Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo estejam convosco.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, o vapor leve que sobe de uma chávena de café numa manhã fresca, ou o som suave dos passos de alguém que entra em casa depois de uma longa jornada, fechando a porta com cuidado para não acordar os que já dormem. Há uma quietude nesses pequenos gestos que nos devolve ao essencial. A Escritura de hoje não começa com grandes teorias ou com exortações abstratas; ela pousa diretamente sobre o tecido rugoso da nossa convivência diária. São Paulo escreve aos Efésios com uma urgência calma: 'Sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo'. Não é uma regra de etiqueta social. É um modo de respirar. É o batimento cardíaco de uma casa onde o amor não precisa de ser provado porque já é o ar que se respira.
O nosso querido Benjamin Vo, o nosso Ben, conhecia bem a linguagem do cuidado silencioso. Pensem naquele momento em que ele, aos quinze anos, olhou para os seus pais e, sem que ninguém lhe pedisse, manifestou o desejo de entregar todo o seu mealheiro para ajudar o tio William, que atravessava o sofrimento de dois derrames. Ele não quebrou o mealheiro, ele não o esvaziou, ele não fez alarde. Ele apenas ofereceu. Havia nele essa generosidade congénita, um impulso puro de quem quer colocar tudo o que tem nas mãos de quem precisa. Ele era um rapaz de uma inteligência brilhante, capaz de navegar pelos labirintos da lógica matemática, da tecnologia e da nuvem digital com a mesma facilidade com que desenhava mentalmente a sua 'Con Chim Airlines', soltando aquele sorriso e um riso meigo quando falava de aviões. Mas, no fundo de tudo, o que definia o Benjamin não era apenas o que a sua mente conseguia alcançar, mas a delicadeza com que o seu coração tocava a vida dos outros.
No entanto, antes de podermos caminhar para a luz da esperança, precisamos de parar e olhar para a verdade do nosso cansaço. Alan, Thao e Ryan, quatro meses compridos já se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que há manhãs em que o silêncio da casa pesa como chumbo, em que cada canto guarda o eco de um projeto inacabado, de uma conversa interrompida, daquele lugar à mesa que continua dolorosamente vazio. E sei que, no meio dessa saudade que não dá tréguas, a culpa tenta, de vez em quando, entrar furtivamente pela porta traseira do pensamento. Pergunta se faltou alguma coisa, se o olhar esteve suficientemente atento, se houve algum detalhe que escapou. Deixem-me dizer-vos isto com toda a suavidade e com a firmeza da verdade de Deus: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, o resultado de uma falha vossa. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais dedicado, por mais vigilante, por mais amoroso que tenha sido, poderia ter impedido o curso deste mistério insondável. Algumas dores simplesmente chegam sem que haja culpa a atribuir a ninguém — nem a vós, nem ao vosso zelo. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e luminoso. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos aponta o dedo; Ele estende os braços para vos acolher no vosso cansaço.
E é aqui, bem no meio dessa exaustão, que o Evangelho de Lucas vem ao nosso encontro como um clarão numa sala escura. Jesus está na sinagoga num dia de sábado. E há ali uma mulher que, durante dezoito anos, esteve encurvada, incapaz de endireitar-se. Dezoito anos a olhar para o chão, a ver apenas a poeira dos sapatos, o pó da terra, o peso invisível de uma carga que ninguém parecia notar. Jesus vê-la. Ele não espera que ela peça; Ele chama-a. E diz-lhe palavras que ecoam através dos séculos até ao nosso coração ferido: 'Mulher, estás livre da tua enfermidade'. Ele impõe-lhe as mãos. E, imediatamente, ela endireita-se e glorifica a Deus.
Parem um momento e olhem para essa mulher. Durante quase duas décadas, ela só conheceu a curvatura da dor. E vejam o líder da sinagoga, indignado porque a cura aconteceu no dia de sábado, apegado às regras, cego à vida que irrompe. Jesus chama-lhe hipócrita e defende a dignidade daquela filha de Abraão que estava acorrentada. É aqui que o Evangelho toca a nossa própria história. Quantas vezes nós próprios nos sentimos assim, encurvados pelo peso dos dias, com o olhar preso ao chão da ausência, incapazes de endireitar o corpo e a alma? A morte de um filho, a partida de um irmão como o Ryan teve de enfrentar, deixam-nos muitas vezes assim: dobrados sobre a memória, a tentar carregar um fardo que é demasiado pesado para ombros mortais.
Mas Jesus aproxima-se de vós, Alan, Thao e Ryan, exatamente como se aproximou daquela mulher. Ele não vos pede que cumpri-sseis uma quota de sofrimento, nem vos condena por estardes cansados. Ele diz-vos, no silêncio da prece e na paz da Sua presença: 'Estais livres'. O Ben já não está encurvado pela dor; ele caminha de cabeça erguida na luz eterna de Deus, livre de todo o cansaço. E ele quer que vós também vos endireiteis, pouco a pouco, um dia de cada vez. A vida que continua em vós não é uma traição à memória dele; é a continuação do amor que ele vos deu. Ryan, meu querido, tu que és o irmão e o companheiro de tantas memórias — nos passeios, nas viagens, nos momentos de partilha —, não tenhas medo de viver. O teu irmão Benjamin olha por ti com aquele sorriso doce e aquela curiosidade viva que nunca se apaga. Ele está na paz, e espera por ti com a paciência dos que já viram o rosto de Deus.
Para todos vós que nos escutais neste momento — especialmente os pais que choram em segredo, as crianças que carregam dores que os adultos mal conseguem imaginar, e todos os que sentem que a noite está a demorar demasiado a passar — escutai a promessa do Salmo: 'Ele é como uma árvore plantada junto à água corrente, que dá o seu fruto a seu tempo e cujas folhas nunca murcham'. A vossa vida não murchou. A dor é real, é profunda, mas a raiz está ancorada na fidelidade de Deus. O Ben foi essa árvore que deu fruto belo, e o seu eco continua a ressoar nos corações de todos os que o amaram.
O que é que levamos daqui, ao atravessarmos a porta para a nossa semana? Uma coisa muito simples, pequena e concreta. Como o Ben, que gostava de observar o mundo e de oferecer o que tinha com pureza de coração, façamos hoje um gesto mínimo de bondade escondida. Um copo de água dado a quem tem sede, uma palavra mansa, um pensamento de paz enviado a alguém que sofre. Não carregueis o mundo aos ombros. Olhai para o céu, deixai que o fardo se desaponte, e lembrai-vos de que o amor nunca se perde. O Ben está bem, guardado na ternura do Pai e na paz de Nossa Senhora. Que Ele vos abençoe e vos guarde hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, vos inunde com a Sua paz e vos conduza pela mão em cada amanhecer. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.