempre. O Senhor enxugará a lágrima de toda face.
E quem de nós nunca conheceu o peso de uma lágrima silenciosa? Quem de nós nunca experimentou o silêncio pesado de uma casa que parece grande demais para a saudade que habita nela? Alan, Thao, Ryan… eu sei. Sei que há manhãs em que a ausência do vosso Benjamin entra no quarto antes mesmo do sol. Sei que o coração de vocês carrega um cansaço que o sono não resolve. Há um lugar na mesa que continua vazio, e a vida, com a sua insistência em continuar a rodar, às vezes parece fria demais. Vocês amaram o Ben com um amor que não tem medida. Ele era a vossa luz, o vosso rapaz de mente brilhante e de um coração tão delicado. Lembranças simples vêm à mente: o sorriso dele ao falar dos seus projetos, a paixão imensa pelos aviões, os sonhos de construir a sua própria linha aérea, a 'Con Chim Airlines'. Ele olhava para o céu não com medo, mas com a curiosidade pura de quem sabia que o alto era o seu lugar. E quando pensamos nele, o peito aperta. Como é possível que um rapaz com tanto futuro, com tantas ideias e tanto carinho para dar, tenha partido tão cedo? Como é que se aguenta o peso desta cruz?
É aqui que o Evangelho nos alcança de uma forma desconcertante. Jesus fala de um rei que prepara um banquete de bodas para o seu filho. Ele manda chamar os convidados, mas estes estão ocupados demais. Uns vão para a sua lavoura, outros para os seus negócios. O banquete está pronto, a mesa está posta, mas há corações fechados nas portas dos seus próprios interesses. E, no fim, o rei diz aos seus servos para irem pelas estradas e reunirem todos os que encontrarem, maus e bons, para que a sala se encha de convidados. A festa não pode ficar vazia. O amor de Deus não aceita mesas sozinhas.
Pensem nisto por um momento. O banquete do Céu não é para os que acham que merecem, mas para aqueles que aceitam o convite da graça. E o nosso querido Benjamin… ah, o Ben sabia aceitar esse convite com a pureza dos simples. Lembrem-se daquela doçura que ele guardava no peito. Ele não era apenas um jovem de lógica implacável e matemática avançada; ele era um rapaz de uma empatia tão profunda que, aos quinze anos, quis entregar tudo o que tinha no seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou de partir o cofrinho, pois o gesto já estava feito no altar do seu coração generoso. Ele já trazia a veste de festa. Ele já sabia amar sem calcular.
… Mas a dor da perda não desaparece só porque sabemos que ele está na luz. A dor é real. A dor é o preço do amor. E às vezes, no meio do silêncio, a culpa tenta sussurrar mentiras no ouvido de quem fica. Perguntamo-nos se podíamos ter feito mais, se faltou algum detalhe, se houve algum passo em falso. Deixem-me dizer-vos isto com toda a suavidade do mundo, olhando diretamente para vocês que choram: a doença nunca foi culpa vossa. Deus não envia a enfermidade, e nenhum cuidado omitido ou dado causou esta partida. Há dores neste mundo que estão para além de qualquer controle humano, provações que nos rasgam sem que nenhum de nós tenha falhado. Alan, Thao, não carregueis esse peso nos ombros. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês seguraram a mão dele até o último instante. Deus não vos acusa de nada; pelo contrário, Ele acolhe as vossas lágrimas como a coisa mais sagrada que existe hoje sobre a terra.
Olhem para São Paulo na segunda leitura. Ele escreve aos Filipenses com uma serenidade que desarma: 'Eu aprendi a viver na humilhação e na abundância. Em tudo e por tudo estou instruído: tanto a ter fartura como a passar fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Tudo posso n'Aquele que me fortalece'. Paulo não está a dar uma lição de moral fria. Ele está a falar do fundo de uma prisão, sabendo o que é o sofrimento. E ele diz que a força não vem da nossa própria resistência, mas de Cristo. 'Tudo posso n'Aquele que me fortalece'.
Ryan, meu querido rapaz, tu que sabes o que é perder o teu irmão e melhor amigo, tu que partilhaste tanto com ele… não estás sozinho. Quando olhares para o céu e vires um avião a cortar as nuvens, lembra-te de que o teu irmão amava esse voo. Ele continua a voar na paz de Deus. Vive por ele. Continua a tua caminhada levando a bondade dele contigo. O Ben não se apagou; ele apenas chegou primeiro àquela montanha de que nos fala Isaías, onde já não há pranto nem dor.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente os pais que carregam cruzes pesadas e as crianças que enfrentam a doença nos hospitais: Deus não vos esqueceu. Ele está na sala de espera. Ele está no quarto silencioso. Ele recolhe cada suspiro vosso.
O que é que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. Quando sentirdes o peso da saudade apertar o peito, não fecheis os olhos para fugir dele. Pelo contrário: fechai os olhos para rezar. Pensai no sorriso do Ben, na sua curiosidade doce, na forma como ele olhava para o mundo com esperança. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água dado a quem tem sede, um abraço a quem está triste — sabendo que o amor nunca morre. O Ben está na casa do Pai, vestido com a veste eterna da alegria. E um dia, nessa mesma montanha, nos voltaremos a encontrar ao redor da mesa que nunca mais se fechará. Que o Senhor vos abençoe e vos guarde na Sua paz.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, e a Sua face resplandeça sobre vós hoje e sempre. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.