Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que nos chamastes à liberdade dos filhos de Deus, tende piedade de nós. Cristo, que sois o sinal maior da misericórdia do Pai, tende piedade de nós. Senhor, que nos levantais do pó para nos fazer sentar com os vossos santos, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, a simplicidade de uma criança que observa o mundo. Não com o olhar apressado de quem precisa de chegar a algum lugar, mas com o olhar atento de quem descobre, em cada detalhe, uma centelha de maravilha. Benjamin Vo tinha esse olhar. Ele era um rapaz de uma curiosidade que não conhecia fronteiras, alguém que via no funcionamento das coisas — nos códigos, nas infraestruturas da tecnologia, nas rotas dos aviões — uma linguagem que falava da inteligência do próprio Criador. Lembro-me de como ele, com aquela doçura que lhe era tão própria, encontrava alegria na precisão. Ele não era apenas um rapaz de mente brilhante; ele era um rapaz que, ao olhar para o céu, não via apenas o espaço, mas uma oportunidade de voar, de explorar, de estar mais perto daquelas alturas onde o silêncio de Deus parece mais tangível.
Na primeira leitura de hoje, São Paulo nos convida a uma reflexão sobre a nossa origem e o nosso destino. Ele fala de duas mulheres, dois caminhos: a escravidão e a liberdade. Ele nos lembra: 'Portanto, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre'. É um convite para não voltarmos ao jugo da escravidão, a esse medo que nos prende ao passado, àquela angústia que tenta nos convencer de que a nossa vida é um conjunto de erros ou de fatalidades. Paulo nos chama para a liberdade dos filhos de Deus. E o que é essa liberdade, senão a certeza de que, mesmo quando a vida nos parece um deserto, somos sustentados por uma Promessa que não falha?
Alan, Thao e Ryan, sei que o silêncio destes três meses tem sido um deserto por onde têm tido de caminhar. Sei que há manhãs em que a ausência do Ben entra no quarto antes mesmo do sol, e a saudade parece um peso que não se consegue carregar sozinho. Sei que, por vezes, a dor se disfarça de pergunta, e o coração se interroga sobre o porquê de tudo isto. Mas deixem-me dizer-vos algo que é a verdade mais profunda da nossa fé: a doença, o sofrimento que o Ben enfrentou, nunca foi, nem por um segundo, um castigo, nem uma falha de quem o amou. Nunca foi vossa culpa. Deus não envia a enfermidade, e nenhum cuidado omitido ou dado causou esta partida. Há dores neste mundo que estão para além de qualquer controle humano, provações que nos rasgam sem que nenhum de nós tenha falhado. Vocês amaram o Ben com cada fibra do vosso ser. Vocês seguraram a mão dele até ao último instante, com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Não carreguem esse peso nos ombros; vocês não falharam em nada. Deus não vos acusa, e vocês não devem acusar-se.
No Evangelho, Jesus fala de uma geração que busca sinais, mas que não consegue ver o sinal maior que já está diante dela. Ele fala de algo 'maior do que Salomão', algo 'maior do que Jonas'. Jesus é o sinal. A Sua presença, a Sua entrega, a Sua ressurreição são a resposta para toda a nossa sede. O Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, compreendeu isso de uma forma que talvez nós ainda estejamos a aprender. Lembram-se daquele momento, tão genuíno, em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil? Ele não precisou de partir o cofrinho, ele não precisou de o esvaziar. O gesto estava feito no momento em que ele o propôs. Ele tinha a sabedoria de quem sabe que o valor de uma vida não está no que acumulamos, mas naquilo que estamos dispostos a oferecer. Ele já vivia na liberdade dos filhos de Deus. Ele já era, na sua essência, um herdeiro daquela promessa de que Paulo fala.
Ryan, meu querido rapaz, tu que sabes o que é perder o teu irmão e melhor amigo, tu que partilhaste tanto com ele… não estás sozinho. Quando olhares para o céu e vires um avião a cortar as nuvens, lembra-te de que o teu irmão amava esse voo. Ele continua a voar na paz de Deus. Vive por ele. Continua a tua caminhada levando a bondade dele contigo. O Ben não se apagou; ele apenas chegou primeiro àquela montanha onde já não há pranto nem dor. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele continua a ser o teu Ben, o teu irmão, aquele que, com a sua doçura, te ensinou que o amor é a única coisa que permanece.
Às vezes, tentamos encontrar explicações para o que não compreendemos. Tentamos aplicar a lógica dos homens, as regras da física ou as leis da probabilidade à nossa dor. Mas a fé, como Paulo nos ensina, é precisamente o convite para sair dessa custódia de explicações e entrar na liberdade da promessa. O Ben está a viver essa promessa. Ele está a ver o que nós apenas vislumbramos. E o seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a fluir. Como o poço de água que foi aberto em seu nome em Cà Mau, o seu amor continua a saciar a sede de quem precisa, a dar vida onde antes havia apenas aridez. O Ben continua a ser um canal de graça.
Alan e Thao, vocês foram os primeiros a ensinar-lhe a rezar. Vocês foram os primeiros a mostrar-lhe o caminho da fé. E esse dom que vocês lhe deram, ele agora vive-o plenamente. Não tenham medo da vossa dor; ela é o selo do amor imenso que vocês têm por ele. Deus não vos pede que deixem de sentir; Ele pede apenas que confiem. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre.
O que podemos levar connosco hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, fazendo brilhar sobre vós a Sua face. Ide em paz e que o amor de Deus seja a vossa força hoje e sempre.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.