Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam sempre convosco.
Senhor, que nos chamais a viver no Espírito, tende piedade de nós. Cristo, que nos libertais dos pesos que não podemos carregar, tende piedade de nós. Senhor, que sois a luz que ilumina as nossas trevas, tende piedade de nós.
Às vezes, a vida se revela em detalhes tão discretos que, se não pararmos, podemos passar por eles sem notar a sua profundidade. Imaginem, por um momento, a mesa de um escritório, ou talvez um canto de um quarto onde um computador está ligado. Há algo de fascinante na precisão de um código, na lógica de uma infraestrutura que, silenciosamente, faz o mundo funcionar. O nosso querido Benjamin Vo tinha esse olhar. Ele não via apenas máquinas ou aviões; ele via uma ordem, uma linguagem que falava de uma inteligência maior. Ele era um rapaz de uma curiosidade que não conhecia fronteiras, alguém que encontrava beleza na precisão matemática, sonhando com a sua 'Con Chim Airlines', imaginando como as coisas poderiam conectar-se de forma perfeita. Para o Ben, o mundo não era um caos; era um sistema fascinante, uma criação que ele desejava compreender com a alegria de quem descobre um presente.
Na primeira leitura de hoje, São Paulo escreve aos Gálatas sobre uma transformação radical. Ele nos fala da tensão entre a carne e o Espírito. Ele diz: 'Se sois guiados pelo Espírito, não estais sob o domínio da lei'. E, em seguida, ele nos apresenta os frutos desse Espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Paulo não está a falar de um código de conduta frio, mas de uma vida que floresce a partir de dentro. Ele nos convida a deixar que o Espírito de Deus, e não as nossas ansiedades ou as nossas exigências, dite o ritmo da nossa caminhada.
Alan, Thao e Ryan, sei que nestes quatro meses desde que o nosso querido Benjamin partiu para a casa do Pai, a vossa casa tem conhecido um silêncio que, por vezes, parece ensurdecedor. Sei que a tentação de 'limpar o exterior' — de tentar parecer fortes, de tentar seguir a rotina como se o mundo não tivesse mudado, de tentar justificar cada momento — é um peso que vocês carregam. Há dias em que a dor é um hóspede que entra sem pedir licença. E, no meio dessa dor, a culpa às vezes tenta sussurrar mentiras, perguntando se vocês poderiam ter feito mais, se algo foi omitido, se o cuidado foi suficiente. Deixem-me dizer-vos, com a ternura de um Deus que conhece cada lágrima vossa: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a enfermidade, e nenhum cuidado, por mais atento que fosse, poderia ter evitado o que aconteceu. Vocês amaram o Ben com um amor que é o reflexo do próprio amor de Deus. Aquele rapaz, com a sua mente brilhante e a sua curiosidade infinita, sabia-se amado. Aquele amor que vocês lhe deram é a única coisa que não passa.
No Evangelho, Jesus dirige-se aos fariseus e aos doutores da lei com uma severidade que nos faz parar. 'Ai de vós, doutores da lei, porque impusestes aos homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas nem com um só dedo'. Jesus está a denunciar a hipocrisia de quem se preocupa com as aparências, com o dízimo da hortelã e da arruda, mas esquece o essencial: o amor, a justiça, a misericórdia. Ele nos convida a tirar das costas o peso das expectativas alheias, o peso da perfeição que não nos pertence, e a descansar na verdade do que somos diante d'Ele.
O Ben compreendia esta liberdade de uma forma muito própria. Ele não era apenas um rapaz de números e códigos; ele era um rapaz de uma doçura que desarmava qualquer lógica. Lembrem-se daquele momento, tão genuíno, em que ele, aos quinze anos, quis oferecer todo o seu mealheiro para ajudar o seu tio William, que atravessava um momento de saúde tão difícil. Ele não precisou de partir o cofrinho, ele não precisou de o esvaziar — o gesto já estava feito na intenção do seu coração generoso. Ele tinha a sabedoria de quem já entendia que o que importa não é a perfeição das nossas mãos, mas a pureza da nossa oferta. Ele não se preocupava com o que parecia aos olhos do mundo; ele preocupava-se com o amor. Ele já vivia na liberdade dos filhos de Deus.
Ryan, meu querido, tu que caminhas lado a lado com os teus pais, tu que conheces o vazio da cadeira ao lado da tua, não tenhas medo de mostrar o teu interior. O teu irmão Benjamin, com aquele sorriso que iluminava o rosto e a curiosidade que o fazia querer entender como o mundo funcionava, continua a olhar por ti. Ele não está longe. Ele está na plenitude daquela curiosidade que ele tinha aqui na terra. Ele está na escola do amor, onde não há mais doença, nem cansaço, nem medo. Vive por ele, Ryan. Vive com a alegria que ele tinha, com a bondade que ele demonstrava. Quando olhares para o céu e vires um avião, lembra-te que ele está lá, na paz de Deus, esperando por ti.
Às vezes, a vida nos faz sentir como se estivéssemos a tentar limpar um copo que nunca fica totalmente transparente. Tentamos ser bons, tentamos ser fortes, tentamos ser os pais que o Ryan precisa e os filhos que honram a memória do Ben. E, quando falhamos, quando a tristeza nos domina, sentimos que o nosso interior está sujo. Mas Jesus, no Evangelho, nos dá uma chave que é uma promessa: o amor é a única lei que não é um fardo. Quando vocês oferecem a Deus a saudade, quando vocês colocam diante d'Ele o choro da madrugada, vocês estão a dar a esmola mais pura que existe: o vosso próprio coração. Não carreguem o peso da culpa. Vocês não falharam. A vida é um mistério que nos ultrapassa, mas a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Cristo, que venceu a morte e nos abre as portas daquela morada onde o Ben agora descansa.
Alan e Thao, vocês foram os primeiros a ensinar-lhe a rezar. Vocês foram os primeiros a mostrar-lhe o caminho da fé. E esse dom que vocês lhe deram, ele agora vive-o plenamente. Não tenham medo da vossa dor; ela é o selo do amor imenso que vocês têm por ele. Deus não vos pede que deixem de sentir; Ele pede apenas que confiem. Ele é a vossa rocha. Ele é o vosso refúgio. Quando a tempestade vier, agarrem-se a esta rocha. O Ben está a ver-vos, ele está a sorrir para vós, com aquele sorriso doce e cheio de vida que vocês tanto amam. Ele está à vossa espera na porta do Céu. Até lá, sejam fortes, não pela vossa própria força, mas pela força d'Aquele que venceu a morte. Vivam por ele, vivam com ele, vivam em Cristo. A vida é um dom que Ele vos deu, e o Ben é o tesouro que Ele vos confiou para sempre.
O que podemos levar connosco hoje, para abrir a porta da nossa semana? Apenas uma coisa pequena, mas verdadeira. O Ben amava observar. Ele gostava de parar e ver o mundo funcionar. Hoje, convido-vos a fazer o mesmo. Não corram. Não tentem resolver o mundo inteiro. Parem. Olhem para o céu, vejam um avião passar, ou simplesmente olhem para uma fotografia do Ben, e digam uma pequena prece, um 'obrigado' silencioso pela vida dele. Acolham a Palavra de Deus como ele a acolheu. Deixem que essa Palavra seja o vosso refúgio quando o mundo parecer pesado demais. A fé não é um sistema de regras; é a certeza de que somos amados. E o Ben, o nosso rapaz da curiosidade infinita, é a prova viva de que esse amor é mais forte que tudo. Ele está em casa, e ele espera por vocês de braços abertos. Que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos guarde de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.