Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco.
Senhor, que nos chamastes para ser a vossa vinha escolhida, tende piedade de nós. Cristo, que sois a pedra angular rejeitada pelos homens, tende piedade de nós. Senhor, que nos restaura com a vossa misericórdia, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a cena que o profeta Isaías nos descreve hoje. Não é uma imagem distante ou abstrata; é algo que podemos ver com os olhos da alma. Um amigo, um homem que ama profundamente, escolhe um pedaço de terra. Ele não escolhe um lugar qualquer; ele encontra uma encosta fértil. Ele trabalha a terra com as próprias mãos: remove as pedras, prepara o solo, planta as videiras mais nobres. Ele constrói uma torre para vigiar e um lagar para o fruto que virá. É um projeto de amor. É um ato de espera esperançosa. O dono da vinha não está apenas cultivando plantas; ele está cultivando uma promessa. Ele investe tudo o que tem, toda a sua atenção, todo o seu cuidado, porque ele deseja, com todo o seu ser, colher frutos de doçura.
Mas, quando chega o tempo da colheita, o que ele encontra? Uvas bravas. Frutos amargos, que não correspondem ao amor que foi plantado. E o profeta nos faz a pergunta que ecoa através dos séculos: 'O que mais se poderia fazer pela minha vinha que eu não tenha feito?'.
Talvez, ao ouvirmos isso, sintamos um aperto no peito. Talvez, em momentos de silêncio, essa pergunta se torne a nossa própria pergunta. 'O que mais eu poderia ter feito?'. É a tentação de olhar para trás, para as nossas vinhas, para as nossas vidas, para os nossos filhos, e tentar encontrar onde a falha ocorreu. É o sussurro da culpa que nos diz que, se tivéssemos sido mais vigilantes, se tivéssemos cavado mais fundo, se tivéssemos protegido melhor as cercas, o resultado seria diferente. Mas, meus amigos, ouçam com o coração: Deus não é um senhor de vinha que procura culpados. Deus é o dono que, mesmo quando a colheita não é a que esperávamos, continua a amar a terra que Ele mesmo plantou.
Benjamin Vo, o nosso querido Ben, era como essa vinha nobre, cuidada com tanto amor por Alan e Thao. Vocês se lembram de como ele era? Aquele rapaz de quinze anos, com a mente de um engenheiro, que via o mundo não como um lugar de caos, mas como um sistema a ser compreendido, um código a ser decifrado. Ele amava a precisão das coisas: os números, a infraestrutura da nuvem, a mecânica perfeita de um Boeing 737. Ele era um rapaz que queria que tudo estivesse no seu lugar. Mas, por trás dessa mente brilhante, havia algo ainda mais profundo: uma doçura que não vinha da lógica, mas de um coração que já pertencia ao Reino. Ele era aquele rapaz que, com uma simplicidade desarmante, olhava para os pais com um amor tão puro que, num impulso, quis oferecer o seu próprio mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava a provação da doença. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar. O que importava era a oferta. Ele tinha o coração de uma criança, aquele coração que Jesus coloca no centro do Reino.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre a sua 'Con Chim Airlines', é uma presença constante. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta, às vezes, sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
No Evangelho de hoje, Jesus conta a parábola dos vinhateiros homicidas. É uma história sobre rejeição, sobre a tentativa dos homens de tomarem posse daquilo que pertence a Deus. Mas, no centro dessa história, há uma figura que se destaca: o Filho. O dono da vinha envia o seu próprio filho, pensando: 'Eles respeitarão o meu filho'. E o que acontece? O Filho é rejeitado, é lançado fora da vinha, é morto. Mas aqui está o mistério da nossa fé: a morte do Filho não é o fim da história. Jesus cita o Salmo: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular'.
O Ben foi, de muitas maneiras, essa pedra de luz na vossa família. Ele não foi rejeitado; ele foi chamado para o lugar onde a pedra angular é a própria presença de Deus. Ele não foi 'lançado fora'; ele foi acolhido na plenitude do banquete. Quando o pai de Ben sonhou com ele — aquele sonho em que o Ben, com a sua voz de menino, dizia: 'Ba ơi, test nào con cũng qua hết. Con tự thở được bình thường mà... sao con lại bị như vầy?' — e depois, com a doçura que sempre o caracterizou, dizia: 'Não sao đâu, con sẽ dõi theo ba mẹ' — isso não é apenas um sonho. É uma promessa de que o Ben, agora livre de todas as limitações, livre de toda a dor, livre de toda a confusão da doença, está a ver a Face de Deus. Ele está a interceder por vós. Ele está a dizer-vos, do outro lado do véu: 'Eu estou bem, eu estou em casa'.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro, com quem partilhavas a vida. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, quando vires um avião a cruzar as nuvens, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
O Apóstolo Paulo, na segunda leitura, nos dá o segredo para sobreviver a este tempo de espera: 'Tenham no coração a paz de Deus, que supera todo o entendimento'. Não é uma paz que vem de ter todas as respostas. Não é uma paz que vem de esquecer a dor. É uma paz que vem de saber que, em tudo, podemos fazer as nossas petições conhecidas a Deus com ação de graças. O Ben era um mestre em 'pensar naquilo que é verdadeiro, honroso, justo, puro, amável'. Ele focava-se na excelência, na curiosidade, na alegria. Ele não se deixava abater pela mesquinhez. Ele vivia com os olhos postos no que é bom.
O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome, em Cà Mau, é um sinal de que o seu amor não parou em junho de 2026. Ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a ser uma fonte de graça para o mundo. Cada gesto de bondade que vocês fazem em memória dele é um eco da sua vida. Ele não é um passado que se perdeu; ele é um futuro que vos espera.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: os anjos estão a subir e a descer, e o caminho entre vós e o Ben está aberto pela oração. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.