Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, que conhece o nome de cada uma de nossas famílias, esteja convosco.
Senhor, que viestes trazer fogo à terra, tende piedade de nós. Cristo, que suportastes a angústia da cruz por nosso amor, tende piedade de nós. Senhor, que nos chamais a ser fortalecidos no nosso íntimo pelo Vosso Espírito, tende piedade de nós.
Imaginem, por um momento, as mãos de um artesão a trabalhar a madeira. Não é um trabalho apressado; é um processo de paciência, onde cada fibra da madeira é respeitada, onde cada curva é moldada com um propósito. O apóstolo Paulo, na sua carta aos Efésios, usa uma imagem que nos toca profundamente o coração: ele ajoelha-se diante do Pai para que sejamos 'fortalecidos com poder, pelo seu Espírito, no nosso íntimo'. É como se Paulo estivesse a pedir que o nosso coração, muitas vezes fragilizado pelas intempéries da vida, fosse enraizado e fundado no amor. Ele fala de uma largura, um comprimento, uma altura e uma profundidade que superam todo o conhecimento. É a medida do amor de Cristo, um amor que não tem fronteiras, um amor que abraça o que não compreendemos.
O nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, era um rapaz que compreendia a beleza das estruturas, a lógica dos sistemas e a precisão das coisas bem feitas. Ele encontrava alegria na arquitetura de um Boeing 737, na complexidade de um ambiente de nuvem, na ordem matemática que rege o universo. Ele tinha aquele olhar curioso, aquele olhar de quem quer saber como as peças se encaixam. Mas, mais do que isso, o Ben era um rapaz que, no seu íntimo, tinha uma raiz profunda. Ele não era apenas um intelecto brilhante; ele era um coração enraizado na bondade. Lembram-se daquele momento em que, com a pureza de quem ama sem cálculos, ele se dispôs a oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento difícil? Ele não quebrou o mealheiro, ele não o esvaziou, ele não precisou de fazer um espetáculo. Ele apenas ofereceu. O gesto, na sua simplicidade, revelava um coração que já compreendia, aos quinze anos, que a vida não se mede pelo que temos, mas pelo que somos capazes de dar.
Mas, hoje, o Evangelho nos traz uma palavra que parece cortar como fogo. Jesus diz: 'Vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!'. E fala de uma divisão, de uma casa dividida. É uma imagem forte, quase desconcertante. Jesus não nos promete uma paz que é apenas a ausência de conflito ou uma vida sem sobressaltos. Ele nos fala da verdade que, por vezes, nos separa daquilo que mais amamos, porque a vida neste mundo é, por natureza, passageira e, por vezes, dolorosa. Alan, Thao e Ryan, quatro meses se passaram desde que o Ben partiu. Sei que, para vós, a 'divisão' que o mundo impõe é o vazio daquela cadeira, é o silêncio que, por vezes, se instala na casa onde antes havia o som dos sonhos do Ben, os seus planos para a 'Con Chim Airlines', o seu riso quando falava dos aviões que tanto amava. Sei que há momentos em que a saudade é um fogo que arde no peito, e a pergunta 'porquê?' parece não ter resposta.
Deixem-me dizer-vos uma verdade que precisa de ser ouvida: o sofrimento não é uma punição. Quando os discípulos perguntaram a Jesus quem tinha pecado para que alguém nascesse cego, Ele foi claro: nem ele, nem os seus pais. A doença, a fragilidade, a partida precoce de um jovem como o nosso Benjamin... isso não é falha de ninguém. Não houve nada que vocês pudessem ter feito, nenhuma vigilância que pudesse ter alterado o curso deste mistério. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e o seu coração de ouro, sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele apenas vos convida a descansar. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo, que nos acolhe no seu abraço eterno, onde não há mais doença, nem cansaço, nem angústia.
O fogo de que Jesus fala no Evangelho é o fogo do Espírito. É o mesmo fogo que Paulo pede para os Efésios, para que sejam fortalecidos no seu íntimo. O Ben viveu esse fogo. Ele não era um rapaz que se escondia; ele era um rapaz que queria viver, que queria explorar, que queria conectar-se com o mundo. A sua curiosidade era, na verdade, uma forma de oração, uma forma de procurar a verdade em tudo o que via. Ele não via apenas máquinas; ele via o engenho de Deus. Ele não via apenas pessoas; ele via o amor que as unia. Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti. Tu és o guardião das memórias que vocês construíram, e esse amor que vos uniu não foi cortado pela morte; ele foi apenas transfigurado.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos, os jovens que lutam contra a doença: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada suspiro, cada noite mal dormida, cada interrogação sem resposta. Jesus não nos promete uma vida sem cruzes, mas promete que Ele mesmo carrega a cruz connosco. Ele não nos tira a dor de imediato, mas dá-nos a força para a atravessar, sabendo que, do outro lado, a luz é mais forte que a escuridão. Não tentem carregar o peso do mundo aos ombros. Façam como o Ben fazia com as suas descobertas: parem um instante, olhem para o alto, deixem o coração respirar. Façam um pequeno gesto de bondade em silêncio por alguém que precisa — um copo de água, uma palavra mansa, um pensamento de paz — sabendo que o amor que demos aos outros nunca se perde. O Ben está bem. Ele descansa na luz do Pai, à espera do dia em que nos voltaremos a sentar juntos à mesa que nunca mais terá fim.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.