Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre com todos vocês.
Senhor, que nos ensinais o caminho da retidão, tende piedade de nós. Cristo, que vos humilhaste até a morte para nos salvar, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais a fazer a vossa vontade com sinceridade de coração, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida nos coloca diante de um espelho que não pedimos para olhar. É o espelho da escolha, o espelho da intenção, o espelho daquele pequeno 'sim' ou 'não' que damos ao Pai no início do dia. Na leitura de Ezequiel, Deus confronta o Seu povo com uma pergunta que soa quase como um desafio: 'É o meu caminho que não é justo, ou são os vossos caminhos que não são justos?'. É uma pergunta que, em momentos de dor, pode parecer dura. Pode parecer que Deus está nos empurrando contra a parede quando já estamos tão fragilizados. Mas, se ouvirmos com o coração, veremos que essa não é uma acusação de um juiz distante, mas o convite de um Pai que deseja que sejamos inteiros, que sejamos verdadeiros, que sejamos d'Ele.
Benjamin, o nosso querido Ben, era um mestre na arte da verdade. Vocês se lembram de como ele era? Não havia nele uma duplicidade. Quando ele falava de sua 'Con Chim Airlines', quando ele mergulhava na lógica dos seus códigos, quando ele sorria — aquele sorriso que era quase uma assinatura da sua alma — ele estava ali, por inteiro. Ele era um rapaz de uma curiosidade voraz, um explorador de mundos, mas, acima de tudo, era um rapaz de uma transparência cristalina. Ele não dizia 'sim' para agradar e depois se esquecia. Ele era o filho que, mesmo na dor, mesmo na luta, mantinha o seu olhar fixo naqueles que amava. Lembrem-se daquele momento em que ele, aos quinze anos, quis oferecer o seu mealheiro para ajudar o tio William. Ele não precisou quebrar o mealheiro, ele não precisou esvaziá-lo. O que importava era a oferta. Ele, que conhecia o valor do esforço, estava disposto a dar tudo o que tinha, sem reservas, sem cálculos. Ele já vivia a lógica do Reino, onde o 'sim' é um 'sim' que se traduz em entrega.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre o futuro ou sobre a próxima viagem, é uma presença constante. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
No Evangelho de hoje, Jesus nos apresenta a parábola dos dois filhos. Um diz 'não', mas depois vai. O outro diz 'sim', mas não vai. Jesus não está aqui para nos dar uma aula de obediência cega; Ele está aqui para nos mostrar que o Reino de Deus é feito de conversão, de mudança de mente, de mudança de coração. Ele diz aos chefes dos sacerdotes que os publicanos e as prostitutas entrarão antes deles. Por quê? Porque eles mudaram. Eles acreditaram. Eles deixaram que a luz de Deus entrasse na sua escuridão. O Ben, em toda a sua curta vida, foi esse filho que sempre 'foi trabalhar na vinha'. Ele não era um rapaz de palavras vazias. Ele era um rapaz de ação, de curiosidade, de presença. Ele vivia o hoje. Ele vivia o agora. E, ao fazê-lo, ele nos ensinava que a vontade de Deus não é algo que se cumpre num futuro distante, mas algo que se abraça no gesto de carinho, no sorriso compartilhado, na vontade de tentar, mesmo quando o resultado é incerto.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele está a interceder por vós, especialmente por ti, Ryan, e pelos vossos pais. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome é um sinal de que o seu amor não parou em junho de 2026. Ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a ser uma fonte de graça para o mundo. Cada gesto de bondade que vocês fazem em memória dele é um eco da sua vida. Ele não é um passado que se perdeu; ele é um futuro que vos espera.
O Apóstolo Paulo, na segunda leitura, nos faz um pedido que é o bálsamo para a nossa dor: 'Tenham em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus'. É o convite à humildade, ao esvaziamento, ao olhar para o outro como mais importante do que nós mesmos. É exatamente isso que o Ben fazia. Ele não buscava a glória própria; ele buscava a alegria da família, a conexão com o irmão, o bem do próximo. Ele tinha em si, naturalmente, o espírito de Cristo. Ele se esvaziou de si mesmo para se doar. E é por isso, e somente por isso, que ele está agora exaltado, que ele está agora no Banquete do Céu, que ele está agora livre de toda a dor.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: o 'sim' do Ben foi um 'sim' definitivo a Deus. E o nosso 'sim', mesmo quando choramos, mesmo quando estamos cansados, é o que nos mantém unidos a ele. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.