Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, estejam convosco e vos sustentem neste momento de oração.
Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Imaginem, por um instante, o gesto simples e quase invisível de uma mão que semeia. Não há barulho, não há trombetas, não há o alarde das grandes conquistas humanas. É apenas um homem, num jardim, a depositar uma semente minúscula na terra escura. É um gesto de confiança absoluta no invisível. O semeador não vê a árvore; ele vê apenas a possibilidade. Ele não vê o abrigo que as aves encontrarão nos ramos; ele vê apenas a promessa contida naquele grão tão pequeno que quase se perde entre os dedos. O Reino de Deus, diz-nos Jesus, é exatamente assim: algo que começa tão discretamente que pode passar despercebido, mas que carrega em si a força de transformar toda a realidade.
Benjamin Vo, o nosso Ben, conhecia o valor das pequenas coisas que, somadas, formam um mundo inteiro. Ele era um jovem de uma mente brilhante, capaz de mergulhar nas arquiteturas complexas da nuvem digital ou de projetar, com um sorriso travesso e aquele brilho nos olhos, os planos da sua 'Con Chim Airlines'. Mas, por trás dessa inteligência que via longe, havia um coração que sabia valorizar o detalhe. Lembro-me de como ele observava os aviões com o pai, não como quem olha para uma máquina, mas como quem contempla um sonho. Havia nele uma curiosidade que era, na verdade, uma forma de oração: uma atenção constante à beleza e ao mistério da vida. Ele era como essa semente: uma vida que, no seu curto tempo entre nós, cresceu para se tornar um abrigo de amor para todos os que o rodeavam.
No entanto, antes de podermos alcançar a luz dessa esperança, precisamos de parar e olhar para a verdade do nosso cansaço. Alan, Thao e Ryan, quatro meses já se passaram desde que o Ben partiu para a casa do Pai. Sei que, para vós, a casa parece, por vezes, um lugar de silêncio denso, onde cada canto guarda o eco de uma presença que a saudade torna urgente. Sei que há manhãs em que o peso da ausência ambiciona emboscar o vosso espírito, e que a pergunta sobre o 'porquê' de tudo isto parece não encontrar resposta nem na terra, nem no céu. E sei, também, daquela sombra traiçoeira da culpa que, por vezes, tenta sussurrar nos vossos ouvidos, perguntando se algo vos escapou, se o cuidado foi suficiente, se houve algum detalhe que poderia ter mudado o curso desta história. Deixem-me dizer-vos isto com a firmeza da verdade de Deus, como um pai que fala a filhos amados: o sofrimento do Ben nunca foi, nem por um segundo, uma falha de quem o amou. Deus não envia a doença, e nenhum cuidado humano, por mais dedicado, por mais vigilante, por mais amoroso que tenha sido, poderia ter impedido o que aconteceu. Algumas dores simplesmente irrompem na nossa vida sem que tenhamos qualquer controle sobre elas; não são um castigo, não são um erro, não são a vossa responsabilidade. Vocês amaram o Ben com um amor total, corajoso e luminoso. Ele sabia-se profundamente amado por vós. Deus não vos acusa de nada; Ele estende os braços para vos acolher no vosso cansaço e absolver-vos de qualquer peso que não vos pertence. Estais livres dessa carga.
É aqui que o Evangelho de hoje irrompe na vossa dor. Jesus compara o Reino a uma mulher que toma fermento e o mistura em três medidas de farinha até que tudo fique levedado. O fermento é pequeno, é escondido, quase desaparece na massa. Mas ele tem o poder de mudar a natureza de tudo o que toca. A vossa dor, por mais avassaladora que seja, não é o fim da história. Ela é, misteriosamente, a massa que Deus está a levedar com a Sua graça. O amor que o Ben vos deu, a alegria que ele partilhou, a bondade que ele semeou — tudo isso é o fermento que continua a trabalhar no vosso coração. Não pensem que a vossa vida está estagnada. Ela está a ser transformada, lentamente, dia após dia, pelo amor que não morreu, mas que foi transfigurado.
Ben era um rapaz que acreditava que 'tentar é tudo o que importa'. Ele não tinha medo de falhar no campo de badminton ou de se aventurar em novos projetos. Ele vivia com a audácia de quem confia que o esforço, por si só, já é uma oferta. Imaginem-no agora, na plenitude do Reino, livre de qualquer limitação, a olhar para vós com aquele mesmo sorriso doce que iluminava as vossas fotografias de família. Ele não vos esqueceu. Ele não está longe. Ele está no coração daquele que é o autor de toda a vida. Ryan, meu querido, tu que és o irmão e o companheiro de tantas aventuras, não tenhas medo de continuar a viver. O teu irmão Benjamin, com a sua curiosidade infinita e a sua alma gentil, caminha contigo. Quando olhares para o céu e vires um avião, ou quando te sentires a precisar de um impulso, lembra-te que o amor que vocês partilharam é mais forte do que a morte. Ele continua a ser o teu irmão, e ele deseja que tu vivas com a mesma intensidade e alegria que ele sempre demonstrou.
E para todos vós que nos escutais de longe, especialmente as famílias que carregam cruzes pesadas, os pais que velam os seus filhos e os jovens que lutam contra a dor: Deus não está indiferente ao vosso pranto. Ele recolhe cada lágrima. Ele conhece o peso de cada noite. A vossa vida, tal como a de Ben, é preciosa aos Seus olhos. Não tentem carregar o mundo aos ombros. O Reino de Deus não é feito de grandes gestos heroicos, mas de pequenos atos de entrega, como a semente que cai na terra. Um momento de prece, um pensamento de paz, um gesto de bondade escondida — é assim que o Reino cresce no meio da nossa fragilidade. O Ben, na sua curta vida, foi essa semente. E o fruto da sua existência continua a alimentar-nos, a dar-nos esperança e a lembrar-nos de que o amor nunca se perde.
O que levamos daqui hoje, para abrir a porta da nossa semana? Uma coisa muito simples, pequena e concreta. Como o Ben, que gostava de observar e de oferecer o que tinha com pureza de coração, façamos hoje um gesto mínimo de bondade escondida. Uma palavra mansa, um pensamento de paz enviado a alguém que sofre, ou simplesmente um 'obrigado' silencioso a Deus pela vida do Ben. Não carregueis o mundo aos ombros. Olhai para o céu, deixai que o fardo se desaponte, e lembrai-vos de que o amor nunca se perde. O Ben está bem, guardado na ternura do Pai e na paz de Nossa Senhora. Que Ele vos abençoe e vos guarde hoje e sempre. Amém.
For the intentions entrusted to Ben on our prayer wall:
Movidos pela fé e inspirados pelo divino ensinamento, ousamos dizer:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ide em paz.
✝ May almighty God bless you: the Father, and the Son, and the Holy Spirit. Amen.