Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que viestes buscar o que estava perdido, tende piedade de nós. Cristo, que vos fizestes servo por amor, tende piedade de nós. Senhor, que nos convidais para o Vosso banquete eterno, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o silêncio de um aeroporto ao cair da noite, quando as luzes da pista se tornam pequenas constelações e o movimento frenético dos aviões finalmente abranda. Há uma expectativa suspensa no ar. Benjamin Vo, o nosso Ben, conhecia bem esse silêncio e essa expectativa. Ele não via apenas máquinas de metal; ele via possibilidades, conexões, o milagre da engenharia que permitia ao homem tocar o céu. Ele era um rapaz de uma curiosidade voraz, alguém que, enquanto outros brincavam, estava a desvendar a lógica dos sistemas, a sonhar com a sua 'Con Chim Airlines', a rir-se com a pura alegria de quem imagina o impossível. Ele era um rapaz de luz, de inteligência brilhante, mas, sobretudo, de um coração que, como o de Cristo, encontrou a sua maior glória na humildade.
Na primeira leitura, São Paulo oferece-nos um hino que é o coração da nossa fé: 'Ele, que era de condição divina, não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo'. O esvaziamento de Cristo não foi uma derrota; foi a estratégia suprema do amor. Ele desceu, ele aproximou-se, ele tornou-se um de nós para que nós pudéssemos ser um d'Ele. O Ben, na sua curta e luminosa vida, parecia intuir esta verdade. Ele não era um rapaz que buscava os primeiros lugares, nem que se impunha pela força. Ele era o rapaz que, com o seu sorriso de aparelho, a sua paixão pela aviação e a sua prontidão em querer dar o seu próprio mealheiro para ajudar o tio William, mostrava-nos que a grandeza humana não reside no que retemos, mas naquilo que, por amor, estamos dispostos a oferecer. O seu desejo de ajudar, sem nunca ter precisado de quebrar o mealheiro, é o retrato de uma alma que já vivia na lógica do Reino: a intenção do amor é, por si só, uma oferenda perfeita aos olhos de Deus.
Mas, para falarmos de esperança, precisamos de ser corajosos o suficiente para nomear a dor que ainda habita esta casa. Quatro meses. Quatro meses desde que o Ben partiu para o banquete do Pai. Alan, Thao, Ryan... eu sei que o vazio não é apenas uma palavra; é uma presença física que vos acompanha. Sei que há manhãs em que a saudade vos acorda antes do sol, em que a ausência do Ben é um eco que ressoa em cada canto da vossa vida. E sei, com uma dor que partilha da vossa, que a mente humana, exausta pela perda, por vezes procura respostas onde só há mistério. A culpa é uma sombra traiçoeira; ela sussurra perguntas que não têm lugar na verdade de Deus: 'O que teria acontecido se...?'. Deixem-me dizer-vos, com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa: o sofrimento do Ben não foi uma falha vossa. Não houve descuido, não houve omissão. A doença que o levou não é um castigo, nem é o resultado de algo que deixaram de fazer. Como Jesus respondeu aos discípulos sobre o homem que nasceu cego, a dor não é o resultado do pecado de ninguém. Ela irrompe na vida como um mistério que escapa ao nosso controlo, e Deus, o Pai amoroso, não vos acusa. Pelo contrário, Ele acolhe-vos no vosso pranto. Vocês amaram o Ben com um amor que foi o reflexo do amor de Deus. Ele sabia-se amado. Ele sentia-se seguro convosco. Deus não vos pede contas do que não estava nas vossas mãos impedir; Ele pede apenas que descansem no Seu colo.
Olhem agora para o Evangelho. Jesus narra a parábola do grande banquete. O mestre da casa, perante as desculpas daqueles que tinham 'coisas mais importantes' para fazer — um campo para examinar, bois para avaliar, a vida para seguir conforme os seus próprios planos — toma uma decisão que muda tudo: 'Sai rapidamente pelas praças e ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos'. E quando ainda havia lugar, ele insiste: 'Vai pelos caminhos e pelas cercas e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha'. O Reino de Deus não é um clube privado para os que se acham dignos ou preparados. É uma festa para os que, na sua fragilidade, aceitam o convite.
O Ben está agora nesse banquete. Imaginem a alegria dele, a sua curiosidade infinita a ser finalmente saciada na presença do Criador. Ele não está mais limitado pela doença, nem pelo tempo, nem pela distância. Ele habita a luz onde a 'Con Chim Airlines' não precisa de pistas, porque o voo é eterno e a alegria é plena. E ele olha para vós, não com a tristeza de quem se foi, mas com o orgulho de quem sabe que o amor que vos uniu aqui na terra é o mesmo amor que vos mantém unidos agora através do véu da eternidade. Ele está bem. Mais do que bem, ele está em casa.
Ryan, meu querido, tu que caminhaste lado a lado com o teu irmão, que partilhaste as viagens, os sorrisos e o crescimento, não tenhas medo de viver. O Ben continua a ser o teu irmão. Ele torce por ti em cada passo, em cada desafio, em cada momento em que a vida te pede coragem. Não te sintas obrigado a carregar o luto como se fosse o teu destino. O teu destino é a vida, a alegria, a descoberta — a mesma alegria que o teu irmão tinha quando via um avião descolar ou quando partilhava uma piada contigo. Deixa que a memória dele seja o vento que empurra as tuas velas, e não a âncora que te prende ao passado.
Para todos vós que nos escutais, que carregam cruzes pesadas, que se sentem perdidos nos 'caminhos e cercas' da vida, saibam isto: o convite de Deus é para vós. Ele não vos esqueceu. Ele não está indiferente às vossas noites em claro. A vossa vida, tal como a do Ben, é uma obra preciosa que Deus está a levar a bom termo, mesmo quando não conseguimos ver o fim da estrada. O amor que Deus tem por vós é maior do que qualquer dor que possam sentir. Ele é o Anfitrião do banquete, e Ele reservou um lugar especial para cada um de vós, junto do Ben, junto de todos os que amamos e que já partiram.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Algo muito simples. O Ben ensinou-nos, com a sua vida, a importância de tentar, de ser curioso, de oferecer o que temos. Façamos hoje um pequeno gesto de bondade escondida. Não precisa de ser grande; basta que seja feito com o coração. Uma palavra gentil a alguém que se sente sozinho, uma oração por um estranho, um momento de silêncio para agradecer pela vida do Ben. Que esse gesto seja a vossa forma de manter viva a chama que ele acendeu. Não carreguem o mundo às costas. Entreguem o peso a Deus. Ele é o Pai, Ele é o Mestre do banquete, e Ele ama-vos com um amor que nunca falha. O Ben está a observar-vos com aquele sorriso doce e braced, com a certeza de que, no fim, tudo será luz e reencontro. Caminhem com essa esperança. O Senhor está convosco, hoje e sempre, até que todos nos possamos sentar à mesa do Seu Reino.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.