Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam com todos vocês.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem a cena: uma estrada poeirenta, o sol a castigar o solo, e um homem caído, despojado de tudo, deixado à mercê do silêncio e da morte. É uma imagem que dói olhar, não é? É a imagem da vulnerabilidade absoluta, onde a vida parece ter escapado pelas frestas dos dedos. Muitas vezes, a vida nos coloca nesta estrada. Não porque tenhamos escolhido o caminho, não porque tenhamos falhado em algo, mas porque a fragilidade humana é uma realidade que nos encontra, sem aviso, no meio da viagem. O sacerdote e o levita passam ao largo. Eles têm as suas razões, as suas leis, as suas justificações. Mas o samaritano… ele não passa. Ele para. Ele é movido por uma compaixão que não calcula, que não pergunta 'porquê', que não pede explicações. Ele simplesmente cuida.
Benjamin Vo, o nosso querido Ben, tinha essa mesma capacidade de ver o que os outros, na pressa ou no medo, ignoram. Vocês se lembram de como ele era? Aquele rapaz de quinze anos, com a mente de um engenheiro, que via o mundo como um sistema magnífico, um código que ele queria decifrar. Ele amava a precisão, a infraestrutura, a lógica dos aviões que ele tanto admirava. Mas, por trás dessa inteligência brilhante, havia um coração que era, acima de tudo, um coração de samaritano. Lembrem-se daquele momento em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava a provação da doença. Ele não precisou de partir o mealheiro, ele não precisou de o esvaziar. O que importava era a oferta. Ele tinha o coração daquele que, ao ver a necessidade, sente o impulso irresistível de cuidar. Ele não calculava; ele amava.
Faz três meses, Alan, Thao e Ryan, que o Ben iniciou a sua morada definitiva na casa do Pai. Sei que, para vocês, o silêncio da casa, onde antes a voz dele ecoava com ideias sobre a sua 'Con Chim Airlines', é uma presença constante. Sei que há manhãs em que a dor é um hóspede que não pede licença e que a pergunta 'porquê' insiste em bater à porta. E sei, porque a verdade precisa ser dita, que a culpa tenta, às vezes, sussurrar nas sombras da noite. Ela tenta dizer que talvez algo tenha sido deixado de fora, que talvez houvesse uma vigilância que não foi suficiente, que talvez vocês pudessem ter feito mais. Deixem-me dizer isto com toda a ternura de um pai espiritual: essa voz não vem de Deus. Ela é uma mentira que se aproveita do vosso amor. A doença que o levou não foi um castigo, nem o resultado de qualquer erro ou omissão. A vida, na sua fragilidade, enfrenta tempestades que estão para além de todo o controle humano, de toda a ciência, de toda a vigilância, por mais amorosa e dedicada que tenha sido. Vocês foram o mundo do Ben. Vocês foram o seu porto seguro, o seu amor, a sua segurança. Deus não vos acusa; Ele acolhe o vosso amor como o sacrifício mais puro. Não se culpem por aquilo que não estava nas vossas mãos. Vocês deram tudo o que um pai e uma mãe poderiam dar, e esse amor é eterno.
No Evangelho, Jesus responde à pergunta 'quem é o meu próximo?' não com uma definição teórica, mas com uma parábola que nos obriga a olhar para a nossa própria capacidade de compaixão. O samaritano, aquele que era considerado um estranho, torna-se o modelo de vizinho. Ele aproxima-se. Ele toca a ferida. Ele derrama óleo e vinho. Ele cuida. O Ben, em toda a sua curta vida, foi esse samaritano para vocês. Ele cuidava da alegria do irmão, ele cuidava do coração dos pais com a sua doçura, ele cuidava das suas próprias curiosidades com uma paixão que contagiava. Ele não passava ao largo da vida; ele mergulhava nela.
Paulo, na primeira leitura aos Gálatas, é incisivo: 'Am I now currying favor with human beings or God?'. Ele nos lembra que a nossa vida não deve ser pautada pelo julgamento dos outros, mas pela verdade que vem de Deus. O Ben viveu essa verdade. Ele não vivia para as aparências; ele vivia para o que era real, para o que era bom, para o que era puro. A sua curiosidade pelos aviões, a sua vontade de criar a 'Con Chim Airlines', não eram apenas hobbies; eram formas de ele se conectar com a beleza do mundo que Deus criou. Ele via a criação com os olhos de quem sabe que tudo é um dom.
Ryan, tu és o irmão que guarda a chama. Sei que a tua vida parece ter perdido o teu companheiro de aventuras, aquele com quem sonhavas com o futuro, com quem partilhavas a vida. Mas o Ben não te deixou. Ele está na eternidade que Deus plantou no coração dele. Quando olhares para o céu, quando vires um avião a cruzar as nuvens, não penses que ele se foi. Pensa que ele está a viver a plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra, agora sem as limitações do corpo, sem a dor, sem a doença. Ele está a ver a face de Jesus, aquela face que ele tanto procurou nas suas viagens, na beleza que ele admirava. Ele está a interceder por vós, especialmente por ti, Ryan, e pelos vossos pais. Ele continua a ser o vosso Ben, o rapaz que queria oferecer tudo o que tinha. Ele não precisou de partir o mealheiro; o que importava era o coração que já era todo de Deus.
O Ben, o nosso 'Grande Oceano', continua a dar frutos. Aquele poço de água que brotou na terra seca em seu nome, em Cà Mau, é um sinal de que o seu amor não parou em junho de 2026. Ele continua a fluir, a saciar a sede dos que sofrem, a alimentar os que têm fome. O seu amor, que vocês nutriram e que ele aprendeu convosco, continua a ser uma fonte de graça para o mundo. Cada gesto de bondade que vocês fazem em memória dele é um eco da sua vida. Ele não é um passado que se perdeu; ele é um futuro que vos espera.
Não tenham pressa de curar a vossa dor. A vossa dor é sagrada, porque é o selo do amor que vocês tiveram por ele. Deus não tem pressa convosco. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre. Levem hoje convosco esta certeza: os anjos estão a subir e a descer, e o caminho entre vós e o Ben está aberto pela oração. Façam hoje um pequeno gesto em memória dele: uma oração em silêncio, um ato de bondade, um momento de paz no meio da correria. O Benjamin Vo, o nosso rapaz da curiosidade infinita, está agora na aventura que nunca termina. Ele está à vossa espera, com aquele sorriso doce e cheio de vida, na porta do Céu. Até lá, vivam. Vivam com a esperança que não decepciona. Vivam no amor que tudo suporta. Vivam na paz que o mundo não pode dar, mas que o Senhor, que venceu a morte, oferece a cada um de vocês. O Ben está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vocês e permaneça para sempre. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.