Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, esteja com todos vós.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, o silêncio de um campo de trigo ao entardecer, onde as espigas balançam suavemente com o vento. É uma cena de uma simplicidade absoluta, mas é nela que o profeta encontra uma imagem para a eternidade. Na primeira leitura, somos confrontados com uma visão que desafia a nossa lógica terrena: 'Eles brilharão e correrão como faíscas pelo restolho'. Faíscas. Pensem nisso. Não são chamas que consomem, mas luzes vivas, ágeis, que saltam de um lugar para o outro, livres, prontas, vibrantes. Benjamin Vo, o nosso Ben, era, na sua essência, uma dessas faíscas. Ele não era uma vida estática; ele era movimento. Ele era a curiosidade que o levava a explorar a complexidade da infraestrutura em nuvem, a ambição de criar a sua própria companhia aérea, a 'Con Chim Airlines', que o fazia rir só de pensar no nome, e a prontidão de um coração que, aos quinze anos, queria entregar tudo o que tinha — o seu mealheiro — para aliviar a dor do seu tio William. Ele era uma faísca de inteligência e de bondade que, agora, corre livremente no campo de Deus, onde não há mais doença, nem cansaço, nem limites.
Mas, para chegarmos a essa esperança, precisamos de ser honestos sobre a terra onde os nossos pés ainda caminham. Já se passaram quatro meses, Alan, Thao e Ryan. Quatro meses desde que o Ben foi recolhido para o banquete do Pai. Sei que o silêncio em casa tem um peso diferente agora. Sei que há momentos, no meio da rotina, em que a ausência do Ben vos atinge como uma onda, um vazio que não se preenche com palavras. E sei que, nesses momentos, a vossa mente, exausta pela saudade, por vezes tenta procurar respostas onde não existem, ou pior, tenta culpar-vos por algo que não foi possível controlar. Deixem-me dizer-vos, com a ternura de um Deus que conhece cada fibra do vosso ser: não procurem culpa onde só houve amor. A doença que levou o Ben não foi uma falha vossa, não foi um descuido, não foi um erro de percurso. Como Jesus respondeu aos discípulos sobre o homem que nasceu cego, a doença não é um castigo, nem o resultado de uma falha humana. Ela irrompe na vida como uma tempestade que ninguém pode prever nem deter. Vocês amaram o Ben com um amor que foi o reflexo do amor de Deus; vocês foram as Suas mãos, a Sua voz, o Seu abraço na vida dele. Deus não vos acusa de nada. Ele apenas vos convida a descansar no Seu colo, tal como o Ben descansa agora na Sua paz. Estais livres desse peso. Podem deixar cair essa pedra que carregam no peito.
Olhem para o Evangelho. Jesus é de uma clareza que nos desarma: 'Tudo o que o Pai me dá virá a mim, e eu não rejeitarei ninguém que venha a mim'. Ele não diz que acolherá apenas os fortes, ou apenas os que têm a vida resolvida. Ele diz que não perderá ninguém. 'Que eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu'. O Ben foi um dom do Pai para vós, e o Pai não o perdeu. Ele apenas o chamou para mais perto, para o centro do Seu abraço. Jesus faz-nos uma promessa: 'Eu o ressuscitarei no último dia'. Esta ressurreição não é algo que acontece apenas num futuro longínquo; ela começa agora, na esperança que nos mantém de pé, na certeza de que a vida do Ben não foi um projeto interrompido, mas uma obra que encontrou a sua plenitude na eternidade.
O Ben tinha uma forma tão bonita de se relacionar com o mundo. Ele não era apenas um rapaz brilhante; ele era um rapaz atento. Lembro-me de como ele ouvia as histórias do seu pai. O Alan contava-lhe histórias imaginárias, brincadeiras, e o Ben ouvia como se fossem a coisa mais real e importante do mundo. Ele não criticava, ele não duvidava; ele sorria e partilhava a alegria daquele momento. Essa é a fé que nos salva. A capacidade de ouvir a voz de Deus, mesmo quando ela nos parece uma história que não compreendemos totalmente, e confiar. O Ben confiava. Ele confiava em vós, ele confiava na vida, e agora ele confia, plenamente, no seu Criador. Ryan, meu querido, tu és o guardião dessa memória. Tu és o irmão que continua a viagem. Não tenhas medo de viver com a alegria que o Ben tinha. Quando olhares para o céu, quando vires um avião, lembra-te que ele está lá, não como uma ausência, mas como uma presença que te impulsiona a ser corajoso, a ser bondoso, a ser exatamente quem tu és.
São Paulo, na segunda leitura, diz-nos: 'A esperança não dececiona'. Porquê? 'Porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo'. A nossa esperança não se baseia na nossa força de vontade, mas no amor que Deus já nos deu. É esse amor que vos sustenta quando o dia parece escuro. É esse amor que permite que, mesmo no meio da dor, possais ainda sorrir ao lembrar de uma piada do Ben ou de um gesto dele. A vossa dor é real, mas o amor é mais real ainda. O amor que vocês tiveram pelo Ben, e que ele teve por vós, é eterno. Ele não morre. Ele transita, ele transforma-se, ele torna-se uma intercessão constante.
Talvez hoje, neste dia em que recordamos todos os nossos fiéis defuntos, possamos olhar para a nossa própria vida com essa mesma clareza. O que é que realmente importa? O Ben, com a sua mente que já via as possibilidades da inteligência artificial e a beleza da aviação, sabia que o que importa não é o que acumulamos, mas o que oferecemos. O seu desejo de dar o seu mealheiro pelo tio William, sem nunca o ter chegado a partir, é um símbolo perfeito de uma vida santa: a intenção do coração vale tanto quanto o gesto realizado. Deus vê o coração. Ele viu o coração do Ben, e Ele viu o vosso.
Por isso, não carreguem o fardo da tristeza como se fosse o vosso destino final. O destino é o banquete. O destino é a luz. O destino é o reencontro. O Ben está a esperar por vós, não num lugar de sombras, mas no lugar onde todas as faíscas se unem na luz do Cordeiro. Ele está bem. Ele está mais do que bem; ele está em casa. E vós, que ainda caminhais, sois chamados a viver com a mesma esperança. Façam hoje um pequeno gesto, algo simples, escondido, em nome do Ben. Uma palavra gentil a alguém que se sente sozinho, uma oração por um estranho, um momento de silêncio para agradecer pela vida dele. Que esse gesto seja a vossa forma de continuar a 'Con Chim Airlines' do amor, espalhando a bondade que ele começou aqui na terra. Não tenham medo. O Senhor é o vosso pastor, e Ele não vos deixará faltar nada, nem a consolação, nem a paz, nem a esperança. Ele está convosco, em cada passo, em cada lágrima, em cada memória. E o Ben, o nosso querido Benjamin, está a sorrir, a observar-vos com o mesmo orgulho com que sempre vos olhou. Sigam em frente, com o coração leve, na certeza de que o amor nunca, nunca se perde.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, fazendo brilhar sobre vós a Sua face e concedendo-vos a Sua paz. Ide em paz e que o amor de Deus vos acompanhe sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.